Lembras-me uma marcha de Lisboa
Num desfile singular,
Quem disse
Que há horas e momentos p'ra se amar
Lembras-me uma enchente de maré
Com uma calma matinal
Quem foi
quem disse
Que o mar dos olhos também sabe a sal
As memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever, devagar
Queria viver tudo numa noite
sem perder a procurar
O tempo, ou o espaço
Que é indiferente p'ra poder sonhar
Quem foi que provocou vontades
e atiçou as tempestades
e amarrou o barco ao cais
Quem foi, que matou o desejo
E arrancou o lábio ao beijo
E amainou os vendavais
...
devagar
Luís Represas/João Gil
Lembrança de um passado que me faz sorrir.
Lembrar com carinho o passado, lembrar com carinho tudo.
Estes dias fizeram reflectir sobre a dor, a dor que sentimos quando perdemos alguém que amamos, alguém que é o nosso mundo e de quem dependemos até para respirar.
Redescobri que o tempo cura tudo. Talvez não seja uma cura, é uma questão de perspectiva.
À medida que nos afastamos de um momento de dor, vamos moldando a perspectiva da situação.
A dor passa a ser saudade e. no fim. tudo passa a ser amor, até os momentos de raiva ou de amargura com o outro. As lembranças que ficam são apenas amor. É maravilhoso como o tempo funciona como um filtro, retém apenas o que realmente importa: a alegria e o amor.
Isto é uma descoberta maravilhosa.
A sabedoria dos velhos é isto mesmo, com o tempo eles aprendem a dar valor ao essencial.
Sabedoria á o que peço todos os dias.
1 comentário:
amiga... sábia andas tu :) se já percebeste que o tempo filtra tudo, que no fim, só guardamos o que é bom, e que, afinal de contas, só as partes boas interessam quando olhamos para o nosso passado emocional, estás muito mais sábia que a maioria.
o que não nos mata, torna-nos mais fortes :)
beijinhos!
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