Neblina

Silêncio... Uma gota insiste numa toada pela noite...de súbito, a brisa que agitava os ramos das árvores no jardim, acalma-se e as sombras formam-se na neblina da noite. Envolvemo-nos num escuro doentio. Sentimo-nos inebriados, perdidos, desorientados e gritamos na loucura. Dentro de nós um grito de desespero. Perdemos a noção da realidade, porque descobrimos que afinal os nossos cinco sentidos de nada nos valem.
Damos tanta importância aos sentidos do corpo e tão pouca importância aos sentidos da alma. A mente, que regula e governa o corpo, essa não a sabemos usar, não conhecemos o seu poder. O nevoeiro consegue desorientar-nos numa noite escura, como nos deixamos desorientar pelo ruído do mundo nas nossas vidas. Apenas o medo impera, apenas ele governa os sentidos.

Agora mais perto, essa cacimba que nos vai consumindo os ossos... um arrepio...um sobressalto...talvez um ruído, talvez apenas o ruído do nevoeiro que me entra pelos ouvidos pelos poros, pelos olhos, que invade todo o meu corpo e o consome num festim.
Toda eu sou agora neblina, faço parte dela, extingo-me num perturbador silêncio. Extingo-me por entre as sombras da noite.
Um toque, talvez um toque de calor humano me salvasse, mas talvez seja tarde, talvez agora apenas eu seja apenas gotas de agua, gotas de agua que se fundem no nevoeiro...

Num dia comum

Não lembro o dia em que me cruzei contigo pela primeira vez. Devia ser um dia tão comum, um daqueles dias onde parece que não conseguimos ter tempo para respirar e onde não prestamos atenção a nada do que nos rodeia. Sei apenas que um leve toque bateu no meu coração, que levemente corou, sorriu, e sem perceber, envolveu-se nessa magia dos sentidos.
Quase não nos cruzamos, ou talvez nos tenhamos cruzado demasiadas vezes nos últimos tempos. Não fazemos nada para isso, a vida obriga-nos a isso, e sem querer fomos sorrindo, fomos trocando olhares, fomos corando com uma palavra, fomos ficando sem graça e alguém reparou. Conversamos sobre tantas coisas e parece ser sempre tão pouco o tempo que passamos juntos. Parece que temos sempre tanta coisa para contar para mostrar, para partilhar. Tudo é tão natural, que quando estamos os dois, parece simplesmente não existir nada mais em nosso redor, não prestamos atenção a nada que não seja apenas a nós, e tocamo-nos levemente com uma timidez quase infantil. Um toque como fogo, um desejo contido pelo medo.
Sempre que partes e te despedes dessa forma romântica de tempos idos, os olhos sorriem numa lágrima que foge. Curvo-me a este sentimento sem explicação lógica, sem razão aparente, só a emoção sobrepõe a razão porque negamos esse sentimento.

Posso sentir-me feliz assim, feliz por saber desse teu amor, feliz por saber de ti e feliz porque entre nós existe esse toque na alma, esse reconhecimento de almas que se unem, que se uniram, que se unirão numa feliz coincidência de se sentirem felizes quando perto.
Sei que as coisas não passarão de um momento feliz. Também não sei se quereria muito mais do que esse momento. Talvez o medo se sobreponha a tudo, talvez seja apenas a razão, talvez seja a impossibilidade do momento, talvez não nesta vida, num outro tempo, num outro corpo, num outro mundo… talvez um dia, num desses dias comuns o amor se revele.

Anoitece

Mais um dia...
Arrasto-me...
Olho em redor e procuro escutar os sons, sentir os cheiros, respirar o ar rarefeito e fresco... olho o horizonte...perco o olhar pelos montículos de casas e pelos campos. Ao longe as serras fecham a linha.
Fresco. Um arrepio. O último raio de sol acariciou a serra e ela gemeu baixinho deixando em mim um arrepio.
O vento lançou-se de rompante pelos pinheiros e pelos cedros da velha floresta, que dançaram num corrupio.

Arrasto-me e sigo caminho...lento caminho, perco-me nas nuvens que pintadas de um perfeito rosa e violeta enfeitam o azul velho do céu, como uma velha gravura que foi perdendo a cor...

Sereno agora.
Desço a serra e sinto-a sisuda, triste, pensando em dias quentes onde plena de vida respirava alegria. Agora ficou assim, simples e rude, com suas velhas pedras despidas de vegetação, tristes como a gente, que com mãos rudes pegam no cajado e partem pelos montes guardando o gado. Não se ouvem mais as cantilenas dos pastores. O gado já não anda por ali, regressou ao quente do ninho, e os pastores ao quente do lume.

Ali, despojada da sua beleza, a serra serena espera o seu destino. Quando somos velhos esperamos assim, desesperamos, esperando um dia que não chega, um dia depois de outro que não virá.

