A minha vida sentou-se
E não há quem a levante,
Que desde o Poente ao Levante
A minha vida fartou-se.
E ei-la, a mona, lá está,
Estendida, a perna traçada,
No indindável sofá
Da minha Alma estofada.
Pois é assim: a minha Alma
Outrora a sonhar de Rússias,
Espapaçou-se de calma,
E hoje sonha só pelúcias.
Vai aos Cafés, pede um bock,
Lê o "Matin" de castigo,
E não há nenhum remoque
Que a regresse ao Oiro antigo:
Dentro de mim é um fardo
Que não pesa, mas que maça:
O zumbido dum moscardo,
Ou comichão que não passa.
Folhetim da "Capital"
Pelo nosso Júlio Dantas -
Ou qualquer coisa entre tantas
Duma antipatia igual...
O raio já bebe vinho,
Coisa que nunca fazia,
E fuma o seu cigarrinho
Em plena burocracia!...
Qualquer dia, pela certa,
Quando eu mal me precate,
É capaz dum disparate,
Se encontra a porta aberta...
Isto assim não pode ser...
Mas como achar um remédio?
- Pra acabar este intermédio
Lembrei-me de endoidecer:
O que era fácil - partindo
Os móveis do meu hotel,
Ou para a rua saindo
De barrete de papel
A gritar "Viva a Alemanha"...
Mas a minha Alma, em verdade,
Não merece tal façanha,
Tal prova de lealdade...
Vou deixá-la - decidido -
No lavabo dum Café,
Como um anel esquecido.
É um fim mais raffiné.
Fui desistindo dos objectivos, dos sonhos, de mim, de tudo. Deixei simplesmente de ter ambições ou necessidades. No fundo teria sido mais facil colocar por fim um fim. É como um cancro que lentamente corrompe as nossas células e vai comendo tudo o que é bom à sua passagem...
Fiz tanto planos para o fim, mas confesso que não contava com algo tão lento, tão doloroso onde nem a morfina consegue eliminar a dor...É uma incapacidade para resisitir à tristeza que se acercou de mim. É uma droga da qual estou dependente. Não lembro qual foi o momento em que experimentei pela primeira vez esta droga, o que sei é que não existe tratamento possivel para isto.
4 comentários:
O ser humano é fantástico,
quando pensa que chegou ao limite das suas forças,
descobre que afinal é capaz de ir um pouco mais longe.
A vida está-nos sempre a trocar as voltas.
Como não te posso "dinamitar" os grandes obstáculos que enfrentas.
Sei, apenas que eles te tornarão ainda mais forte.
Mil beijos
A razão pela qual não me deixo vencer pela facilidade de patir apenas é o facto de saber que tenho em meu redor pessoas como tu.
Bjs
E daí talvez o limite seja apenas uma forma de estar. Os obstáculos talvez sejam drogas viciantes que nos fazem esquecer a felicidade. Ou entao apenas podemos encarar o prazer não na felicidade mas sim na infelicidade...na dor...no sofrer. seremos todos masoquistas quando procuramos a dor? ou seremos sádicos quando nos rimos com a dor que poderemos inflingir em alguem que temos como inimigos.
Não buscamos todos nós o prazer da dor?
quando a vida se senta, precisa é de um abanão - ou um pontapé num certo sítio :) tem piada porque eu publiquei este poema no meu blog em Janeiro, creio... e não sei se entretanto dei ou levei mais abanões/pontapés... mas sei que sentada não estou!
beijinhos!
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