
Caminho pela folhagem...
Uma brisa por entre as árvores do jardim traz-me um arrepio.
Um pensamento na ideia e nada de novo, a sensação de sempre.
Passo firme e não seguro. Um pensamento com uma dúvida, porque me movo quando a minha mente me diz para parar? Não encontro no chão a resposta e as nuvens cinzentas parecem ignorar a minha presença.
Laranjas e vermelhos enchem o ar com uma estranha ideia de familiaridade, talvez de conforto ou apenas um reconforto que encontro aqui.
O silêncio desconcentra-me deste pensamento. Desvio-me agora para as árvores. Procuro nelas uma resposta para este cenário, mas não consigo vê-las em todo o seu esplendor. Imensas, e eu pequena, tão pequena que vejo apenas um tronco e deixo-me tocar por uma folha que cai e vai dançando no ar. Liberdade, um prazer imenso de amor pelo universo. O percurso natural da vida. A aceitação natural da folha que cai e morre quando procura a liberdade.
A folha morre quando se liberta de quem lhe deu forma. Morro se me liberto.
Morro um pouco quando penso na dor que terei de passar, no caminho que me resta percorrer para te ver em toda a tua imensidão, de árvore gigante do jardim da minha infância. Tudo numa dimensão de gigantes e agora tudo também tudo numa imensidão de gigantes problemas, de gigante dor que tento esquecer.
Uma brisa que vem e trás um arrepio de medo. Medo do escuro do jardim quando entardecer, medo de me perder pelas arvores imensas e de não encontrar saída. Medo de escolher maus caminhos para sair do labirinto onde não queira entrar e de onde sabia não conseguir sair.
Medo de estar agora aqui a tentar Não lembrar, mas saber que não posso esquecer. Medo de enfrentar a realidade, quando sei que ela se aproxima tão rapidamente que não terei tempo de dizer Não!
Medos. Firmes na sua decisão de nos amarrar a emoções que não desejamos, a escolhas que não queremos, ou apenas a situações que nos desconfortam.
Será que a arvore temeu perder a sua folha? Será que a folha temeu perder a sua arvore?
Quero ser arvore, livre para crescer sem medo nesta floresta, e estender meus braços ao sol e deixar que as folhas cresçam na primavera, mas partam no Outono, sem medo de passar um Inverno na minha solidão.
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