Agora olho as últimas cores do horizonte, laranja forte, e Vénus espreita no céu brilhante qual diamante. Desperta a noite. As estrelas vêm contar novidades à lua nesta noite fria. Hoje trás o luar para confortar os corações solitários e mostrar caminhos aos amantes que se perdem pelas sombras das ruas.
Passos.
Ao longe latidos dos cães vadios que seguem um coelho no monte...
Assim vai a noite e a serra rende-se as cansaço da jornada.
Rendem-se os corpos no quente do lar.
Rende-se o crepitar do lume.

Serenamente repouso a cabeça na cadeira e deixo que me embale até também eu me render.

Líderes! Todos somos líderes!

(Desabafos)

Todos os dias me confronto no trabalho, com funcionários, quer dizer, colegas, apesar de não me considerar colega de nenhum deles, que não estão motivados, que estão ali para passar o tempo, sem o mínimo de responsabilidade sobre os seus actos. Eu própria começo a perder a desmotivação e a vontade, mas então talvez o problema seja eu, Talvez eu deva mudar mesmo de caminho, porque este já não está a ser bom para mim. Já não me sinto feliz, e isso faz toda a diferença.
Mas se quiser dissertar sobre algo mais lato penso naquele lema de que não existem maus funcionários, existem apenas maus líderes, é a causa de tudo isso.
Quer dizer, quando o chefe, sim, chefe, ele não é, ele não foi, nem nunca será líder de qualquer equipa. Ele é apenas um cobarde, que só sabe gritar e que tem a mania que sabe mais que os outros, não sendo capaz de ser humilde o suficiente para conseguir admitir que está errado ou que os outros podem ter razão. Irra!!! Ele pode ser comparado a uma hiena (tenho a certeza que já fiz esta comparação antes) que rouba os espólios de guerra, incentiva os outros a atacar, mas esconde-se para depois da sangria regozijar-se da vitória.
Eu não tenho nada contra aqueles que vem do nada e conseguem subir a cargos de topo com o esforço do seu trabalho, eu tenho contra aqueles que depois de lá estar tratam os outros como lixo e não os deixam subir na hierarquia. O trabalho deles tem mais valor que o dos outros. Eles sim têm valor! Sem eles nada funcionava e os outros são todos dispensáveis e substituíveis, só eles não.

Podem até dizer que isto é normal, isto é o prato do dia, mas alto lá, isso é muito pouco profissional, e temos que nos impor. Confesso que estou mesmo farta disto! Estou farta destas hipocrisias de sr eng e sr dr, e tretas que tais. E estou farta de patrões que dão valor a funcionários que sempre lhes dizem amem e depois fazem-lhe um manguito por trás das costas, que só fazem asneiras, mas não se responsabilizam por nada, porque também não são chamados a isso. Metem a viola no saco quando fazem asneiras e dizem: Eu não!!!! (Que bela arrochada merecias se fosses meu filho. Ias ver a que te sabia! Papa açorda, nem lá vou nem lá fico. Andavas de roda, minha papa açorda, e com licença da açorda, que com uma couvinha e bacalhau sabia pela vida!)

Agora só me dá vontade de lhes dar uns bons gritos. Não são capazes de abrir a boca para nada e estão ali parece que não estão, e se ninguém os chamar para nada melhor! Entram e saem como fantasmas os raios! Têm neurónios para enfeitar o cérebro. Recusam-se a pensar os canalhas! Porquê?

Não é que o chefe entra no local, vira-se para mim ,e piscando o olho, sugere que diga à paspalha que se mexa ou que faça uma coisa em que durma menos! Quer dizer, uma coisa em que durma, mas que não se nota que dorme! Isto é gozo! Então não é que o homem estava de sobreaviso que ela não se mexia e, ainda assim, chamou a dita cuja novamente sem água vem nem água vai, assina contrato sem dar contas a ninguém, e depois ainda quer que eu a eduque. Ela não é minha filha! Não é a mim que os pais dela dão as batatas e os repolhos.
A partir de agora vai ser guerra, quando lhes dirigir a palavra vai ser como general: em sentido e ouvidos bem abertos para as ordens do general1 Quem fizer asneiras vai ficar de castigo. Ponto final!

Mas a minha busca é mais profunda. A raiz do problema, qual a raiz do problema? E a resposta é sempre a mesma: motivação. Como motivar – liderar.
Temos de formar lideres neste país. Temos bons soldados (voltando á analogia do exército), mas não temos oficiais, lideres que saibam liderar as tropas, por isso é que tantas vezes perdemos as batalhas do crescimento económico, do desenvolvimento tecnológico ou da educação.


