Tratamento Anti stress


Quando estiver aborrecido, chateado com a vida, com vontade de enfiar uma bala na cabeça ou atirar-se de um penhasco, ou apenas desiludido, limpe a casa.


1) Antes de iniciar o processo beba um copo de uma bebida forte, não o suficiente para o deixar tonto, mas o suficiente para o animar. Recomenda-se que coloque à disposição água para beber durante o processo. Eventualmente poderá substituir a água por outra bebida alcoólica, mas não é recomendável uma vez que isso poderá causar danos irreparáveis na mobília, louça e restantes objectos. O objectivo não é ficar bêbado, mas cansado para poder deixar de pensar na sua vida miserável, fazendo algo útil como limpar a casa.


2) Sintonize o rádio numa antena com muita música de dor de cotovelo, pirosa ou completamente lamechas, mas, e muito importante, que tenha algum ritmo, de preferência que você possa dançar enquanto limpa o pó, enquanto aspira o chão ou lava a louça sem causar estragos irreparáveis. Recomenda-se a Rádio Clube Português.

3) Tente cantar ou emitir grunhidos capazes de imitar os sons que está a ouvir. Se souber cantar tanto melhor, imagine que está num palco, a vassoura poderá ser bastante útil como microfone.

4) Mexa-se tresloucadamente como se os seus membros quisessem sair do seu corpo, mas cuidado procure não tocar em nenhum objecto.

5) Durante o processo certifique-se que não esta a ser observado por alguém, isso poderá ser
usado contra si ou poderá provocar traumas na pessoa que assistir à cena.

6) Jamais em tempo algum poderá desconcentra-se destes movimentos, da letra e do ritmo da música, por muito má que ela seja.

7) Não deverá falar com a vassoura nem com o pano do pó e a sua atenção só poderá ser desviada por uma qualquer sujidade que deva ser energicamente removida.

8) No final do processo, se cumpriu todos os passos com rigor, deverá sentir um cansaço físico mas também um enjoo musical. Não se preocupe é normal.

9) Deverá parar imediatamente antes de desmaiar, desligue o rádio e pare simultaneamente de esbracejar e saltar.

10) Recomendamos que se deite imediatamente sobre a cama ou no sofá. Concentre se pela ultima vez na musica e pense nela sem cantar. Nunca pense na sua pessoa. Leve o seu pensamento de si e da sua existência. Os seus pensamentos são só musica, o seu corpo é apenas pó e cansaço.

11) Adormeça tranquilamente.

12) No dia seguinte quando acordar vai-se sentir completamente na mesma em relação à vida, mas pelo menos teve mais um dia de vida!

Este tratamento tem melhores resultados quando é efectuado a partir das 22h, mas para tal deverá utilizar uns auscultadores caso viva num apartamento de modo a evitar queixas dos vizinhos ou eventuais férias no manicómio.
Este tratamento tem efeito garantido em totós que ficam em casa em vez de saírem para se divertir e conhecer gente nova. É aplicado como terapia de recurso a indivíduos que se olham ao espelho e vêm apenas as suas vidas miseráveis.

Recomendado pela Presidente da Associação de Vidas Anormais A Quem Tudo Acontece e Que Só Se Metem Em Confusão de Portugal e Arredores.

A decadência da sociedade

A noite mostra aquilo que as paredes escuras, os ruidos e a correria da cidade escondem.
Há coisas que me afectam profundamente, transportam tal energia negativa que me deixam doente.
Há pouco passei por um local na cidade, um local como todos os outros, mas onde o cheiro a podridão tresanda e penetra na nossa pele como cal.
Tem ali um bar onde não gosto de ir particularmente, não só pelo ambiente mas principalmente porque tenho de sentir aquele cheiro a decadência.
Nasci no seio de uma família que sempre me poupou a esses ambientes, a essas visões e educando-me religiosamente tentou proteger-me de tudo o que a sociedade tinha de negativo.
O meu Pai uma vez quase me batia quando lhe pedi para ir a uma discoteca, eu tinha 18 anos e ía com a minha irmã, mas diga-se em abono da verdade que na discoteca em questão só havia confusão todas as noites. Nunca o vi tão furioso.
Talvez por este excesso de protecção ou talvez porque eu seja apenas muito sensivelzinha, estas coisas me afectem tanto. Detesto ver pessoas que perdem a noção do tempo e do espaço e caiem bêbedas no chão, ou pessoas que se injectam mesmo á frente de quem passa para curar uma ressaca. Mas aquilo que mais me deixa doente é ver uma mulher vender o seu corpo, o corpo que lhe foi dado como bem mais precioso.
Uma vez, nessa mesma rua, entrei num café (tasca) com uns amigos que insistiram muito para beber qualquer coisa. Numa mesa do café estavam sentados 2 homens e uma prostituta. Um deles era mais velho o outro mais novo. Estavam todos bêbados e a prostituta estava agarrada ao velho. Do piso inferior vinha um barulho ensurdecedor e de vez em quando umas figuras sinistras subiam ao andar superior e voltavam a descer. Os meus amigos mantinham uma conversa amena e eu passei a entrar num transe deixando de responder ou falar a qualquer estímulo.
Na minha mente estava apenas aquela imagem de decadência. Minutos depois começa uma violenta discussão entre as 3 personagens da mesa e eu pareci acordar do transe, comecei a sentir-me mal ao ponto de achar que iria desmaiar ali mesmo. Virei-me para a minha amiga e pedi para irmos embora.
Nunca me senti assim. Não voltei mais aquele café.

