"Aqui, deposta enfim a minha imagem,/ Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,/ No interior das coisas canto nua./ Aqui livre sou eu - eco da lua/ E dos jardins, os gestos recebidos/ E o tumulto dos gestos pressentidos,/ Aqui sou eu em tudo quanto amei." Sophia de Mello Breyner
Adeus
Neste momento o meu coraçao sente apenas uma leve dor, uma dor tão fina que me prende o braço ligeiramente.
Hoje andei uns quilometros. Busquei o silencio e encontrei as lágrimas a dor e procurei ser coerente com os meu sentimentos.
Tomei decisões que mudaram o resto dos meus dias.
Escolhi partir. Aqui deixo as minhas últimas palavras.
Se Deus nos deu o poder de escolher o que fazer com a vida, eu escolhi abondoná-la num qualquer canto, não num canto qualquer, mas num qualquer canto da terra onde escolhi passar os meus últimos dias.
Queria ficar na serra mais linda e aí terminar, mas não quero manchar aquela terra linda que de tão bela me fez emocionar e chorar. Apenas meu corpo inerte e frio ira terminar os seus dias ali. A minha alma vagueará pelo mundo até encontrar uma nova reencarnação.
Deixo as minhas últimas palavras para os amigos.
Tantos momentos bons, tantas pessoas boas encontrei e a todos agradeço.
Não tenho palavras que possa dizer...apenas consigo pedir desculpas por vos abandonar tão cedo, mas tenho que tomar mais uma das minhas decisões disparatadas. Não acerto em nada do que faço só nos amigos que escolhi. Mais uma asneira, mais uma desistência, mas principalmente a última asneira, a última desistência....
Vou despedir-me da minha serra, da minha querida mãe...ainda ouvi a sua voz á pouco e quase não aguentei.
Procuro o silêncio, as conversas banais e dou ouvidos moucos aos conselhos.
A minha lingua não consegue dizer palavras que me vêm do coraçao. da vontade ou da alma, apenas consegue dizer coisas que não compreendo.
Nada de lógicas...estou aprisonada por uma amarra que não sei de onde vêm.
Há horas que não consigo conter as lágrimas...
Sempre que penso em vocês ou na familia, em na minha serra linda, só me aptece chorar, não consigo conter esta tristeza, mas não consigo conter a tristeza maior de não acertar em nada do que faça, em nenhuma das minhas decisões e de tudo o que faço ser errado.
Tudo me enerva. E o que mais me enerva sou eu mesmo.
Um dia iremos voltar-nos a encontrar, mas agora acho que não faz mais sentido esta minha caminhada.
Decidi que o melhor para todos é mesmo partir.
Desculpem qualquer mal estar que tenha causado, não foi minha intensão. Nos últimos tempos distânciei-me porque não quero transmitir esta minha energia negativa, este mau estar que dou a toda a gente.
Quero que saibam que gosto muito de vocês e irei pensar sempre em vocês onde quer que esteja.
Que Deus me perdoe mas decidi partir.
Adeus meus amigos. Rezem por mim bem que vou precisar para a minha próxima vida.
Um abraço forte a todos.
À toa na vida
A vida deve ensinar-nos com a experiência a não cometer sempre os mesmos erros, e aqui volto sempre á mesma questão de cometermos os mesmos erros constantemente.
Por exemplo damos demasiadas oportunidades a pessoas que amamos e sabemos que não iram mudar a certos actos que os ferem. No entanto pela milésima vez aceitamos um perdão e recomeçamos.
Todos nós fazemos isso, quando ao fim de algum tempo deveríamos perceber quu isso só nos trás infelicidade e só nos faz perder tempo, novos oportunidades e paciência.
Com nós próprios fazemos o mesmo, damo-nos sempre mais uma oportunidade para não fazer asneira: desta é que vai ser, e voltamos atentar mais uma vez.
Eu por norma dou sempre mais oportunidades ás pessoas do que devia, e a mim então dou inúmeras oportunidades tentando de facto provar que consigo melhor, mas por norma escolho sempre o pior caminho. Para quem poderia acreditar que pode ser apenas só o mais logo, não é, é apenas um beco sem saída.
No outro dia falava com uma amiga que me dizia que se voltou a encontrar, que agora já ia ao espelho e gostava do que via.
Hoje eu posso dizer que não me reconheço nem no espelho nem em nenhuma das minhas atitudes.
Estou á toa na vida.
Não sei que rume seguir, nem s seguir ou se simplesmente desistir. Queria fazer o mais fácil e quando penso nisso apenas consigo deixar que as lágrimas falem por mim.
Não tenho objectivos, nem sonhos, nem vontade para nada, apenas quero que o sofrimento termine rapidamente.