A liderança começa na nossa vida. Tomar as rédeas da vida e arrear caminho, ainda que seja com medo, mas com a certeza de que fazemos aquilo que nos vai no coração. Encontrar um companheiro para não seguir jornada sozinhos. Ou então seguir sozinhos desde que sejamos felizes, estamos completos. Se for isso que nos pede a alma, seja isso que façamos.

Depois tomamos a rédea da educação dos filhos. Vemos tantos pais queixando-se da hiperactividade dos filhos, será que lhes prestamos atenção mesmo? Será que nos preocupamos em escutar as dúvidas, em ouvir os medos, em conversar com eles, em perguntar como foi o teu dia, ou simplesmente nos limitamos a balbuciar palavras em frente ao televisor ou quando os vemos bater a porta e vociferamos contra a sua falta de educação? Mal agradecido! Trabalho que nem um mouro para me virares as costas! Eu até entendo que hoje em dia temos que nos ocupar do trabalho, porque senão não colocamos o pão na mesa, mas lembrem-se: nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. E Deus fala através de nós pois ele não tem rosto, tem o nosso rosto, porque temos o seu rosto. Entendo que queremos dar lhe o que não tivemos, mas deixamos de dar o mais importante amor, com gestos e palavras e não amor com objectos.
Então e que acham que aconteceria se ensinássemos os nossos filhos e tomarem as rédeas da sua vida? E dou ênfase a algo importante, não esqueçam que as crianças aprendem imitando, por isso nada melhor que tomarem o exemplo dos seus pais. Não! Não digam que é dever dos professores, porque deles apenas devem tiram os conhecimentos sobre ciência, sobre história, línguas, ou outra coisa qualquer que nada tem a ver com o modo de estar e de agir... Por favor não insultem a minha parca inteligência! Dois olhos de testa vêm isso.

Sinceramente acho que devemos parar para pensar. Eu até sei, como dizia alguém no rádio que a hiper emancipação da mulher abalou de forma trágica a estrutura da família. Faltaram as bases para ela se sustentar de forma equilibrada, os pilares que seguram a estrutura, preocupam-se em segurar o telhado e não as paredes. Uma casa despida, desprotegida das intempéries. Ambos os pais estão fora para ganhar dinheiro, e ninguém tem tempo para cuidar dos filhos. Mais que nunca os avós ocupam um papel fundamental na sua educação, meus queridos pais!
Entendo tudo isso! falta de tempo, tenho que trabalhar...
Mas então onde está esse tempo fundamental que devemos dar á família, base de qualquer sociedade? Devemos repensar os modelos, devemos repensar tudo e reformular se queremos um sociedade equilibrada, onde se cultiva o amor, as relações humanas bem sucedidas, ou se queremos pessoas frustradas em relações frustrantes, onde confundimos amor com obrigação, com prazer, com necessidade, com outra coisa qualquer que justifique que as pessoas se relacionem de uma maneira ou de outra, sem perceberem muito bem como agir ou como se posicionar, como entender os seus próprios sentimentos! Como saber agir! Como saber ouvir-se.
Tudo isto pode até parecer muito confuso, mas é a única forma de eu explicar de uma forma lata este conceito. Parece até um conceito ultrapassado, mas só o amor é real.

E o amor pode levar-nos de volta ao conceito de líder. Amar o que faço, porque faço o que a minha alma quer. Faço o que me faz sentir bem. Faço o que faço com amor e posso ser um bom líder.

Devemos entregar-nos aos caminhos que escolhemos com amor, e não com reverência beática de quem se resigna e rezinga a uma vontade superior.

Faço tudo com desprezo, porque desprezo a minha vida. Não vivo o que quero viver. Vivo dizendo que vivo o que me deixam viver, e imponho aos outros essa infelicidade. (Se isto faz sentido para alguém digam, porque nem eu que debito as palavras entendo o que digo.)

Lideres em casa, lideres nas escolas, lideres na rua, lideres no trabalho, lideres na vida. E quem faz as coisas com amor, consegue transmitir no olhar, num gesto ou na voz essa alegria contagiante. Também no trabalho, aos colegas, aos subordinados (mesmo aos mais insubordinados) e aos chefes transmitimos essa energia. É como um ciclo vicioso que não pode parar. Se essa energia positiva começar, começar com força com vontade, com verdade, com real sentimento, nada pode para isso. Podemos fazer a diferença.
Isto é o que nos diz o universo.
Não entendo como posso começar com um assunto e terminar noutro, mas com dizem as conversas são como as cerejas ;)

Foi bom conversar contigo. Ouves sempre o que tenho para dizer;)
Dorme bem vemo-nos qualquer dia...

Vamos liderar a mudança!