Hoje, naquele que eu pensava ser um fim de noite calmo, assisti a algo mais assustador.
Passei na mesma rua e tive de estar em frente ao tal barque não gosto e que fica apenas a uns metros da tasca. Era meia-noite.
Uma criança estava sentada nas escadas com uma bola na mão.
À partida, e na minha forma de pensar de criança sem malícia,
achei que estaria ali com um adulto.
À medida que me aproximo reparo que o menino está sujo, sentado no chão sujo, com uma bola ainda mais suja na mão. Procuro não fitar os seus olhos, mas apenas sentir os seus movimentos.
A minha amiga sai do bar e ele dirigiu-se a ela perguntando se quer jogar á bola com ela. Nesse instante entendi que algo de errado estava a acontecer ali.
O meu coração parou numa fracção de segundos, como era possível que a minha cidade tivesse crianças que dormem na rua, crianças dispostas a vender-se por uns míseros dinheiros, crianças que a vida desde tão cedo obrigou a tornarem-se adultos, que perdem a dignidade, a vontade e que se regem apenas por uma lei de sobrevivência?
Por uns segundos procurei-lhe a alma e apesar da sua voz de menino, entendi que o brilho dos seus olhos de criança não estava lá...perdeu a sua meninice, a sua infância, a sua inocência nas ruas de uma cidade que o devia proteger.
A sociedade é selvagem com os seus indivíduos e naquele momento fugi de algo que não compreendia, fugi de uma dor que não percebia e por isso mesmo senti uma revolta pela minha impotência.
Não entendo como o homem pode ser assim para si mesmo! O que nos leva para as ruas da decadência? Que ser humano somos nós quando os animais conseguem ser mais sensíveis?

Ideias

Desde ontem que tenho na minha mente duas ideias:
- Cada um tem o que merece;
- Eu levo a vida demasiado a sério.

Embora estas ideias não tenham necessariamente alguma coisa a ver uma com a outra, na minha actual situação profissional andam muito bem associadas.
Primeira ideia: no fundo o meu boss vai acabar por se rodear por pessoas que não têm escrúpulos como ele e que acabarão por ajudar a destruir aquilo que ele julga ter construido. Quando eu me for embora ele acabará por ficar sozinho e isolado no meio de pessoas que não se importam com ele e que estão ali apenas para lucrar sem ter de aceder em troca, pessoas calculistas e implacáveis no que se refere a dar o troco. Aqui vem a segunda ideia. No fundo eu levo as coisas demasiado a sério, tenho as causas dos outros como minhas e tomo-as nos meus braços como se de filhos se tratassem. Tenho demasiados escrúpulos e sou demasiado séria para cometer ilicitudes nem que tenha apenas por objectivo a vingança, até porque depois da vingança fica apenas um sabor amargo que não dá qual tipo de bem estar.
Por vezes temos de repreender os filhos e temos até de deixá-los sozinhos para aprenderem a voar, mas as pessoas não compreendem quando lhes damos liberdade para escolher e para decidir e abusam de tudo isso.

Partir pode ser sempre uma escolha dificil, mas temos também nós de nos libertar de tudo aquilo que achamos que nos prejudica ainda que por momentos possamos sofrer com isso.

