Sentei-me no meu barco e simplesmente deixei-me levar pela brisa...Ha anos que navegava pelo mar sem rumo. Deixei que a brisa levasse meu barco para onde a vontade determinasse...à medida que os dias passavam foi-se entranhando em mim uma certeza que deveria mudar de direcção. Avistei ao longe rochedos e mais tarde ou mais cedo acabaria por embater contra eles. Sempre pensei que este barco não tinha leme, era uma barco diferente de todos os outros...um barco sem leme, sem velas, sem remos, sem motor, apenas um pedaço de madeira que anda à deriva sobre as águas.
Enquanto a brisa durou fui navegando por águas calmas. Mas quando a tempestade se alevantou continuei sentada no barco, esperei calma e serenamente aproximar-me das margens e, quando estava bem próxima peguei no leme e de súbito o barco embateu de forma arrebatadora contra as rochas...
Por uns momentos perdi a consciencia. Quando voltei a mim olhei eu redor e apenas vi pedaços daquilo que tinha sido uma vida...
Há dias que avisto as margens e o meu corpo continua inerte boiando sobre as águas agitadas. Os destroços daquilo que já foi um dia o meu refúgio, daquilo que eram as minhas desculpas para não alcançar terra frime ,aquilo que era o meu chão era apenas afinal um barco que navegava por um mar revoltoso que mais tarde ou mais cedo acabaria por afundar.
E aqui permaneço à espero que recolham o meu corpo e o deixem apodrecer num buraco qualquer onde aguardarei por uma eternidade, a eternidade onde encontrarei a paz.
1 comentário:
Imperdoável! Como podemos estar permanentemente e cometer os mesmos erros? Como podemos deixar que os nosso receios nos afectem da mesma maneira no passado e no presente sem daí retirar lições e determinaçoes de vida?
Seremos cegos ou parvos?
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