"Aqui, deposta enfim a minha imagem,/ Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,/ No interior das coisas canto nua./ Aqui livre sou eu - eco da lua/ E dos jardins, os gestos recebidos/ E o tumulto dos gestos pressentidos,/ Aqui sou eu em tudo quanto amei." Sophia de Mello Breyner
Velhas palavras para pensamentoos presentes
Passo a deixar alguns desses escritos de adolescente.
Sozinha no canto da sala foi como tudo começou.
Fugida do mundo
do bem e do mal
perdida no além, imortal
num inferno imundo.
Entre risos e lágrimas,
entre poemas sem rimas,
desta vida que afirmas
viver sem dádivas.
Entre trocas de corações,
Poesias sem sessões,
dias negros de tristezas,
corpos sem belezas.
O que será que digo sem sentido?
o que será que faço sem amigo?
Onde será que estão as alegrias?
Onde será que estão as ironias?
Onde estará meu coração?
De certeza perdido em vão
como cão abandonado
pelos donos desprezado.
Para quê perguntar
se tudo assim vai acabar:
sozinha no canto da sala.
Fria de tristeza,
amarga na solidão,
perdida na incerteza.
Palavras de uma adolescente...Ainda fazia poesia na altura. Descobria a maravilha das palavras.
Agora faço rabiscos em folhas de papel virtual.
Behind blue eyes
No one knows what it's like
To be the bad man
To be the sad man
Behind blue eyes
No one knows what it's like
To be hated
To be fated
To telling only lies
But my dreams
They aren't as empty
As my conscience seems to be
I have hours, only lonely
My love is vengeance
That's never free
No one knows what it's like
To feel these feelings
Like I do
And I blame you
No one bites back as hard
On their anger
None of my pain and woe
Can show through
But my dreams
They aren't as empty
As my conscience seems to be
I have hours, only lonely
My love is vengeance
That's never free
When my fist clenches, crack it open
Before I use it and lose my cool
When I smile, tell me some bad news
Before I laugh and act like a fool
And if I swallow anything evil
Put your finger down my throat
And if I shiver, please give me a blanket
Keep me warm, let me wear your coat
No one knows what it's like
To be the bad man
To be man
Behind blue eyes
Árvores

Caminho pela folhagem...
Uma brisa por entre as árvores do jardim traz-me um arrepio.
Um pensamento na ideia e nada de novo, a sensação de sempre.
Passo firme e não seguro. Um pensamento com uma dúvida, porque me movo quando a minha mente me diz para parar? Não encontro no chão a resposta e as nuvens cinzentas parecem ignorar a minha presença.
Laranjas e vermelhos enchem o ar com uma estranha ideia de familiaridade, talvez de conforto ou apenas um reconforto que encontro aqui.
O silêncio desconcentra-me deste pensamento. Desvio-me agora para as árvores. Procuro nelas uma resposta para este cenário, mas não consigo vê-las em todo o seu esplendor. Imensas, e eu pequena, tão pequena que vejo apenas um tronco e deixo-me tocar por uma folha que cai e vai dançando no ar. Liberdade, um prazer imenso de amor pelo universo. O percurso natural da vida. A aceitação natural da folha que cai e morre quando procura a liberdade.
A folha morre quando se liberta de quem lhe deu forma. Morro se me liberto.
Morro um pouco quando penso na dor que terei de passar, no caminho que me resta percorrer para te ver em toda a tua imensidão, de árvore gigante do jardim da minha infância. Tudo numa dimensão de gigantes e agora tudo também tudo numa imensidão de gigantes problemas, de gigante dor que tento esquecer.
Uma brisa que vem e trás um arrepio de medo. Medo do escuro do jardim quando entardecer, medo de me perder pelas arvores imensas e de não encontrar saída. Medo de escolher maus caminhos para sair do labirinto onde não queira entrar e de onde sabia não conseguir sair.
Medo de estar agora aqui a tentar Não lembrar, mas saber que não posso esquecer. Medo de enfrentar a realidade, quando sei que ela se aproxima tão rapidamente que não terei tempo de dizer Não!
Medos. Firmes na sua decisão de nos amarrar a emoções que não desejamos, a escolhas que não queremos, ou apenas a situações que nos desconfortam.
Será que a arvore temeu perder a sua folha? Será que a folha temeu perder a sua arvore?
Quero ser arvore, livre para crescer sem medo nesta floresta, e estender meus braços ao sol e deixar que as folhas cresçam na primavera, mas partam no Outono, sem medo de passar um Inverno na minha solidão.