Este fim de semana decidi arrumar uns papeis e no meio do escritório encontrei palavras antigas de uma adolescência doente. Tão presente, tão lúcida, tão madura e tão eu. Incrível como algo que escrevi há 13 anos pode ser tão presente.
Passo a deixar alguns desses escritos de adolescente.
Sozinha no canto da sala foi como tudo começou.
Fugida do mundo
do bem e do mal
perdida no além, imortal
num inferno imundo.
Entre risos e lágrimas,
entre poemas sem rimas,
desta vida que afirmas
viver sem dádivas.
Entre trocas de corações,
Poesias sem sessões,
dias negros de tristezas,
corpos sem belezas.
O que será que digo sem sentido?
o que será que faço sem amigo?
Onde será que estão as alegrias?
Onde será que estão as ironias?
Onde estará meu coração?
De certeza perdido em vão
como cão abandonado
pelos donos desprezado.
Para quê perguntar
se tudo assim vai acabar:
sozinha no canto da sala.
Fria de tristeza,
amarga na solidão,
perdida na incerteza.
Palavras de uma adolescente...Ainda fazia poesia na altura. Descobria a maravilha das palavras.
Agora faço rabiscos em folhas de papel virtual.
1 comentário:
Muito lindo. É tocante, sensivel, atraente e tem um pouco de personalidade. É otimoo, adorei
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