Verão! Novas cores na serra.
Depois da primavera com as suas cores variadas, vem o verão com o verde, os frutos, e depois os amarelos.
Mais uma face que a serra me mostra. É uma beleza que nunca farta, que se torna viciante e que não envelhece. Está lá e permanece lá renovando-se em todas as estações.
Mais uma vez desci e subi o monte e calmamente como que saboreando a paisagem, vivi o momento.
Confesso que não queria ir. As saudades aumentam cada vez que lá volto. É como chegar a um outro planeta onde tudo é diferente. Sentir-me em casa onde conheço os cheiros, os sons, onde poderia andar de olhos fechados e saber exactamente onde estou. Olhar os olhos das pessoas e saber o que pensam, e saber o que farão. Ver a vida andar tão devagar e ao mesmo tempo nunca ter tempo para tudo e saber que temos tempo para o que importa. Chegarmos ao final do dia e saber que o cansaço é bom, que não pensamos na confusão da vida, que podemos simplificar, levar uma vida calma fora da correria da cidade.
Talvez por estar desempregada, ou de férias permanentes como gosto de dizer, seja tão difícil. Precisava de descansar, mas não quero agarrar-me ao sítio que me deixa sentir segura, mas não livre. Não posso agarrar-me a coisas que temo perder novamente. É a mania de não querer sofrer por achar que vou perder algo que gosto.
Quando voltamos à família, perdemos novamente a independência que conquistamos e ali sinto também isso, perder o que demorei tanto tempo a conseguir e a que custo.
Olho para trás e não me arrependo de ter apostado nessa independência.
Mas agora sinto-me novamente no fundo. Apesar de tentar de todas as formas sair do buraco, continuo com os mesmos mecanismos de defesa as mesmas desculpas do costume para evitar tomar decisões. Passaram 3 anos desde a última vez em que isto me aconteceu e nem assim aprendi com os meus erros.
Tento enganar o tempo com invenções de o que fazer, invento desculpas para estar ocupada quando o que deveria fazer mesmo era arranjar emprego, arranjar o que fazer.
Sair, estar com amigos, rir sem ter porquê, animar os outros quando eu estou mesmo na pior. Acho que no fundo estou mesmo a tentar animar-me, tentar esquecer a vida onde normalmente só arranjo confusão.
Que volta a vida dá, que decisões são estas que tomamos? Serão os caminhos mais correctos, serão os possíveis ou será apenas uma brisa que nos move?
Caminhamos nós por trilhos, por atalhos que pensamos levar-nos mais rápido para a felicidade ou somos vagabundos na cidade à procura de uma abrigo para passar mais um dia?
4 comentários:
"Não se deve ter medo
de dar um grande passo
quando for altura disso.
Não se pode atravessar um abismo
aos saltinhos" (David Lloy George)
Sílvia
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