Partir neste caso significa compreender que há coisas boas e outras que devemos tomar como lições. A minha lição é que não devo mesmo levar a vida muito a sério, no final acabo por morrer.

Tenho que acrescentar algo a este post, porque as novidades neste trabalho são muitas e boas.
Portanto vejamos: eu trabalho aqui há 3 anos a fazer trabalho de 2 pessoas(desnecessário uma vez que se exsitisse um software de gestão integrado não teria que duplicar trabalho).
Agora que me vou embora vou ser finalmente substituida por 2 pessoas! isto é que é dar valor a esta humilde funcionária! O que eles pouparam em ordenados neste 3 anos!

Sinto-me uma pessoa importante! Eu sempre disse que valia por duas por ser GRANDE, mas agora tenho a confirmação que até no trabalho isso acontece!
Nada como um funcionário elefante. Biba os Elefantes!

A Árvore dos Desejos

Uma vez um homem estava viajando e, acidentalmente, entrou no paraíso.
E, no conceito indiano de paraíso existem árvores-dos-desejos.
Você simplesmente senta debaixo delas, deseja qualquer coisa e imediatamente
seu desejo é realizado.
Não há intervalo entre o desejo e sua realização.
O homem estava cansado, e pegou no sono sob a árvore-dos-desejos.
Quando despertou, estava com muita fome, então disse: "Estou com tanta fome, desejaria poder conseguir alguma comida de algum lugar".
E imediatamente apareceu comida vinda do nada, simplesmente uma deliciosa comida flutuando no ar.
Ele estava tão faminto que não prestou atenção de onde a comida viera quando se está com fome, não se é filósofo.
Começou a comer imediatamente, a comida era tão deliciosa...
Depois, a fome tendo desaparecido, olhou à sua volta. Agora estava satisfeito.
Outro pensamento surgiu em sua mente: "Se ao menos pudesse conseguir algo para beber..." E como não há proibições no paraíso, imediatamente apareceu um
excelente vinho.
Bebendo o vinho relaxadamente na brisa fresca do paraíso, sob a sombra da árvore, começou a pensar: "O que está acontecendo? O que está havendo?
Estou sonhando ou existem espíritos ao redor que estão fazendo truques comigo?".
E espíritos apareceram. E eram ferozes, horríveis, nauseantes.
Ele começou a tremer e um pensamento surgiu em sua mente:
"Agora vou ser assassinado, com certeza"...!!
E ELE FOI ASSASSINADO.
Esta é uma antiga parábola e de imenso significado.
Sua mente é a árvore-dos-desejos - o que você pensa, mais cedo ou mais tarde, se realiza.
Às vezes o intervalo é tão grande que você se esquece completamente que, de alguma maneira, "desejou" aquilo; então não faz a ligação com a fonte.
Mas se olhar profundamente, perceberá que todos os seus pensamentos, como medos/receios, estão criando você e sua vida.

Eles criam seu inferno ou criam seu paraíso. Criam seu tormento ou criam sua alegria.
Eles criam o negativo ou criam o positivo...
Todos aqui são mágicos. E todos estão fiando e tecendo um mundo mágico ao seu redor... e aí são apanhados.
A aranha é pega em sua própria teia. Ninguém o está torturando... a não ser você mesmo.
E uma vez que isso seja compreendido, mudanças começam a acontecer.
Então você pode dar a volta, pode mudar seu inferno e paraíso;
É simplesmente uma questão de pintá-lo a partir de um ângulo diferente...
A responsabilidade é toda sua. Seu "paraíso" depende de VOCÊ.
Autor Desconhecido

Enviaram-me esta mensagem hoje. Ao ler a mensagem de imediato consegui encontrar mais uma teoria para explicar, porque é que todos os meus receios, medos e pesadelos se tornam sempre realidade!
Costumo dizer que: a mim não há nada que não me aconteça; que o azar anda sempre a perseguir-me; e que as minhas piores previsões, tornam-se sempre piores na realidade.
Será que é só o meu pensamento negativista que torna a minha vida no inferno quando poderia ser o paraíso?

A simplicidade da vida

Acho que começo a descobrir que a felicidade que podemos ter em cada coisa se resume na simplicidade com que encaramos a vida.
Quanto mais complicamos as nossas relaçoes com os amigos, com a familia, com os colegas de trabalho ou com a pessoa que amamos, mais dificeis elas se tornam.
Será que é tão dificil estar com alguem porque simplemente gostamos da sua companhia? Será que é tão dificil dar uma abraço a um amigo quando ele precisa? Será que é assim tão complicado dar um gargalhada só porque temos medo que todos olhem para nós e achem que somos loucos?
Rir, chorar a rir, fazer caretas e dizer coisas disparatadas será tão dificil?
Simplifiquemos e façamos o que nos dita o coração, não o que nos dita o politicamente correcto.

