Corre o tempo de vagar.
Um dia como outro qualquer, mas que me confunde os sentidos. Procuro lugares incertos ou certamente procuro o que me dá vontade de vaguear.
Entro no carro e sinto prazer na liberdade de vaguear pelo mundo. Lentamente, saboreando e sentindo cada rotação do motor vou deslizando pelas ruas da cidade.
Pessoas passam, os carros passam, eu passo pelo tempo e procuro com a lentidão prolongar o momento até ao infinito.
Saio da cidade deixo-me ir até aos montes, sentir cheiros, sons, texturas e cores diferentes.
Sobre uma pedra esculpida sento o meu corpo cansado.
Deixo de pensar, de sentir de querer e espero apenas. Deixo a espera tomar conta da minha vontade e não sei exactamente o que faço ali.
Vejo ao fundo a cidade, mas não foco a minha atenção nela, nem em nada do que me rodeia, os meus pensamentos voam sem se fixarem em nada.
A espera, a espera que algo aconteça prolonga-se e oiço apenas o relógio dar as horas. Tento prolongar a espera, mas a racionalidade sobrepõe-se a uma vontade irracional de esperar algo que não entendo.
Lentamente encaminho-me para casa e procuro um refúgio na normalidade da vida.
"Aqui, deposta enfim a minha imagem,/ Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,/ No interior das coisas canto nua./ Aqui livre sou eu - eco da lua/ E dos jardins, os gestos recebidos/ E o tumulto dos gestos pressentidos,/ Aqui sou eu em tudo quanto amei." Sophia de Mello Breyner
Vageando
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário