Sonhos traidos e desvanecidos por insensatas escolhas...
Caminhos nobres sujos na lama da fraqueza...vergonhas escondidas num rosto frio e pobre de beleza...Alguem sussurrando: Nada lhe deve! Pois que devo eu a ela? Mais me deve ela a mim a desgraça em que encerrei minha alma.
Minha mente vagueia por um limbo...o vazio... e encontra o silêncio.
Na solidão estende sua parca inteligência e aí permanece...Se alguma capacidade de raciocionio tinha, não mais tem. Encerrou-se a sua destreza, a sua vontade de evoluir e de marchar pela via do conhecimento, do sucesso ou equiparar-se ao comum mortal e não a um imbecil sem noção de tempo e espaço.
Quando lhe falam, procura disfarçar o embaraço de não conseguir responder ou sequer entender o que lhe dizem. Junta-se a imbecis que não conseguem manter uma conversa interessante por mais de 10 segundos e aí reina.
Disfarça bem. Porém a sua capacidade de continuar nesta farsa deixa a desejar...já teve melhores dias.
Sorrisos baços e forçados, respostas curtas e convencionais, convencionadas pelo social. Diz o que se quer ouvir dizer, nada sente...apenas o vazio.
Se preparo minha alma para uma partida, julgo-me pronta para seguir. Não mais encontro motivos para ficar, apenas desculpas para adiar a coragem de simplesmente me deixar ir e apenas a certeza de que nada mais posso esperar, nada mais me é dado, nem achado, nem conseguido, nem querido, nem amado, nem sentido, apenas o limbo onde possa nada sentir, pensar, querer, amar, desejar ou conseguir. Aí encerrei para sempre a alma.
O corpo esse, permanece numa vontade social onde os meus passos se deixam guiar por hábitos e vontades que não as minhas.
Se sofro? Não. Não pode sofrer quem já não vive e sente...Encerrei-me para sempre num tumulo cravado por minhas próprias mãos e de lá não sairei para uma próxima vida, mas apenas para um vazio, o vazio onde vagueio agora. Estes são os mortos vivos. Aqueles que estando vivos deixaram morrer, os sonhos, a mente, o querer...a alma perdeu o brilho, a vida, simplesmente adormeceu ... Morrer é isso mesmo deixar morrer alma e não uma matéria chamada corpo.
Eu deixei morrer a alma, porque não tive coragem de matar o corpo. Morresse antes o corpo e não a alma. Doesse antes o sangue frio escorrendo pela testa e não o silêncio da alma, fria, inerte que jaz enfim num canto qualquer sem honras nem cuidados...Esta dor é muito maior, é muito mais penosa porque não se sente apenas vai corroendo-nos com um qualquer acido e transformando-nos num pó...num nada.
"Aqui, deposta enfim a minha imagem,/ Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,/ No interior das coisas canto nua./ Aqui livre sou eu - eco da lua/ E dos jardins, os gestos recebidos/ E o tumulto dos gestos pressentidos,/ Aqui sou eu em tudo quanto amei." Sophia de Mello Breyner
No vazio
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