Lá do cimo vejo as casas velhas ao fundo da colina.
Gente que vagarosamente vagueia por entre as ruas desertas e apenas os cães ladram á passagem de gente estranha que não vem.
Os meus olhos detêm-se no melro que canta alheio a tudo. Detenho-me no seu canto e procuro ouvir as suas palavras. A montanha fala assim, por gesto vagarosos e cantos estridentes.
Chama-me...posso ouvir a sua voz e vagarosamente cerro os olhos e sinto o vento no meu cabelo.
Vagarosamente deixo-me arrastar para as rochas e fico ali no meio delas, calma e protegida.
Um sorriso do fundo da alma e adormeço feliz.
"Aqui, deposta enfim a minha imagem,/ Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,/ No interior das coisas canto nua./ Aqui livre sou eu - eco da lua/ E dos jardins, os gestos recebidos/ E o tumulto dos gestos pressentidos,/ Aqui sou eu em tudo quanto amei." Sophia de Mello Breyner
No cimo da colina
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