Desde à muitos anos que se foi esvanecendo a vontade de viver. Esta é uma luta que parece ter deixado de fazer sentido e de valer a pena. Cheguei a um ponto que achei que o devia fazer pelos que necessitavam de mim. Hoje acho que não há insubstituíveis, que todos podemos ter um acidente e ir desta para melhor.
Talvez um destes dias aconteça um acidente e a tortura da vida se acabe.
Take the Lead
O primeiro filme que me entusiasmou a tal ponto foi o Save the last dance. Lembro perfeitamente que as pessoas ficaram sentadas no cinema mesmo depois do filme acabar. No final tinhamos vontade de simplesmente começar a dançar.
Hoje tive vontade de fazer o mesmo, e os espectadores sairam com a mesma reacção.
Mas o mais importante a reter destes dois filmes é a ideia de que se gostas de dançar então sabes dançar. No fundo é o querer é poder. Quando queremos algo com muita força e se lutarmos por esse objectivo entao vamos conseguir obter isso memso.
Eu podia simplesmente dizer que isso é uma treta. Conheço pessoas que lutaram uma vida inteira e chegaram ao final sem ter atingido os seus sonhos.
Se faço uma retrospectiva do meu pequeno percurso posso ver que talvez as minhas lutas não tenham sido com garra suficente.
Cheguei a uma altura em que simplesmente não tinha sonhos, objectivos e as coisas corriam ao sabor de uma vontade que não a minha.
Aqueles miudos não tinham expectivas, ou melhor, eles tinham sonhos, mas não partilhavam e não podiam esperar nada mais do que aquilo que o seu mundo oferecia.
As condicionantes para estes miudos serem o que sonhavam ser eram más, mas o querer, a vontade, a confiança que eles tiveram em si, fez com que eles acreditassem que poderiam mudar e lutassem por isso.
Acho que me falta a confiança, o acreditar em mim. Quando tenho todas as condicionantes para mudar para ser realmente o que quero, faltava me a confiança de que eu serei capaz, e simplesmente me deixo guiar pela mao dos outros. Neste momento apenas posso comparar isto a uma imagem de uma criança que se deixa guiar pela mão de um adulto, enquanto fixa a sua atenção em outro local levantando a sua mão de menina e acenando diz adeus.
A minha atençao está focada em outra coisa qualquer, uma visão cujas imagens não distingo, apenas sei que não é na direcção para a qual me deixei guiar.
Hoje andei o dia todo vageando pela cidade sem rumo. Por isso decidi ir ver o filme talvez me ajudasse.
Quando cheguei finalmente ao ponto de ter mesmo de tentar voltar para casa, até porque o gasoleo estava a terminar, percebi que apenas me resta a solidão. Os meus amigos estão ocupados, têm os seus afazeres, a sua vida e eu não posso exigir a sua presença. Liguei a alguns para ver se ao menos falava com gente. mas apenas constatei o obvio.
No final resto apenas eu e vejo um futuro muito sombrio onde isto apenas tende a piorar.
Tenho que aprender a ser feliz com a minha solidão sem ser um fardo e um peso par aos que me rodeiam. Esta é a minha de terminação: eu serei de facto capaz de ser feliz na minha solidão.
Vageando
Corre o tempo de vagar.
Um dia como outro qualquer, mas que me confunde os sentidos. Procuro lugares incertos ou certamente procuro o que me dá vontade de vaguear.
Entro no carro e sinto prazer na liberdade de vaguear pelo mundo. Lentamente, saboreando e sentindo cada rotação do motor vou deslizando pelas ruas da cidade.
Pessoas passam, os carros passam, eu passo pelo tempo e procuro com a lentidão prolongar o momento até ao infinito.
Saio da cidade deixo-me ir até aos montes, sentir cheiros, sons, texturas e cores diferentes.
Sobre uma pedra esculpida sento o meu corpo cansado.
Deixo de pensar, de sentir de querer e espero apenas. Deixo a espera tomar conta da minha vontade e não sei exactamente o que faço ali.
Vejo ao fundo a cidade, mas não foco a minha atenção nela, nem em nada do que me rodeia, os meus pensamentos voam sem se fixarem em nada.
A espera, a espera que algo aconteça prolonga-se e oiço apenas o relógio dar as horas. Tento prolongar a espera, mas a racionalidade sobrepõe-se a uma vontade irracional de esperar algo que não entendo.
Lentamente encaminho-me para casa e procuro um refúgio na normalidade da vida.
As cores do entardecer
Amarelos, rosas, azuis, laranjas e violetas. Por entre as nuvens e os montes pintam-se no ceu cores lindas como que saidas de um quadro de Dali.
Os dias acabam-se e as horas escorregam pelos dedos da mão como a areia do mar.
Os trovões dos últimos dias fizeram despertar em mim medos.
Certezas ou incertezas, vontade ou apenas obrigação? Quando nos habituamos a pedestais não queremos sair deles, e quando tivermos de o fazer terá de ser para outro mais alto, pelo menos é assim que pensamos. Agora que desci de um pedestal onde estava confortavelmente sentada, arrependo-me do dia em que tomei uma inivitável decisão de me atirar de lá.