Surpreendente

Quando passo os olhos pelas palavras que escrevi num passado que parece tão distante surpreendo-me.
Depois vem alguém que não conheço que também me surpreende, que me chama para uma razão que emociona de verdade. Até as lágrimas tenho de conter e digo com verdade, porque aqui mostro a verdade de mim, aqui escrevo o que não digo, mas penso. Este é o meu compromisso.
Hoje venho aqui dizer-te, dizer a todos, que de facto não tenho pensado, e quando não penso, quando não sou eu em mim, nada te digo, nada vos posso dizer.
Aqui posso encontrar o que tenho de melhor por vezes até aquilo que procuro esconder. Aqui encontro um escape para mais um dia de uma vida que por vezes me desespera. E para aqueles que tantas vezes me dizem escreve algo feliz, digo apenas que escrevo o que sinto, mas sinto que não sou infeliz. E para os que se preocupam, digo que estou bem.
Hoje procuro apenas o silencio, procuro o rumo que todos tentamos encontrar, e digam-me: quantos de nós o conseguimos encontrar? Muito poucos.
Hoje considero-me uma eremita e digo fascinada que incrivelmente conseguimos ser eremitas nas nossas grandes cidades. Quanto maiores melhores! Hoje entendo mesmo que aqui na cidade sinto o equilíbrio que desejo e sei que na solidão posso ser feliz. Cada um segue o seu rumo, e encontra por essa rua o seu sonho, ali mesmo ao virar da esquina temos o que precisamos, inesperadamente ali. (Continuo uma sonhadora, uma romântica incorrigível.)

Se tenho o que quero? francamente não sei. Sei que não tenho o que mereço, mas também quem acha que tem o que merece? Ninguém...
Se procuro algo melhor? não procuro...não procuro nada. A minha vida estagnou num tempo e num espaço que não reconheço, mas a que me acomodei de uma forma estranha e tão passiva como um feitiço.
Porra para esse feitiço! Atou-me de tal forma de pés e mãos que me deixou assim imóvel!
Mas estou bem. É estranho...é irreconhecível e certamente é alguma patologia que tem um tratamento de choque recomendado por qualquer psiquiatra. Faça alguma coisa radical senhora!Tem de lutar contra esse estado! Mas qual estado? Lutar contra que mal? Se te digo que estou bem, porque lutar?
É este enigma que por vezes se acerca da minha mente.
Mas isto é um vicio, uma droga, daquelas com tratamento doloroso, que nos leva por vezes à loucura.

Sinto que falei de mais. Alonguei-me em algo que deveria ser apenas um alegre sentimento de espanto. Afinal existe alguém que la longe lê as palavras loucas que meus pensamentos vão ditando em dias cinzentos.
Obrigada.

A calma no medo

Uma calma estranha...
Sempre admirei quem no meio de uma tempestade consegue manter a calma. Mas neste caso é algo estranho, parece apenas uma certa indiferença.
Distancia. Sinto-me distante. Sinto-me como dentro de uma redoma onde nada me pode afectar, onde nada me poderá ferir.
É muito complicado e parece apenas simples. Confesso que não sei como entender, não sei como simplificar e justificar os actos.
Antes de uma guerra existe sempre um silêncio ensurdecedor, é até algo ameaçador, mais ameaçador do que o medo que temos do adversário. Este é o medo da incerteza, o medo do que está para além da porta, o medo do que não podemos ver, do que apenas podemos sentir. O medo do que não podemos controlar.
Não me apetece divagar sobre sentimentos profundos nem lógicas de vida. Queria entrar dentro do meu subconsciente e entender.
Uma busca irracional por uma razão deste sentir. Nem fracções, nem equações com “N”variáveis, poderão formular uma explicação lógica ou racional para o medo. Mas a estranha calma que sinto deixa-me intranquila…

No cimo da colina

Lá do cimo vejo as casas velhas ao fundo da colina.
Gente que vagarosamente vagueia por entre as ruas desertas e apenas os cães ladram á passagem de gente estranha que não vem.
Os meus olhos detêm-se no melro que canta alheio a tudo. Detenho-me no seu canto e procuro ouvir as suas palavras. A montanha fala assim, por gesto vagarosos e cantos estridentes.
Chama-me...posso ouvir a sua voz e vagarosamente cerro os olhos e sinto o vento no meu cabelo.

Vagarosamente deixo-me arrastar para as rochas e fico ali no meio delas, calma e protegida.

Um sorriso do fundo da alma e adormeço feliz.

O exercício de ser feliz

Pontos que se unem e formam rectas. Pontos que se unem e nos levam ao infinito. Seguimos caminhos e damos um rumo na vida, damos o rumo que nos parece ser o melhor. Vamos errando e acertando, vamos tentando uma vez mais. Galgamos montanhas e atravessamos vales com a mesma emoção sem pensar em adversidades.
Construímos muralhas e derrubamos muros com a mesma energia e coragem de guerreiros.