Alone

From childhood's hour I have not been

As others were--I have not seen

As others saw--I could not bring

My passions from a common spring--

From the same source I have not taken

My sorrow--I could not awaken

My heart to joy at the same tone--

And all I lov'd--I lov'd alone--

Then--in my childhood--in the dawn

Of a most stormy life--was drawn

From ev'ry depth of good and ill

The mystery which binds me still--

From the torrent, or the fountain--

From the red cliff of the mountain--

From the sun that 'round me roll'd

In its autumn tint of gold--

From the lightning in the sky

As it pass'd me flying by--

From the thunder, and the storm--

And the cloud that took the form

(When the rest of Heaven was blue)

Of a demon in my view

Edgard Allan Poe

Gentes de Portugal!?

Não compreendo certas pessoas! Ás vezes penso que estamos rodeadas de imbecis, de incompetentes e mentecaptos.
Se escrevesse um livro seria certamente uma peça de teatro: tragédias e comédias da minha vida.
Não existe nada que não me aconteça a mim, nomeadamente aparecerem pela frente as personalidades mais incríveis dignas de uma peça de Camilo Castelo Branco.
Não entendo como posso encontrar tantas pessoas sem carácter e continuar a levar a minha vida na normalidade possível.
Ás vezes penso que devo ter uma voz monocórdica capaz de dar sono ás pessoas, capaz delas ouvirem apenas um ruído de fundo e ao fim ao cabo não ouviram nada do que disse.

Aquela teoria de que existem diferentes mundos paralelos faz todo o sentido. eu conheço pessoas que definitivamente vivem em mundos paralelos, mundos à parte da realidade, onde se regem por tempos e normas morais diferentes. O mais estranho é que essas pessoas que chamaríamos loucos e normalmente estariam internados num sanatório para doentes mentais, andam entre nós, e mais grave, pagam-nos o ordenado ao fim do mês! E pasmem-se: andam aos pares, têm a incrível capacidade de nos fazerem sentir insanas e uns grandes burros, aparentam uma inteligência acima da média e fazem-nos acreditar na história mais incrível sem pestanejar.
No final nem sabemos se não teremos errado na porta ou se de facto sofremos de qualquer tipo de doença que nos faça perder a memória e o discernimento entre o certo e o errado, o bem e o mal, justiça e injustiça.
A minha questão é: se somos governados por loucos onde estamos à espera de levar este país?
As pessoas dizem uma coisa fazem outra, fingem ouvir quando falamos para eles e depois perguntam 30 vezes o que dissemos, viram-nos as costas quando estamos a falar e esperam que os respeitemos quando falam para nós, prometem coisas e não cumprem, porque 5 segundos depois já nem se lembram do que disseram!?
Juro que não entendo como é que há pessoas que os levam a sério! Quem os conheça que os compre, porque eu pago para os ver longe. Gente deste tipo é o que mais anda por aí e não me venham dizer que é a crise que deixa as pessoas assim!
Portugal anda em crise desde que El rei D. Afonso Henriques decidiu mandar o rei De Castela, seu avô, ás favas, prendendo a mãe no castelo, declarando que este recanto seria um reino de mentecaptos.
Mais valia ele se entreter a matar uns árabes e umas lebres em vez de decidir arranjar um 31 com a mania de brincar aos reinos.
Confesso que nesta altura não me importava nada de hablar castelhano e não portunhol!

Que gente tem este Portugal!?
Viva El rei D. Juan Carlos! (Pelo menos para quem não sabe diz se que também é rei dos Algarves! Será que isto é indício de alguma coisa?!)