Iludi-me com a ideia de que dali so poderia ir para algo melhor. Se arrependimento matasse eu teria morrido no dia em que aceitei o meu mais novo trabalho. Eis o algo melhor. Sinto me apenas uma simples funcionária fabril e percebo que quando digo que estaria disposta a fazer qualquer coisa é pura ilusão. Quando tomamos decisões dificeis e batemos com a cabeça é apenas um sintoma de crescimento, de maturidade, mas por vezes é tão dificil.
Vou entardecendo na vida, ou apenas amadurecendo para a vida como o dia.
Socorro: procura-se ajuda psiclógica!
Como todos sabem eu adoro meter-me em confusão.
Agora arranjei um novo 31.
Imagine-se isto: desempregada tem proposta de emprego.
Ganha consideravelmente menos, tem mais trabalho ou não, as pessoas têm mais expectativas sobre ela mas nem por isso conseguem reconhecer monetariamente isso.
Ora que burra é que aceita um trabalho destes?
Eu definitivamente não aprendo com os erros! Ontem falava com a minha mana e dizia-lhe, que estou de tal forma que se me dissessem vá varrer acho eu ainda assim achava que não saberia fazer isso.
Eu honestamente sou parva, sou uma besta ou sou burra!
Não consigo perceber como posso voltar ao mesmo duas vezes seguidas sem daí tirar conclusões sobre a vida!
A minha mania de querer ter um raio de uma coisa onde me agarrar para manter o meu barco seguro com medo de soltar as amarras e de o deixar navegar pelo mar à aventura.
A mania de achar que irei naufragar na próxima onda!
O que posso eu ter andado a fazer durante 5 anos numa universidade se agora nada do que faço é o que queria fazer?
Que m...de vida. Esta minha cabeça de teimosa não muda nem um pouquinho!
Acho que preciso de ajuda psicológica!
Socorro! Tirem-me deste filme, desta vida parva, destes medos estúpidos, desta minha falta de confiança! Alguém me amarre e me prenda por favor num manicómio para evitar que eu ande a atirar-me constantemente contra as paredes!
Trlhos e atalhos
Verão! Novas cores na serra.
Depois da primavera com as suas cores variadas, vem o verão com o verde, os frutos, e depois os amarelos.
Mais uma face que a serra me mostra. É uma beleza que nunca farta, que se torna viciante e que não envelhece. Está lá e permanece lá renovando-se em todas as estações.
Mais uma vez desci e subi o monte e calmamente como que saboreando a paisagem, vivi o momento.
Confesso que não queria ir. As saudades aumentam cada vez que lá volto. É como chegar a um outro planeta onde tudo é diferente. Sentir-me em casa onde conheço os cheiros, os sons, onde poderia andar de olhos fechados e saber exactamente onde estou. Olhar os olhos das pessoas e saber o que pensam, e saber o que farão. Ver a vida andar tão devagar e ao mesmo tempo nunca ter tempo para tudo e saber que temos tempo para o que importa. Chegarmos ao final do dia e saber que o cansaço é bom, que não pensamos na confusão da vida, que podemos simplificar, levar uma vida calma fora da correria da cidade.
Talvez por estar desempregada, ou de férias permanentes como gosto de dizer, seja tão difícil. Precisava de descansar, mas não quero agarrar-me ao sítio que me deixa sentir segura, mas não livre. Não posso agarrar-me a coisas que temo perder novamente. É a mania de não querer sofrer por achar que vou perder algo que gosto.
Quando voltamos à família, perdemos novamente a independência que conquistamos e ali sinto também isso, perder o que demorei tanto tempo a conseguir e a que custo.
Olho para trás e não me arrependo de ter apostado nessa independência.
Mas agora sinto-me novamente no fundo. Apesar de tentar de todas as formas sair do buraco, continuo com os mesmos mecanismos de defesa as mesmas desculpas do costume para evitar tomar decisões. Passaram 3 anos desde a última vez em que isto me aconteceu e nem assim aprendi com os meus erros.
Tento enganar o tempo com invenções de o que fazer, invento desculpas para estar ocupada quando o que deveria fazer mesmo era arranjar emprego, arranjar o que fazer.
Sair, estar com amigos, rir sem ter porquê, animar os outros quando eu estou mesmo na pior. Acho que no fundo estou mesmo a tentar animar-me, tentar esquecer a vida onde normalmente só arranjo confusão.
Que volta a vida dá, que decisões são estas que tomamos? Serão os caminhos mais correctos, serão os possíveis ou será apenas uma brisa que nos move?
Caminhamos nós por trilhos, por atalhos que pensamos levar-nos mais rápido para a felicidade ou somos vagabundos na cidade à procura de uma abrigo para passar mais um dia?