Procuramos apenas a luz, essa luz que esperamos trazer a felicidade Procuramos no infinito da mente a luz.
Fechamos os olhos e vemos trevas, mas a mente ilumina-nos. Este exercício de ver a luz de olhos cerrados é interessante. O exercício de ser feliz é mais interessante ainda. É como outro desporto qualquer. Quando começamos a praticar custa sempre no início, depois fazemos por prazer, puro prazer de ser feliz. A felicidade é assim, temos de praticar para depois termos o prazer de ser felizes.
Ser feliz sempre, estar de bem com o universo é um exercício difícil no início, mas depois torna-se mais um jogo e é tão simples e nós estamos tão distantes da simplicidade com todas as nossas teorias. A nossa mente comanda tudo: quando o homem sonha o mundo pula e avança.

A felicidade é sonho, é desejo, é querer, apenas a nossa vontade a determina, determina-nos, (penso logo existo) nada mais pode ser controlado por nós, tudo o resto é condicionado. Se só podemos condicionar o que sentimos, porque teimamos em nos deixar levar por uma má vontade ou por maus sentimentos. Um mistério! Rendermo-nos a lado da dor e não ao lado do prazer. Estranho. Prazer na dor e não na felicidade, estranho para quem se diz inteligente.
Sinto mudanças no ar. Sinto que as consciências despertam para o lado da luz.

Gosto disso, gosto dessa mudança. Mudemo-nos para a luz e encontremos a felicidade.


O caminho em imagens





E não é que me pus ao Caminho!
Mesmo achando que não poderia conseguir, pus-me ao Caminho de Santiago. Chamou por mim e apesar do receio, do medo de falhar, respondi ao chamamento, deixei que Ele me conduzi-se, que passasse por mim, e fizesse de mim sua caminhante.
Delicioso! Recomenda-se a todas as idades, a todos os credos, a todas as classes sociais, a todas os gostos. Ali somos todos iguais, todos somos tratados por ele como simples peregrinos, todos são respeitados e admirados, e não julgados.
Deixo-vos algumas imagens para que vejam algumas coisas que ele nos pode dar. Pena tenho eu de não poder mostrar em imagens o que ele nos pode fazer sentir.
Metam-se ao caminho, e Bom Caminho peregrino!

Na primavera: flores.

No jardim as túlipas e as camélias. Belas, tal como deveria ser a vida.

Depois desta democracia viva a ditadura

Assistimos nestes dias áquilo a que eu chamo o cúmulo da democracia. Em pleno século XXI, Portugal, um país membro da UE com uma democracia instalada onde todas as suas instituições e poderes funcionam em pleno e onde as liberdades e garantias dos cidadãos estão garantidas, os portugueses elegem como principal individualidade, como o melhor português, aquele que foi chamado o ditador. O Professor. diado por muitos, amado por muito poucos, é agora aclamado por uma larga maioria. Nem o fundador deste cantinho à beira mar plantado, que desafiou os espanhóis, foi capaz de os demover. Acho que no fundo neste momento os protugueses preferiam ser espanhóis e ficaram ressentidos por el rei D. Afonso Henriques ter decidido que queria um reino só para ele.

O professor finalmente viu todo o seu esforço reconhecido. Afinal aquilo dos 4 Fs resultou: família, fado, Fátima e futebol.
Eu por outro lado acho que existe um grito de revolta dos portugueses, senão vejamos:

- a justiça de facto não existe, porque pende sempre para o lado do mais forte e ao Zé-povinho faz um manguito;

- às greves, manifestações, protestos, audiências com o presidente e com o raio mais velho, o governo faz ouvidos moucos;

-as eleições para tentar mudar o raio do partido que lidera o governo através do livre voto fazem-nos perceber que afinal a merda é a mesma, o que muda é só o logótipo do partido;

Depois de esgotar todas as vias que a democracia dá aos cidadãos para se fazerem ouvir, os portugueses viram-se para o quarto poder, a TV e eis que se lembram de eleger como o maior português de todos os tempos, o português mais odiado do último século. Protesto! Para mim isto é a outra maneira de protestar, se isto não resultar vamos emigrar e se nem assim as coisas mudarem voltamos a chamar os militares e deitamos abaixo a democracia, elegemos a ditadura como o melhor sistema de mandar a escumalha que nos governa para a rua.

De facto no tempo do Professor é que era.

Naquele tempo éramos todos pobres, só uma minoria tinha dinheiro a rodos, e esses eram como que os escolhidos, eram famílias ricas, que já o eram, já estavam no poder e a única forma de o Zé povinho sair da merda era emigrar, enriquecer e voltar com os bolsos cheios ou remediados. Éramos todos pobres, a fome era alguma, mas ao menos não sofríamos de obesidade. Comíamos que bastasse para sobreviverem os necessários para fazer face às necessidades de mão-de-obra do país e ainda sobravam alguns para exportar, além da vantagem de ninguém querer imigrar para Portugal.

