Todas as músicas de amor são estúpidas

Todas as músicas de amor são estúpidas.
Eu diria mais, são essas que são a causa da nossa dor.
Se não nos educassem a amar desta forma não sofreríamos por amor.
O amor puro e verdadeiro não fere.
A sociedade ensinou-nos a ver o amor como algo diferente que na realidade ele deve ser.
Amor é uma palavra bela que traz em si muita energia positiva , muito bem estar, mas tudo o que tenha a ver com o ego, com os medos e que meta a palavra amor, não tem em si o amor incondicional.
Se nos ensinaram que o amor tem de ter perda, ensinaram mal, ninguém é de ninguém. Todos somos livres e só na liberdade podemos amar.
Então todas as músicas de amor que falam de sofrimento, de não te quero perder, de eu sou tua, são balelas que só nos fazem sofrer. Não nos deixemos guiar por parvoíces, por egos e por medos.
Eu acho que realmente não sei ainda ver como é que devo amar, melhor dizendo, não sei como amar pondo isso em palavras, dessas de músicas de amor, apenas sei que erramos na forma como nos agarramos a alguém e sei que isso é caminho para dor.
Eu acho que devíamos repensar o sentimento de amor entre duas pessoas como algo diferente.
Tenho dúvidas, mas talvez seja possível criar um conceito novo...não sei, sei que não me quero guiar por músicas de amor...

Quando se apaixonarem por alguém não se guiem por músicas de amor, guiem-se por sentidos de amor incondicional. Sejam felizes quando estão com alguém, mas principalmente sejam felizes quando estão com vocês mesmos.
A minha felicidade não pode jamais depender de alguém, se assim for choramos a perda quando esse algo ou alguém não estiver ali mais.
A nossa felicidade pode ser ampliada com alguém, mas não cultivem sentimentos de posse nem de dependência.

Juntos somos mais, mas o todo só é maior que a soma das partes se as partes forem maiores do que o todo, ou seja, se cada um se sentir feliz consigo mesmo, então o todo será maior, porque o todo estará ainda mais feliz se junto!!
Todas as músicas de amor deviam ser repensadas para não nos fazer sofrer e para nos mostrar o que é verdadeiramente o amor.

O toque de Midas

Os últimos raios de sol são como um toque de Midas dourando tudo onde tocam! 
A brisa trás um cheiro de palha seca e uma lembrança...
O tempo pára aqui na montanha! 
Não existe tempo, não existe pensamento, existe a brisa e o corvo que me olha da rocha.
Aqui sou apenas mais uma rocha olhando o sol que se funde com o azul do mar!
Aqui sou eu no meu silêncio! 
Cala-se a voz e fundo-me com o carvalho que resiste ao tempo!
Fundo-me com a palha que seca no lameiro!
Fundo-me com o vento norte que me leva o pensamento!
Aqui sou a montanha e o seu silêncio é a minha voz!
Aqui sou sem tempo, sem pressa, aqui sou todas as estações e tenho a idade da Terra!

Viviana Cruz in Poemas Canção

Mendiga que sou

Os passos correm lentamente os pensamentos…
Corre o passado e o presente e o futuro perto e longe!
Quero o que não quero e tenho o que me dão!
Sou pedinte e sou mendiga da solidão!
Sou pedinte e sou mendiga da vida!
Dá-me uma côdea de pão e faço dela o meu bolo de festa!
Dá-me um copo de água suja e faço dela o meu espumante e brindo à alegria!
A rosa que sou murcha um pouco! Logo que se abeira de mim a tristeza tiro-a para dançar!
Danço um tango e uma valsa! Uma vénia ao cavalheiro do salão que me atirou uma rosa!
O salão da vida se enche de personagens!
Venho e volto num rodopio e o vento me carrega em seus braços!
Mendiga no chão deitada em teus braços, minha velha e nobre solidão!
Acordo enfim de um leve sonho que me levou para um passado ou um futuro breve!
Não sei se sou a mendiga que passa ou a lenta brisa que destapa do rosto teu véu!
O véu que tapa teu rosto é apenas teu medo! Eternamente teu medo de ser feliz!

Viviana Cruz in Poemas Canção

As gentes da montanha

A solidão da montanha deixa -nos assim
fechados em nós como as rochas se fecham em si...
A rudeza da vida deixa nos a voz torpe...
De nós ouve-se apenas o silêncio...
As gentes da montanha são mesmo assim,
fecham-se na rocha de si
e deixam sua voz falar torpe,
o seu cantar é melodia de silêncio.

Pelo carreiro pisado pelo lobo
passam vagarosos os dias.
O homem segue o seu rasto
não só, mas a seu lado um cão.
Lento vagar pisado com solenidade.
O tempo passa com pesar
e os homens os pisam como lobos
pedindo licença aos dias.
A montanha deixa em seu dorso rasto
da memória que teima silenciar o latido do cão.
Os rituais das gentes são rituais de solenidade
para enfrentar a vida sem pesar.

