Os dias longos

Sentido de vida! A busca da felicidade ou apenas a busca de uma razão por que existimos.
Porque existe vida? Todos procuramos um sentido da vida. Quando olho para a vida parva que tenho não entendo o sentido da vida. Se acreditarmos em karma, então carrego um karma muito negativo de uma vida anterior. Passo o dia a dizer isto mesmo. Tenho um trabalho que é uma porra, que me da cabo do juízo, tenho sempre um raio de um azar com os patrões que encontro que não é normal. Tudo o resto é o que sabe.
Tenho uns amigos fantásticos, mas que têm a sua vida, tenho uma família maravilhosa, mas que tem a sua vida. Estou aqui metida em casa sem saber o que fazer e pareço uma barata tonta, porque as oportunidades de poder fazer mais coisas também não são muitas uma vez que a porra do trabalho que tenho me da uma porra de um rendimento que não da nem para as despesas. Toda a vida gira em trono disto: dinheiro/poder. É um binómio maravilhoso que faz girar o mundo e a humanidade e por muito que eu não queira, faz também girar a minha vida.
Honestamente digo-te, neste momento não sei o que apoquenta mais. Acho que sinto a derrota sobre os meus ombros de todas as decisões que escolhi, decisões que para mim neste momento sinto terem sido as piores. Escolho sempre o caminho mais difícil. O meu karma é este, caminhos difíceis, talvez por ter feito caminhos difíceis a outros no passado, não julgue que o faça no presente a alguém, mas no passado, numa outra vida devo ter feito isso. Uma busca incessante por um caminho, O CAMINHO, aquele que me leva á luz, ao conhecimento superior, a uns estado superior.
Ser mais ambiciosa. Não esperar que caia do céu uma oportunidade, sei lá, sei lá que mais me reservou esta vida. Sei que cada coisa que escolho não podia ser a pior, sei que faço demasiadas asneiras que me fazem sofrer. Sei que não posso ficar presa ao passado, mas não é isso. Não fico presa a nenhum passado, fico espantada com as demasiadas escolhas erradas que faço, não entendo como alguém pode ter esta capacidade de falhanço tantas vezes. Se existisse alguém azarada seria eu, seja em pequenas ou em grandes coisas. Escolho sempre o caminho mais difícil.
Começo a ficar cansada de tudo isto. Agora entendo porque prefiro que sejam os outros a escolher algo, sei que as minhas escolhas são sempre péssimas. Tenho mão para isso mesmo.

Hoje estou mesmo resingona. Ultimamente cada semana da minha vida está a tornar-se uma eternidade, um sacrificio enorme. São cada vez mais penosas e sinto-me cada vez mais farta e cansada de tudo isto que me rodeia, das pessoas mesquinhas e malévolas que me controlam. Sinto que entrei num mundo que não é o meu e sei que não é isto que quero para mim, embora não saiba exactamente o que desejo. Não sei para onde vou, mas sei que não vou por aí.

Sei que não quero ir por aqui, mas não encontro outro caminho por onde ir. Tudo em redor é apenas floresta densa onde não posso entrar.

O tempo


Existem duas coisas que o tempo não ajuda a esquecer: as pessoas que amamos realmente e os erros que cometemos.
Quanto mais nos afastamos, maior parece ser o amor que sentimos por alguém que perdemos. Parece até estarmos mais próximos dessa pessoa. Parece que esquecemos piores momentos para recordarmos bons momentos.
Com os erros fazemos o contrário. Aquilo que nos pareceu um bom momento na altura, uma boa escolha, a escolha possível o caminho certo, passa a ser um erro de todo o tamanho, passa a ser uma cruz, um Karma que nos persegue. E quando menos esperamos lá vem essa lembrança e gritamos, gritamos um desses gritos mudos dentro de nós, dizemos dois ou três palavrões para afastarmos o pensamento e voltamos á rotina.
A vidinha é assim, rotina e descobertas, risos e lágrimas, saudades ou arrependimentos. Cruzam-se todos dentro do nosso ser íntimo numa sopa de pensamentos ou apenas numa explosão de sentimentos uns bons e outros piores.
Agora lembro um sonho, uma casa que podia ser um castelo, uma busca, uma fuga que podia ser apenas um jogo. Risco e perigo, tudo num sonho que podia ser apenas um filme., tal como a vida onde nos arriscamos todos os dias a vencer ou apenas a falhar. Procuro compreender esse sonho, essa necessidade de fuga desse pesadelo onde me sinto presa, perseguida por um inimigo sem rosto que posso considerar ser apenas o meu arrependimento. Falhas pequenas, mas essa fobia de sítios desconhecidos e sem saídas aparentes. Sem janelas onde apenas se vêm paredes altas de pedra maciça. Salvo-me não só a mim, mas tento salvar alguém, salvar alguém que amo, mas não consigo identificar, pareço salvar a família, pareço salvar outros. Aquilo que é comum é apenas esse sentimento de arrependimento, e com isso uma necessidade de sobrevivência. Estranho sonho este.
Começo a sentir dentro de mim uma ansiedade que não consigo controlar, é como um monstro adormecido, calmo monstro este, dorme pacifico. Mas só o facto de eu saber que ele existe e que temo que ele acorde faz fica ansiosa. O monstro vai voltar a acordar este ano.
Um ano de decisões, um ano onde tudo se irá definir, decidir. Há anos que espero por isto. Há nos que me preparo para este momento, mas sei agora que nunca estive preparada.
Sinto-me presa e o tempo parece não me ajudar a curar as feridas que voltarão a ser abertas.

O tempo que tudo cura não sarou as minhas feridas, nem lavou as minhas manchas. Agora tenho de viver com elas, até que o tempo apague a minha memória.