Os salários eram baixos, mas pelo menos havia emprego para todos. Não havia 7% de desempregados, nem havia direito a subsidio de desemprego para pessoas que embora tenham trabalho, ganham dois salários: o do desemprego e o do trabalho e ainda se safam aos impostos e ajudam o patrão a safar-se aos impostos também, ou que simplesmente preferem estar a receber o subsidio do que se sujeitar a qualquer emprego.
De facto no tempo do Professor não havia desertificação do interior, a terra valia dinheiro, porque era dela que tiravam os rendimentos os agricultores que tinham uma ninhada de filhos para os ajudar nas lides e para ganharem dinheiro para sustentar a família. Assim sendo a mão de obra infantil era legal e aconselhada, e o interior era constituído por uma série de aldeias onde se concentravam os pobres e analfabetos do país, onde não havia luz, nem telefones, mas onde as pessoas eram felizes.
Não havia problemas de toxicodependência, porque isso era problema de classe alta, só eles tinham dinheiro para esses luxos.
Não havia problemas de gangues e de roubos nas grandes cidades, porque no fundo não eram grandes cidades e a policia tinha todo muito bem controlado.
Não havia problemas de buracos na saúde, porque não havia saúde, só os ricos tinham direito a ela, porque podiam pagar, os outros tinham de se sujeitar à caridade alheia e a operações sem anestesia. Sortudos.
Não havia problemas de corrupção no futebol, porque todos sabíamos que ás claras o estado financiava um ou outro clube, porque era bom manter as massas entretidas.

E claro não havia problemas de falta de padres, porque ser padre era uma boa forma de um zé-povinho sair de condição de miserável. Claro que o estado apoiava a instituição era preciso manter a fé e guiar o espírito para que ninguém percebesse a miséria que aqui ia. Manter nos meninos bem comportados. E bem hipócritas como convêm.

Não havia problemas de poluição, afinal não havia dinheiro para comprar carros, nem taxas de juro aplativas ao investimento. Os bancos ganahvam quanto queriam, mas agora conseguem ainda ter taxas de rentabilidade maiores.
Naquele tempo as colónias eram ricas, sem guerra, sem fome, sem sida. Os colonos estavam bem de vida e davam trabalho aos nativos. As cidades principais eram mais desenvolvidas que as capitais de distrito da metrópole.

Tudo parecia correr sobre rodas as portugueses. Só os comunistas de quando em vez chateavam, mas para isso tínhamos a PIDE que logo tratava de aclamar os ânimos. Estava tudo controlado. Não tínhamos de nos esforçar, as nossas vidinhas corriam calmas. Sabíamos todos onde estava o poder e o dinheiro e sabíamos todos que era assim que estava destinado. Ao Zé-povinho restava a fé e o futebol. Havia pão e vinho sobre a mesa, e se não havia é porque merecíamos o castigo de Deus.

Agora as nossas vidas correm incertas. Desemprego, crimes, assaltos, a nossa vidinha de solidão, até a família descuramos. Trabalhamos para chegar ao final do mês e nada ver. O capital está na mão dos do costume. Os impostos levam uma parte do ordenado, os bancos levam a outra. É uma festa! Os filhos estão insolentes e só querem ter tudo do bom e do melhor e nós como bons pais não negamos nada. Vivemos com o que temos, com o que não temos e com o que nunca vamos ter. Os ricos cada vez mais ricos, saem impunes sem culpas dos roubos que fazem, os políticos saem impunes com as leis de favor que fazem, com os compadrios, com os desvios e o poder mantém-se nas mãos de uma meia dúzia que o tomou de assalto no tempo da outra senhora. Para manter tudo isto só entra no sistema quem cumprir as regras, quem souber falsificar diplomas, passar a perna ao parceiro e melhor cobrar e fazer cobrar favores. No fundo esta democracia não passa de uma palhaçada e os portugueses sem saberem como fazer a revolução chamam velhos fantasmas para acabar com o circo. Viva a ditadura! Abaixo a democracia que afinal não passa de uma ditadura democrática.

Começo a conhecer-me. Não existo.

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

Álvaro de Campos

Cada Um


Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.


Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.


Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.

Ricardo Reis

Velhas palavras para pensamentoos presentes

Este fim de semana decidi arrumar uns papeis e no meio do escritório encontrei palavras antigas de uma adolescência doente. Tão presente, tão lúcida, tão madura e tão eu. Incrível como algo que escrevi há 13 anos pode ser tão presente.
Passo a deixar alguns desses escritos de adolescente.

Sozinha no canto da sala foi como tudo começou.