A uma amiga

Os amigos são de facto o melhor que podemos ter.
Esta é certamente uma expressão batida. Usamos tantas vezes esta expressão e não temos a noção do sentido das palavras.
Quando estamos na pior eles estão lá. E mesmo que possamos dizer que está tudo bem eles percebem na nossa voz ou no nosso olhar, que não.
Aparecem mesmo depois de nós lhe dizermos que não queremos ver gente, que preferimos isolar nos na nossa solidão ou na nossa tristeza. Fazem kms só para estar uns minutos connosco e ouvirem as mesmas lamentações 200 vezes. Aparecem com uma surpresa e fazem-nos chorar de alegria, mesmo que a nossa vontade antes fosse chorar de tristeza.
Libertam-nos a alma, porque nos fazem sentir amados quando achamos que somos sós, que não estamos a fazer nada neste mundo e que talvez o melhor seja mesmo partir.
Quantas vezes me passou um disparate pela cabeça, quantas vezes eu estive já tão próximo do limite ou mesmo com o limite nas mãos, pronta a fazer aquilo que melhor sei fazer, desistir.
Talvez ninguém saiba o que me vai na alma e talvez só um ou outro amigo entenda isso e entenda também quando dou um grito de ajuda ainda que em surdina.
Dou graças por ter amigos assim, amigos que ouvem a minha voz de ajuda ainda que estejam tão longe e, quando digo que não sei o que quero, eles aparecem e simplesmente dão um abraço que me faz sentir viva, quando o que eu queria mesmo era a sentir o gelo da morte.

Obrigada a esses amigos. Obrigada por me fazerem sorrir novamente ainda que seja por um instante.
Obrigada por me trazerem a vontade de viver ainda que seja apenas por mais uns dias.
Obrigada por me trazerem um pouco de primavera na minha vida onde apenas o inverno entra.
Obrigada por me fazerem sentir o amor quando o que tenho apenas no coração é tristeza.

Obrigada minha grande amiga por teres estado comigo ontem, pelas flores e pelo abraço, sorri com vontade, porque estiveste lá.

Um grande Xi-coração para ti Silvia.

Poetas

Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!

Florbela Espanca

Loucura

Sou do fado
Como sei
Vivo um poema cantado
De um fado que eu inventei
A falar
Não posso dar-me
Mas ponho a alma a cantar
E as almas sabem escutar-me
Chorai, chorai
Poetas do meu país
Troncos da mesma raíz
Da vida que nos juntou
E se vocês não estivessem a meu lado
Então não havia fado
Nem fadistas como eu sou
Nesta voz tão dolorida
É culpa de todos vós
Poetas da minha vida
A loucura, ouço dizer
Mas bendita esta loucura de cantar e sofrer
Chorai, chorai
Poetas do meu país
Troncos da mesma raíz
Da vida que nos juntou
E se vocês não estivessem a meu lado
Então não havia fado
Nem fadistas como eu sou
E se vocês não estivessem a meu lado
Então não havia fado
Nem fadistas como eu sou

Julio de Sousa

Ponto da situação

Eu de facto devo viver num mundo à parte.
Hoje descobri que nem os meus amigos mais próximos me conhecem...se considero que a vida é um palco onde todos vamos representando diferentes papeis, eu acho que eu devo ser uma actriz digna de um Oscar ou dois.

Dizem que os olhos são o espelho da alma e por isso é que nunca olho as pessoas nos olhos, porque não lhes quero ver a alma, tenho medo do que possa encontrar ou do que possam encontrar em mim.
Por norma nunca o faço, e quando isso acontece tendo a arrepiar-me.
Acho que se os meus amigos não me conhecem é porque nunca me olharam nos olhos.
Sou tão transparente que facilmente os meus olhos iriam dizer o que estou a pensar e a sentir naquela hora.
Devo ter sido muito boa a fugir a esses olhares ou então eles sempre quiseram dar-me essa privacidade, a privacidade de eu poder refugiar-me no meu mundo sem que ninguém me incomodasse procurando saber quem eu era de facto.

Será que andamos tão atarefados para querer saber quem nos rodeia verdadeiramente?
Nunca me importei que as pessoas não me conhecessem de verdade, talvez até me tenha iludido com a ideia de que de facto eles me conheciam.
Agora percebo que não, que eles não sabem quem sou e isso até me deixa aliviada, e explica até algumas atitudes da parte deles.
Será que se me conhecessem continuariam a ser meus amigos? Talvez, não sou nenhum monstro (apesar de ás vezes me considerar um) todos temos os nossos defeitos e nunca se sabe quando nos tornaremos psicopatas prontos a matar a alguém!

Mas não me preocupa ...acho que de facto nunca encontrei ninguém que quisesse saber quem sou...sou demasiado desinteressante para que alguém se interesse por mim.
Isto não significa que não tenha pessoas que gostem de mim..tenho muitos amigos que me ajudam, que tentam até ao limite da imaginação e da paciência, mas é como sempre digo, não podemos ajudar quem não quer ser ajudado.

