Refugiei-me no silêncio e afastei-me de todos aqueles que sempre criticaram as minhas opções, mas também daqueles que se preocuparam comigo. Refugiei-me na dor e daqui não quero sair. Por vezes no meio da escuridão existem espectros como o amor da família, que me dão um ânimo para continuar. Mas mesmo depois do fôlego de amor que eles me dão, a dor continua...Há muito que começou a ser dor física. Já não é apenas a tristeza da alma, o corpo também dói. Os pesadelos, as perseguições que temo, são apenas as premonições das dores que todos os dias me surgem.
Nada do que faça tem desfecho feliz, nada daquilo que escolha para mim é boa opção. Todas as decisões, ponderadas ou impulsivas são erradas, levam apenas a uma dor, a uma tristeza.
Parece uma maldição...fui amaldiçoada no dia em que nasci. Uma daquelas maldições de contos de fadas que me persegue e cujo feitiço não tem forma de retroceder...A minha sombra transporta o mal e só em noites sem luar posso descansar. No escuro, onde a sombra não vem, posso descansar a maldição...
Os olhos transformaram-se em fontes de onde não param as lágrimas...agora em lugar algum elas param...no trabalho, no carro, em casa, na rua, na igreja, em todo o lado...saltam assim sem serem convidadas...Nem o verão consegue secar esta fonte. Sinto o sal nos meus lábios como um alimento, o único alimento que consigo digerir.
Definho lentamente, e tudo me afecta, e a tudo fico sensível. Perseguem-me doenças, perseguem-me negras escolhas.
Quando alguém me dizia que tinha de lutar pelos meus sonhos eu ainda acreditava, mas agora eu digo: Oh insensatos senhores! Que me adianta lutar contra um tormento que não posso vencer, um tormento onde não há lugar a sonhos, ha apenas dor e nada...o vazio a tempestade, a neblina.
Atirar-me deste penhasco onde estou...deixar-me cair, simplesmente deixar-me cair...voar para o fim de uma vez, o fim da tormenta. Se é para viver no vazio, como me dizia um amigo, então mais vale morrer, morrer de uma vez. Vem coragem! vem coragem para encontrar a morte, para a procurar com todas as minhas forças e a abraçar sem demora. Vem! Não encontro mais razões para viver, não encontro mais nada que me leva a viver.
Tudo o que desejo se transforma em pó sempre que lhe toco. A maldição persegue-me! tudo se transforma em vazio, em nada!
E quem me pode salvar? Oh Deus te suplico envia-me a Morte, essa senhora negra que o destino teima em afastar de mim.
Oh! Senhora minha Morte, vem e leva este corpo , porque a alma essa já partiu.
Rogo-te Senhor, salva-me desta aflição que sou eu, porque eu não mais me posso salvar.
meu corpo desfaz-se em pedaços...e a dor é já uma droga que se tornou em prazer.
Queria amanhã não acordar. Te peço Senhor leva-me para ti Senhor. Leva-me!