Fugida do mundo
do bem e do mal
perdida no além, imortal
num inferno imundo.
Entre risos e lágrimas,
entre poemas sem rimas,
desta vida que afirmas
viver sem dádivas.
Entre trocas de corações,
Poesias sem sessões,
dias negros de tristezas,
corpos sem belezas.
O que será que digo sem sentido?
o que será que faço sem amigo?
Onde será que estão as alegrias?
Onde será que estão as ironias?
Onde estará meu coração?
De certeza perdido em vão
como cão abandonado
pelos donos desprezado.
Para quê perguntar
se tudo assim vai acabar:
sozinha no canto da sala.
Fria de tristeza,
amarga na solidão,
perdida na incerteza.


Palavras de uma adolescente...Ainda fazia poesia na altura. Descobria a maravilha das palavras.
Agora faço rabiscos em folhas de papel virtual.

Behind blue eyes

No one knows what it's like

To be the bad man

To be the sad man

Behind blue eyes

No one knows what it's like

To be hated

To be fated

To telling only lies

But my dreams

They aren't as empty

As my conscience seems to be

I have hours, only lonely

My love is vengeance

That's never free

No one knows what it's like

To feel these feelings

Like I do

And I blame you

No one bites back as hard

On their anger

None of my pain and woe

Can show through

But my dreams

They aren't as empty

As my conscience seems to be

I have hours, only lonely

My love is vengeance

That's never free

When my fist clenches, crack it open

Before I use it and lose my cool

When I smile, tell me some bad news

Before I laugh and act like a fool

And if I swallow anything evil

Put your finger down my throat

And if I shiver, please give me a blanket

Keep me warm, let me wear your coat

No one knows what it's like

To be the bad man

To be man

Behind blue eyes



Pete Townshend

Árvores


Caminho pela folhagem...
Uma brisa por entre as árvores do jardim traz-me um arrepio.

Um pensamento na ideia e nada de novo, a sensação de sempre.
Passo firme e não seguro. Um pensamento com uma dúvida, porque me movo quando a minha mente me diz para parar? Não encontro no chão a resposta e as nuvens cinzentas parecem ignorar a minha presença.
Laranjas e vermelhos enchem o ar com uma estranha ideia de familiaridade, talvez de conforto ou apenas um reconforto que encontro aqui.

O silêncio desconcentra-me deste pensamento. Desvio-me agora para as árvores. Procuro nelas uma resposta para este cenário, mas não consigo vê-las em todo o seu esplendor. Imensas, e eu pequena, tão pequena que vejo apenas um tronco e deixo-me tocar por uma folha que cai e vai dançando no ar. Liberdade, um prazer imenso de amor pelo universo. O percurso natural da vida. A aceitação natural da folha que cai e morre quando procura a liberdade.
A folha morre quando se liberta de quem lhe deu forma. Morro se me liberto.

Morro um pouco quando penso na dor que terei de passar, no caminho que me resta percorrer para te ver em toda a tua imensidão, de árvore gigante do jardim da minha infância. Tudo numa dimensão de gigantes e agora tudo também tudo numa imensidão de gigantes problemas, de gigante dor que tento esquecer.
Uma brisa que vem e trás um arrepio de medo. Medo do escuro do jardim quando entardecer, medo de me perder pelas arvores imensas e de não encontrar saída. Medo de escolher maus caminhos para sair do labirinto onde não queira entrar e de onde sabia não conseguir sair.
Medo de estar agora aqui a tentar Não lembrar, mas saber que não posso esquecer. Medo de enfrentar a realidade, quando sei que ela se aproxima tão rapidamente que não terei tempo de dizer Não!
Medos. Firmes na sua decisão de nos amarrar a emoções que não desejamos, a escolhas que não queremos, ou apenas a situações que nos desconfortam.
Será que a arvore temeu perder a sua folha? Será que a folha temeu perder a sua arvore?

Quero ser arvore, livre para crescer sem medo nesta floresta, e estender meus braços ao sol e deixar que as folhas cresçam na primavera, mas partam no Outono, sem medo de passar um Inverno na minha solidão.