Para esses que perdem tantas vezes a paciência comigo vai um grande Xi-coração de OBRIGADO por existirem, sem vocês seria mais tristeza.

O mar

Manhã.
Olho-o ali, deitado a meu lado, sereno, respirar forte.... sinto o seu cheiro.
A espuma desliza lentamente pela areia. Toca com amor as rochas percorrendo com paixão todos os seus recantos. Queria puder ser rocha para ele também me amar assim.
Fecho os olhos mais uma vez e sinto o seu toque. Toca-me com timidez procurando minha pele e sinto um arrepio de frio. Deitada sobre a areia macia fecho os olhos e oiço a sua canção de embalar, deixo-me adormecer ao seu lado.
Muitos são os seus amores, eu sou apenas uma passagem, um momento.
Regresso a ti e sinto toda a paixão de um amante que me faz perder na sensualidade dos sentidos...és um fascínio e uma perdição. Temo-te tanto, e amo-te tanto ...só consigo tocar te assim com essa timidez...
Regresso a mim, e volto à minha solidão...ao meu silêncio...mas parto feliz, porque hoje vi-te, ouvi-te, toquei-te, senti o teu cheiro e fui eu.

O fim do dia.

Fim do dia.
Termino a jornada que nem começou... tantas sensações num dia! Podiamos num dia resumir a vida: a esperança, a coragem, o medo, o amor, o ódio, a paz, a incerteza, tantas são as sensações que não as posso descrever. Mas o melhor é mesmo chegar ao final do dia e achar que tudo se cumpriu da melhor maneira...que fizemos a nossa missão.
Hoje chego ao final do dia e nada se cumpriu, todas as esperanças se esfumaram em pó.

Quero só ir para casa e deitar meu corpo adormecido sobre a cama e esquecer que existi hoje. Talvez amanhã o dia se pinte de outras cores e de outros sentimentos...e talvez por ser uma sexta feira o ânimo seja outro.
Aborreço-me ...queria um espelho para ver, porque o meu só reflete uma imagem turva de alguém que continuo sem reconhecer...

Descobrindo Brecht

Aos que vierem depois de nós
1
....
Também gostaria de ser sábio.
Nos livros antigos diz como é ser sábio:
É manter-se afastado das lutas do mundo e passar o breve tempo
Sem medo.

Também dispensar da violência,
Retribuir o mal com o bem,
Não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
Consta que é sábio.
Tudo disso não sou capaz.
Realmente, vivo em tempos sombrios.

2

Às cidades cheguei em tempos de desordem,
Quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos de revolta
E indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
Que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão entre às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me encarreguei sem cuidado
E a natureza vi sem paciência.
Assim passou o tempo
Que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o carrasco.
Era muito pouco o que eu podia.
Mas os governantes
Se sentavam, sem mim, mais seguros, — esperava eu.
Assim passou o tempo
Que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas.
E o objectivo
Encontrava-se muito distante.Via-se claramente,
Ainda que mal atingível, para mim.
Assim passou o tempo
Que me foi concedido na terra.

3

Vocês, que surgirão da maré
Em que perecemos,
Lembrar-se-ão também,
Quando falam das nossas fraquezas,
Dos tempos sombrios
De que puderam escapar.

Pois íamos, mudando mais frequentemente de país do que de sapatos,
Através das lutas de classes, desesperados,
Quando havia só injustiça e nenhuma revolta.

E, contudo, sabemos:
Também o ódio contra a baixeza
Distorce a cara.
Também a raiva sobre a injustiça
Torna a voz rouca. Ai nós,
Que quisemos preparar o terreno para a bondade
Não pudemos ser bons.

Vocês, porém, quando chegar o momento
Em que o homem seja do homem um amigo,
Lembram-se de nós
Com indulgência.

Bertold Brecht


Há dias assim...

Hoje tenho a leve sensação que perdi alguma coisa.
Um membro da família partiu para longe. Normalmente não choro nas partidas...Há muito que deixei de o fazer.
Habituamo-nos a partidas e chegadas e levamos tudo numa simplicidade, mas hoje...hoje fiquei assim...
Na hora não liguei, segui caminho sem pensar. Agora, depois das horas passarem, acercou-se de mim uma tristeza.
Nos momentos mais sensíveis ficamos assim...Acho normal até acontecer..talvez seja porque agora num momento onde deveria demonstrar força, que tudo me afecta.
Mal me contenho para não desabar á frente de alguém.
Os pensamento voam e as vontades se detêm perante o degrau da porta.