Nos ombros do homem,
usam-se bureis como segunda pele
qual carapaça que não deixa entrar
nem olhar, nem vento, nem frio.
nem as tentações que Deus deu ao homem.
De baixo dessa pesada pele
onde só o passar dos anos lá pode entrar,
a rudeza da vida dói mais que inverno frio!

Na serra a vida é vagar,
e as aldeias se movem com as estações.
Move-se o mundo num arrastar,
no gesto e no olhar mostram as gentes as emoções.
Dizem as lendas do vento:
O certo é nascer e morrer,
O resto a gente escreve na alma,
como a montanha que teima em escrever
nos socalcos poemas de amor sem fama.

Num triste chorar de lamento,
a doçura da cristalina água do ribeiro
moveu a dureza da pedra
contra um grão de milheiro,
O milho dançou com o vento na terra
onde um homem gastou sua vida,
esperando alcançar nesta serra,
a felicidade achada e logo depois perdida.
Homem que trouxe no rosto e nas vestes um negro,
Na mão um cajado sem medo,
para enfrentar a serra e a sorte,
no coração apenas esperança e certeza da morte.

Viviana Cruz in Poemas Canção

Quando jogamos a felicidade fora o que nos resta?


Aquilo que existe entre a minha felicidade e eu sou eu mesmo!
Por incrível que possa parecer aquilo que realmente sempre barrou a minha vida fui eu mesma!

Hoje com esta idade vejo as pessoas à minha volta serem felizes e conseguirem o que querem na vida, verem seus sonhos se concretizar e eu vejo tudo o que queria para mim não existir, nem longe nem perto.
No fundo eu acho mesmo que eu deitei tudo por água abaixo quando simplesmente comecei a desenhar um projecto de vida que mesmo antes de acabar o esboço rasguei.
Acho que desisti da vida antes de lhe dar uma primeira oportunidade de ser feliz.
Hoje pergunto o que fiz à minha vida?
Joguei fora todos estes anos e agora não sei o que fazer.
Sinceramente gostava de saber exactamente o que fazer, que direcção tomar, que rumo seguir na vida, mas não sei...
Não sei mais o que quero nem o que me pode fazer feliz...cheguei à conclusão que ninguém pode ser feliz apenas por ver outros felizes, chega um hora que nada disso nos basta...Não é inveja do bem que os outros têm é impotência por saber o que perdemos.

Agora fiquei aqui sem saber o que fazer. Talvez se eu fugisse de mim seria suficiente para esquecer, mas não posso fugir do que tanto persegue. A consciência do que sou e do que não sou!

Orientação da vida: o mapa e a bússola da vida!


Pergunto-me: se ao nascermos nos dessem um mapa e uma bússola para nos orientarmos na vida como seria?
Objectivo final felicidade! Seria mais fácil o caminho?
Se tivéssemos um mapa que nos situasse no ponto onde estamos para atingir algo, talvez fosse mais fácil, ou talvez não.
Quando temos de nos orientar com um mapa num local que desconhecemos, simplificamos o caminho se soubermos o ponto onde nos situamos e para onde queremos chegar. Em terrenos difíceis e com obstáculos pode ser difícil o trilho. Temos de descobrir e improvisar, mas com uma bússola saberemos sempre onde está o norte!
O Mapa pode mudar, os objectivos podem mudar, podemos querer ir para outro lugar que não o inicial, sempre podemos reajustar o rumo pegando na bússola e mudando de direcção....
Tudo está em nós, talvez não, nem tudo está em nós!
O mundo que nos rodeia não somos só nós que o controlamos.
A perspectiva que vemos dos acontecimentos essa é só nossa.
Nada nos tira isso! Controlamos o pensamento e o sorriso da nossa cara e isso graças a Deus ninguém nos pode tirar.
Nem tudo está em nós, mas o mapa da vida é escrito por nós, a bússola são os sonhos, o esforço é o azimute, maior ou menor depende sempre de onde estamos e para onde queremos ir!
Pois assim é! Podemos sempre reajustar o rumo, e recomeçar! Interessa caminhar com rumo a algo que nos pareça sempre ser a felicidade!
Assim de longe poderia ser fácil, mas penso em descobridores que se aventuram em mares desconhecidos sem mapa e sem rumo que apenas conheciam o passado de onde vinham e cujo futuro poderia estar escondido numa vaga mais alta que lhes poderia tomar a vida...
Talvez esta seja a comparação possível. Na vida somos descobridores que vão desenhando mapas e usando como rumo a felicidade e como bússola os sonhos!
Somos construtores de mapas de trilhos, de novos caminhos e recorrentes caminhos com mais ou menos tempestades, mas sempre com novas coisas a descobrir.
Todas as estações mudam a paisagem, ainda que passemos mil vezes pelo mesmo lugar, sempre esse lugar será diferente, não só porque mudam as estações, mas porque também mudam os nossos olhos, aqueles que usamos para ver a vida. Mudam as nossas forças e as nossas vontades...
os cabelos brancos, as rugas da pele também...
O mapa da vida vai crescendo à medida que os anos passam e crescemos como seres espirituais...
Resta caminhar e sempre caminhar de encontro à felicidade, porque se assim for não faltará nem a força, nem a vontade e sempre a vida vai encontrar um rumo.