Os dias longos

Sentido de vida! A busca da felicidade ou apenas a busca de uma razão por que existimos.
Porque existe vida? Todos procuramos um sentido da vida. Quando olho para a vida parva que tenho não entendo o sentido da vida. Se acreditarmos em karma, então carrego um karma muito negativo de uma vida anterior. Passo o dia a dizer isto mesmo. Tenho um trabalho que é uma porra, que me da cabo do juízo, tenho sempre um raio de um azar com os patrões que encontro que não é normal. Tudo o resto é o que sabe.
Tenho uns amigos fantásticos, mas que têm a sua vida, tenho uma família maravilhosa, mas que tem a sua vida. Estou aqui metida em casa sem saber o que fazer e pareço uma barata tonta, porque as oportunidades de poder fazer mais coisas também não são muitas uma vez que a porra do trabalho que tenho me da uma porra de um rendimento que não da nem para as despesas. Toda a vida gira em trono disto: dinheiro/poder. É um binómio maravilhoso que faz girar o mundo e a humanidade e por muito que eu não queira, faz também girar a minha vida.
Honestamente digo-te, neste momento não sei o que apoquenta mais. Acho que sinto a derrota sobre os meus ombros de todas as decisões que escolhi, decisões que para mim neste momento sinto terem sido as piores. Escolho sempre o caminho mais difícil. O meu karma é este, caminhos difíceis, talvez por ter feito caminhos difíceis a outros no passado, não julgue que o faça no presente a alguém, mas no passado, numa outra vida devo ter feito isso. Uma busca incessante por um caminho, O CAMINHO, aquele que me leva á luz, ao conhecimento superior, a uns estado superior.
Ser mais ambiciosa. Não esperar que caia do céu uma oportunidade, sei lá, sei lá que mais me reservou esta vida. Sei que cada coisa que escolho não podia ser a pior, sei que faço demasiadas asneiras que me fazem sofrer. Sei que não posso ficar presa ao passado, mas não é isso. Não fico presa a nenhum passado, fico espantada com as demasiadas escolhas erradas que faço, não entendo como alguém pode ter esta capacidade de falhanço tantas vezes. Se existisse alguém azarada seria eu, seja em pequenas ou em grandes coisas. Escolho sempre o caminho mais difícil.
Começo a ficar cansada de tudo isto. Agora entendo porque prefiro que sejam os outros a escolher algo, sei que as minhas escolhas são sempre péssimas. Tenho mão para isso mesmo.

Hoje estou mesmo resingona. Ultimamente cada semana da minha vida está a tornar-se uma eternidade, um sacrificio enorme. São cada vez mais penosas e sinto-me cada vez mais farta e cansada de tudo isto que me rodeia, das pessoas mesquinhas e malévolas que me controlam. Sinto que entrei num mundo que não é o meu e sei que não é isto que quero para mim, embora não saiba exactamente o que desejo. Não sei para onde vou, mas sei que não vou por aí.

Sei que não quero ir por aqui, mas não encontro outro caminho por onde ir. Tudo em redor é apenas floresta densa onde não posso entrar.

O tempo


Existem duas coisas que o tempo não ajuda a esquecer: as pessoas que amamos realmente e os erros que cometemos.
Quanto mais nos afastamos, maior parece ser o amor que sentimos por alguém que perdemos. Parece até estarmos mais próximos dessa pessoa. Parece que esquecemos piores momentos para recordarmos bons momentos.
Com os erros fazemos o contrário. Aquilo que nos pareceu um bom momento na altura, uma boa escolha, a escolha possível o caminho certo, passa a ser um erro de todo o tamanho, passa a ser uma cruz, um Karma que nos persegue. E quando menos esperamos lá vem essa lembrança e gritamos, gritamos um desses gritos mudos dentro de nós, dizemos dois ou três palavrões para afastarmos o pensamento e voltamos á rotina.
A vidinha é assim, rotina e descobertas, risos e lágrimas, saudades ou arrependimentos. Cruzam-se todos dentro do nosso ser íntimo numa sopa de pensamentos ou apenas numa explosão de sentimentos uns bons e outros piores.
Agora lembro um sonho, uma casa que podia ser um castelo, uma busca, uma fuga que podia ser apenas um jogo. Risco e perigo, tudo num sonho que podia ser apenas um filme., tal como a vida onde nos arriscamos todos os dias a vencer ou apenas a falhar. Procuro compreender esse sonho, essa necessidade de fuga desse pesadelo onde me sinto presa, perseguida por um inimigo sem rosto que posso considerar ser apenas o meu arrependimento. Falhas pequenas, mas essa fobia de sítios desconhecidos e sem saídas aparentes. Sem janelas onde apenas se vêm paredes altas de pedra maciça. Salvo-me não só a mim, mas tento salvar alguém, salvar alguém que amo, mas não consigo identificar, pareço salvar a família, pareço salvar outros. Aquilo que é comum é apenas esse sentimento de arrependimento, e com isso uma necessidade de sobrevivência. Estranho sonho este.
Começo a sentir dentro de mim uma ansiedade que não consigo controlar, é como um monstro adormecido, calmo monstro este, dorme pacifico. Mas só o facto de eu saber que ele existe e que temo que ele acorde faz fica ansiosa. O monstro vai voltar a acordar este ano.
Um ano de decisões, um ano onde tudo se irá definir, decidir. Há anos que espero por isto. Há nos que me preparo para este momento, mas sei agora que nunca estive preparada.
Sinto-me presa e o tempo parece não me ajudar a curar as feridas que voltarão a ser abertas.

O tempo que tudo cura não sarou as minhas feridas, nem lavou as minhas manchas. Agora tenho de viver com elas, até que o tempo apague a minha memória.