Há dias assim...dias em que pensamos ser apenas folhas no Outono, folhas que se deixam levar pela brisa do vento e beijar pelas primeiros pingos da chuva.

Eu sinto-me uma folha caída, tocada por uma velhice no olhar.

Coisas que gostamos e odiamos

Ontem fui sair com uns amigos.
Quatro pessoas, com pouco ou nada em comum, saem e têm conversas da treta...conversas que convergem apenas e só para um cansaço. Como é que pessoas que se conhecem há tantos anos não conseguem ter uma conversa interessante? Talvez falte um ou dois elos de ligação, um contexto ou então simplesmente mudamos tanto que não nos reconhecemos mais.
O meu poder de observação dita-me apenas uma justificação lógica: conheço-os a todos e sei que cada um deles, incluindo eu, estávamos a pensar em coisas tão diferentes naquele momento, que não conseguiríamos manter uma conversa lógica e de qualquer tipo de interesse...posso mesmo adivinhar, que o que fez com que estivéssemos ali naquele momento foram motivos tão egoístas que em vez de nos unir separaram. E não quero com isto ofender ninguém, porque estarei a falar de mim própria. Eu só estava ali para não estar em casa sozinha enfiada em frente da TV a ver algo pouco interessante ou então no computador a trabalhar...

Cada vez mais só consigo ter conversas interessantes com as pessoas mais improváveis, algumas delas nem as conheço.
Então e os amigos? Com eles falamos sobre o quê? Sobre nós? Sobre a vida? Sobre os problemas? À medida que nos vamos conhecendo, deixamos de falar sobre outros interesses. Conhecemo-nos e deixamos de querer saber o que cada um pensa de uma coisa e outra. Deixamos de assumir posições para não ferir susceptibilidades. Deixamos de contar coisas que nos acontecem, porque assumimos que ninguém irá compreender as nossas razões, tudo porque os conhecemos tão bem e sabemos o que vai na sua cabeça, que seleccionamos informação. Ás tantas afastamo-nos tanto que não nos reconhecemos mais naquele grupo, naquelas conversas ou naquela simples vontade de dançar.

Depois fomos dançar. Naquela hora percebi uma coisa: percebi o erro do costume.
Este é um erro que funciona como um simples mecanismo de defesa. Quando gostamos muito de uma coisa e iludimos a nossa mente com a ideia que dificilmente iremos ter essa coisa, criamos uma fantasia para a passarmos a odiar. Com as danças foi assim.
Sempre tive uma admiração pela dança. Desde pequena admirava o meu pai e a minha irmã, porque eles dançavam tão bem e eu queria ser como eles.
Formamos na nossa mente um estereótipo do qual não nos conseguimos livrar.

Sempre fui muito tímida e perfeccionista, logo se ninguém me chamava para dançar e se eu não sabia dançar assim, passei a não os acompanhar aos bailes e simplesmente coloquei na minha cabeça a ideia que não gostava de dançar.
No dia em que o rapaz de quem gostava quase me convidava para ir ao baile da aldeia com ele, tremeram-me as pernas e a resposta à pergunta que ele se limitou a fazer com o olhar foi: então não vais embora? (ou seja, vais ficar aí especado a olhar para mim enquanto todos esperam por ti, sem me convidares para dançar e eu cheia de vontade de ir contigo?) Foi uma cena inesquecível. Eu no alto dos meus 15/16 anos a fazer esta pergunta sem saber exactamente onde me esconder, e com um misto de sentimentos a florirem no meu coração, e aquele moço, mais timido que eu não teve coragem de fazer o obvio: convidar-me para dançar!? Que raiva! Raiva de mim e dele. Nunca mais o vi. Naquele momento prometemos um ao outro no nosso silêncio que a única forma era afastarmo-nos de modo a esquecer.
É assim que fazemos com aquilo que gostamos, mas sabemos ou julgamos saber, que não poderemos ter, afastamo-nos para não sofrer.
Habituei-me a viver a vida assim: fugir daquilo que não compreendo ou daquilo que me pode fazer sofrer. Ainda que eu saiba que do outro lado da montanha estará o paraíso, não irei subir a montanha, porque a floresta tem perigos que temo e que não quero enfrentar.
Com as danças as coisas foram assim. O meu sonho era saber dançar, era rodopiar levemente pelo salão como se estivesses nas nuvens. Numa altura em que me julgava determinada e em que não tinha mais nada para fazer, fui para as danças. Desde o primeiro instante que percebi que havia algumas danças que me faziam ter que enfrentar uns fantasmas, mas com alguma insistência fui continuando.
Depois de algum tempo de trabalho percebi que não conseguia apanhar a ideia. A minha mania de me comparar aos melhores não ajuda nada e comecei a desistir de tudo.
Quando olhava para o salão com aquela gente dançando, sentia uma admiração e uma tristeza profunda. Deixei de ir, e prometi a mim mesma que não voltaria a ir para não mais ter de chorar baixinho, para não mais chegar a casa com vontade de me destruir por ser tão burra e tão incapaz, tão fora daquilo que quero e que não sou. E isto representa não só as danças como também tudo o mais na minha vida.
Ontem senti uma tristeza que só o meu olhar conseguia descrever. Quase chorei, mas na minha masmorra mantive firmes as lágrimas e lidei friamente com a situação, tal como faço com tudo aquilo que amo e tenho que passar a odiar, mantive a distância e deixei a minha mente voar para um sitio que não consigo situar, para o limbo.

