mais um....

A musica entra na minha cabeça como um ritmo de vida...lentamente o Adagio vai tomando conta dos meus pensamentos e a guitarra num lamento, no meu lamento, ergue o seu gemido, o meu gemido, à sua condição de dor, apenas dor cantada.
Enquanto vou ritmando o meu pensamento, surgem as imagens das pessoas com quem cruzo meus caminhos...Como odeio sextas e sábados á noite...odeio os sorrisos das pessoas, a alegria no seu rosto, odeio todos, odeio a humanidade inteira e com ela odeio me mais ainda. Odeio a aberração que sou e a hora...num lamento...num gemido de guitarra, odeio a hora em nasci como um nado morto para isto que nem vida é...é apenas dor.
Refúgios são para mim caminhos onde anónima possa odiar...Rodo meia cidade e percorro caminhos iguais aos outros que levam apenas a lado nenhum.

Enfio-me apenas num ritmo alucinante onde me possa sentir segura, e dai talvez não...talvez não me sinta segura em lado nenhum. Quando perdemos o controlo da situação somos apenas mais um comum mortal...O poder sobre os nossos actos e sobre os outros dá nos um gosto de vitoria. A vitória dos tristes, dos solitários, é assim, daqueles que nunca tiveram nada que não apenas a si próprios. As vitórias são passados distantes que foram sonhos...hoje tenho apenas o amargo das derrotas. Cada dia é mais uma derrota, uma batalha perdida...
Mais um anoitecer no silêncio escuro...

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