Adormecer

Estende-se pela cordilheira central e aninha-se num planalto beirão onde não vemos fim e onde eu não vejo o fim. O meu pensamento voa nas asas da águia que plana à minha frente, em busca de caça, buscando alimento para a sua cura. A cura do corpo na mente.
Resignei-me na minha busca e vagueio agora voando com a neblina pelos montes, descendo vales, galgando montanhas, trepando pinheiros, subindo penhascos e precipitando-me no abismo das alturas.
Sinto o pulsar da vida, em cada respirar sinto o ar fresco, um ânimo, um desânimo agora que olho a minha pele branca e velha, as coxas largas e desnudas...não posso voar, apenas pensamento pode voar por um mundo estranho.
Deslizo pela rochas e sento-me no tapete da sala debruçada sobre mim, vejo ao longe as casas graníticas inseridas na paisagem como se dela fossem naturais e os telhados cobertos de musgos, cobrem agora a minha pele nua e branca. Sobre a almofada de fetos deito a minha cabeça e sinto o cheiro da terra. Adormeço numa penumbra de sombras, de pessoas, de vontades e desejos...desejo dormir no eterno.

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