Hoje de manhã saí muito cedo

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro

Quanto mais cedo me levanto mais trabalhoso é o dia.
Trabalho...trabalho...trabalho...e eu!

Eu fico num canto qualquer a aguardar que chegue o meu número para ser atendida.
E quando chegar ao balcão haverá alguém que deixou passar o número e irá meter-se à minha frente para ser atendido.
No fundo a vida é uma sucessão de esperas. Esperamos pelos outros, por nós, pelo tempo, pelas estações, pelo momento...e quando chega o momento atrasamos mais um pouco e ficamos outra vez na espera...
Sinto-me num corredor como quem espera uma noticia de boas novas, mas que tardam em chegar, e a única coisa que se sucede é a ânsia, os nervos, a irritação, o desespero...por vezes intercalamos com uma esperança, um sinal, uma luz que nos anima, mas logo tudo se sucede...

A vida é uma loucura, é um ciclo vicioso de infortúnios onde a espera se deleita no seu prazer sádico...

O meu orgulho

Lembro-me o que fui dantes. Quem me dera
Não me lembrar! Em tardes dolorosas
Lembro-me que fui a Primavera
Que em muros velhos faz nascer as rosas!

As minhas mãos outrora carinhosas
Pairavam como pombas... Quem soubera
Porque tudo passou e foi quimera,
E porque os muros velhos não dão rosas!

O que eu mais amo é que mais me esquece...
E eu sonho: "Quem olvida não merece...
E já não fico tão abandonada!

Sinto que valho mais, mais pobrezinha:
Que também é orgulho ser sozinha,
E também é nobreza não ter nada!

Florbela Espanca

E ainda tu e sempre tu...
Digamos que existe uma perseguição por ti, tal como tu me persegues a mim.
Tutora na mágoa.

Perseguem-me os fantasmas de uma poesia que me viciou numa necessidade de sofrer, de ser sofrida, de não ser achada nem tida em coisa alguma.

E nada do que dizes me faz sentido, porque frio é o mar onde espelho minha alma e os sentidos perdi.
Se te digo que eu sou tu ou tu me dizes somos nós, eu afirmo com verdade que eu sou só, e não sou nada nem ninguém por entre versos em prosa que me vêm de uma vontade que não tem saber em fazer poesia das palavras que não sei.
Nada sou e serei alguém no dia em que o mar salgado, por lágrimas que não tenho, for doce por finalmente ser aquilo que sonhar.

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Nada como a nossa casa para nos sentirmos bem.
Sempre que regresso a casa sinto um bem estar...é como regressar ao berço. Assim que começo a conduzir pelas curvas sinuosas da serra sinto uma libertaçao...apetece-me olhar a paisagem e descobrir uma flor, uma arvore ou um rochedo no qual não tinha reparado.
A serra tem sempre algo de novo para me mostrar. Talvez seja por regressar com menos frequencia, mas tudo parece ser uma novidade para mim. As cores, os cheiros, os sons...tudo parece diferente.
Nunca me canso de olhar o horizonte, olhar a paisagem que nos eleva ao céu e nos faz sentir pequenos Deuses no Olimpo!