Não há muitos filmes que me façam levantar da cadeira e ter vontade de dar dois passinhos de dança ali mesmo no meio do cinema.
O primeiro filme que me entusiasmou a tal ponto foi o Save the last dance. Lembro perfeitamente que as pessoas ficaram sentadas no cinema mesmo depois do filme acabar. No final tinhamos vontade de simplesmente começar a dançar.
Hoje tive vontade de fazer o mesmo, e os espectadores sairam com a mesma reacção.
Mas o mais importante a reter destes dois filmes é a ideia de que se gostas de dançar então sabes dançar. No fundo é o querer é poder. Quando queremos algo com muita força e se lutarmos por esse objectivo entao vamos conseguir obter isso memso.
Eu podia simplesmente dizer que isso é uma treta. Conheço pessoas que lutaram uma vida inteira e chegaram ao final sem ter atingido os seus sonhos.
Se faço uma retrospectiva do meu pequeno percurso posso ver que talvez as minhas lutas não tenham sido com garra suficente.
Cheguei a uma altura em que simplesmente não tinha sonhos, objectivos e as coisas corriam ao sabor de uma vontade que não a minha.
Aqueles miudos não tinham expectivas, ou melhor, eles tinham sonhos, mas não partilhavam e não podiam esperar nada mais do que aquilo que o seu mundo oferecia.
As condicionantes para estes miudos serem o que sonhavam ser eram más, mas o querer, a vontade, a confiança que eles tiveram em si, fez com que eles acreditassem que poderiam mudar e lutassem por isso.
Acho que me falta a confiança, o acreditar em mim. Quando tenho todas as condicionantes para mudar para ser realmente o que quero, faltava me a confiança de que eu serei capaz, e simplesmente me deixo guiar pela mao dos outros. Neste momento apenas posso comparar isto a uma imagem de uma criança que se deixa guiar pela mão de um adulto, enquanto fixa a sua atenção em outro local levantando a sua mão de menina e acenando diz adeus.
A minha atençao está focada em outra coisa qualquer, uma visão cujas imagens não distingo, apenas sei que não é na direcção para a qual me deixei guiar.
Hoje andei o dia todo vageando pela cidade sem rumo. Por isso decidi ir ver o filme talvez me ajudasse.
Quando cheguei finalmente ao ponto de ter mesmo de tentar voltar para casa, até porque o gasoleo estava a terminar, percebi que apenas me resta a solidão. Os meus amigos estão ocupados, têm os seus afazeres, a sua vida e eu não posso exigir a sua presença. Liguei a alguns para ver se ao menos falava com gente. mas apenas constatei o obvio.
No final resto apenas eu e vejo um futuro muito sombrio onde isto apenas tende a piorar.
Tenho que aprender a ser feliz com a minha solidão sem ser um fardo e um peso par aos que me rodeiam. Esta é a minha de terminação: eu serei de facto capaz de ser feliz na minha solidão.
4 comentários:
"Querer é poder"?!?!?!?!?!?!?
Acho que depende do que queremos.
Às vezes queremos tanto a perfeição,
queremos tanto chegar à meta,
que não gozamos o caminho.
É como subir uma montanha,
Claro que é bom quando chegamos ao topo. Claro que sabe bem.
Mas, a escalada até ao topo?? Não será igualmente saborosa?????
Sílvia
"Os meus amigos estão sempre ocupados."
"Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto"
Os meus amigos não tão ocupados, eu é que acho que sou sempre um peso para eles.
Só posso dizer que
1º sinto saudades do teu peso ;)
2º o teu peso faz-me bem :)
Beijinhos,
Sílvia
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