A vida é tão simples assim...


Levantei me de manhã e pensei: o que posso fazer para ser feliz hoje?

Não pensar no passado é um bom começo...o passado aconteceu, não pode ser mudado e pensar nele só me fará sofrer mais...não vai mudar nada do que poderia ter sido, porque não foi nem será...
não vai fazer com que eu deixe de sofrer sobre o que se passou ou mudar de ideias sobre isso mesmo...
Ponto 1: Esquecer o passado...

Viver o presente sem pensar no problema constante de crise, dinheiro, doenças, saudades...viver o presente com quem tenho na minha frente agora... ecran de computador é o meu interlocutor ...ok! posso sempre sorrir para ele: :D!! Cara de parva xD, :P!! ok!! acho que já tenho todos a olhar para mim! Talvez seja melhor apenas sorrir tipo: Mona Lisa :)! Não é bem isto é mais :I ! Parece-me bem!

Ponto 2: Viver o presente a sorrir :)!

Agradecer pelo que tenho hoje, tipo tenho uma dor mas podia ser pior! Podia doer mais! Tenho pouco dinheiro, mas podia não ter nenhum...Ok tá a chover, mas podia estar a cair uma tempestade gigantesca...ou algo do tipo o carro tem um problema mecânico, mas ok! tens carro!

Ponto 3: Ser grata por tudo!

Levar a vida com calma e afastar o ódio o stress...calma e serenidade, não te enerves ainda que o mundo te esteja a cair em cima! Ok queres mandar alguém ir dar uma volta ao bilhar grande! Não, não vale a pena!

Ponto 4: Não te irrites!

Não pensar no futuro, no que pode ser amanhã não ter dinheiro, não ter trabalho não ter família  amigos, ser sozinha e morrer num canto sem que ninguém repare, não ter casa ou carro...não ter que comer! Isso não está a acontecer porque te preocupas com isso? Existe algo que possas fazer para evitar um risco no futuro? Se sim faz, se não esquece!

Ponto 5: Não te preocupes!

Concluindo: onde já ouvi isto?

Já sorriste hoje?
Então estás à espera de quê?

A sabedoria do eremita


Um dia um homem que estava a passar alguns problemas na vida e não sabia mais o que fazer, pegou no seu filho e partiu em busca de um velho eremita que se escondia na montanha.
Pelo caminho o filho perguntava ao pai:
- Porque vamos para a montanha?
- Procuro a sabedoria do eremita...
- Mas esse homem vive sozinho na montanha o que pode saber ele sobre a vida? Porque procuras alguém que não viveu a tua vida? Que sabe ele de ti para te dar sabedoria?
- Mas esse homem passa muitas horas a meditar e a falar com Deus! Ele é sábio, tem bons conselhos para dar. Fala por parábolas e faz nos pensar sobre a vida e como resolver os problemas da vida!
- Mas Deus não está em tudo? Não fomos nós feitos à sua imagem e semelhança? Ou está apenas na montanha? 
- Deus está em tudo, mas esse eremita ouve Deus e sabe falar com ele!

O caminho já ia longo, passaram um ribeiro e o homem decidiu pescar um peixe para dar de comer ao filho.
O filho perguntou ao pai se ele lhe ensinava a pescar e logo ali o pai lhe ensinou, fizeram uma fogueira e o pai ensinou o filho que lenha usar e como fazer um fogo para assar o peixe.
Caiu a noite e o homem fez um abrigo.O filho tudo aprendia e curioso perguntava ao pai tantas coisas e tantas coisas aprendia.
O homem que parecia meditar sobre os problemas da vida, sempre palavras encontrava para o filho ensinar.
Aos poucos o homem foi deixando de pensar nos problemas e passou a centrar se em soluções para todos os problemas que o filho lhe ia colocando. A vida parecia vista daquela montanha e longe de casa ao simples!
Quando iam quase a meio do caminho e depois de um longo silêncio, o filho virou se para o pai e disse:
- Pai tu és o meu eremita sábio! Ensinas-me tantas coisas neste caminho que para mim tu também falas com Deus! Quando for grande como tu quero que tu continues a ser o sábio eremita que me pode ensinar sobre como enfrentar os problemas da vida!
Naquele momento o homem parou e ficou espantado a olhar para o filho. E uma lágrima caiu na sua face e baixinho disse:
- Ouvi Deus!