Anoitece

Mais um dia...
Arrasto-me...
Olho em redor e procuro escutar os sons, sentir os cheiros, respirar o ar rarefeito e fresco... olho o horizonte...perco o olhar pelos montículos de casas e pelos campos. Ao longe as serras fecham a linha.
Fresco. Um arrepio. O último raio de sol acariciou a serra e ela gemeu baixinho deixando em mim um arrepio.
O vento lançou-se de rompante pelos pinheiros e pelos cedros da velha floresta, que dançaram num corrupio.

Arrasto-me e sigo caminho...lento caminho, perco-me nas nuvens que pintadas de um perfeito rosa e violeta enfeitam o azul velho do céu, como uma velha gravura que foi perdendo a cor...

Sereno agora.
Desço a serra e sinto-a sisuda, triste, pensando em dias quentes onde plena de vida respirava alegria. Agora ficou assim, simples e rude, com suas velhas pedras despidas de vegetação, tristes como a gente, que com mãos rudes pegam no cajado e partem pelos montes guardando o gado. Não se ouvem mais as cantilenas dos pastores. O gado já não anda por ali, regressou ao quente do ninho, e os pastores ao quente do lume.

Ali, despojada da sua beleza, a serra serena espera o seu destino. Quando somos velhos esperamos assim, desesperamos, esperando um dia que não chega, um dia depois de outro que não virá.

Agora olho as últimas cores do horizonte, laranja forte, e Vénus espreita no céu brilhante qual diamante. Desperta a noite. As estrelas vêm contar novidades à lua nesta noite fria. Hoje trás o luar para confortar os corações solitários e mostrar caminhos aos amantes que se perdem pelas sombras das ruas.
Passos.
Ao longe latidos dos cães vadios que seguem um coelho no monte...
Assim vai a noite e a serra rende-se as cansaço da jornada.
Rendem-se os corpos no quente do lar.
Rende-se o crepitar do lume.

Serenamente repouso a cabeça na cadeira e deixo que me embale até também eu me render.

Líderes! Todos somos líderes!

(Desabafos)

Todos os dias me confronto no trabalho, com funcionários, quer dizer, colegas, apesar de não me considerar colega de nenhum deles, que não estão motivados, que estão ali para passar o tempo, sem o mínimo de responsabilidade sobre os seus actos. Eu própria começo a perder a desmotivação e a vontade, mas então talvez o problema seja eu, Talvez eu deva mudar mesmo de caminho, porque este já não está a ser bom para mim. Já não me sinto feliz, e isso faz toda a diferença.
Mas se quiser dissertar sobre algo mais lato penso naquele lema de que não existem maus funcionários, existem apenas maus líderes, é a causa de tudo isso.
Quer dizer, quando o chefe, sim, chefe, ele não é, ele não foi, nem nunca será líder de qualquer equipa. Ele é apenas um cobarde, que só sabe gritar e que tem a mania que sabe mais que os outros, não sendo capaz de ser humilde o suficiente para conseguir admitir que está errado ou que os outros podem ter razão. Irra!!! Ele pode ser comparado a uma hiena (tenho a certeza que já fiz esta comparação antes) que rouba os espólios de guerra, incentiva os outros a atacar, mas esconde-se para depois da sangria regozijar-se da vitória.
Eu não tenho nada contra aqueles que vem do nada e conseguem subir a cargos de topo com o esforço do seu trabalho, eu tenho contra aqueles que depois de lá estar tratam os outros como lixo e não os deixam subir na hierarquia. O trabalho deles tem mais valor que o dos outros. Eles sim têm valor! Sem eles nada funcionava e os outros são todos dispensáveis e substituíveis, só eles não.

Podem até dizer que isto é normal, isto é o prato do dia, mas alto lá, isso é muito pouco profissional, e temos que nos impor. Confesso que estou mesmo farta disto! Estou farta destas hipocrisias de sr eng e sr dr, e tretas que tais. E estou farta de patrões que dão valor a funcionários que sempre lhes dizem amem e depois fazem-lhe um manguito por trás das costas, que só fazem asneiras, mas não se responsabilizam por nada, porque também não são chamados a isso. Metem a viola no saco quando fazem asneiras e dizem: Eu não!!!! (Que bela arrochada merecias se fosses meu filho. Ias ver a que te sabia! Papa açorda, nem lá vou nem lá fico. Andavas de roda, minha papa açorda, e com licença da açorda, que com uma couvinha e bacalhau sabia pela vida!)

Agora só me dá vontade de lhes dar uns bons gritos. Não são capazes de abrir a boca para nada e estão ali parece que não estão, e se ninguém os chamar para nada melhor! Entram e saem como fantasmas os raios! Têm neurónios para enfeitar o cérebro. Recusam-se a pensar os canalhas! Porquê?

Não é que o chefe entra no local, vira-se para mim ,e piscando o olho, sugere que diga à paspalha que se mexa ou que faça uma coisa em que durma menos! Quer dizer, uma coisa em que durma, mas que não se nota que dorme! Isto é gozo! Então não é que o homem estava de sobreaviso que ela não se mexia e, ainda assim, chamou a dita cuja novamente sem água vem nem água vai, assina contrato sem dar contas a ninguém, e depois ainda quer que eu a eduque. Ela não é minha filha! Não é a mim que os pais dela dão as batatas e os repolhos.
A partir de agora vai ser guerra, quando lhes dirigir a palavra vai ser como general: em sentido e ouvidos bem abertos para as ordens do general1 Quem fizer asneiras vai ficar de castigo. Ponto final!

Mas a minha busca é mais profunda. A raiz do problema, qual a raiz do problema? E a resposta é sempre a mesma: motivação. Como motivar – liderar.
Temos de formar lideres neste país. Temos bons soldados (voltando á analogia do exército), mas não temos oficiais, lideres que saibam liderar as tropas, por isso é que tantas vezes perdemos as batalhas do crescimento económico, do desenvolvimento tecnológico ou da educação.


A liderança começa na nossa vida. Tomar as rédeas da vida e arrear caminho, ainda que seja com medo, mas com a certeza de que fazemos aquilo que nos vai no coração. Encontrar um companheiro para não seguir jornada sozinhos. Ou então seguir sozinhos desde que sejamos felizes, estamos completos. Se for isso que nos pede a alma, seja isso que façamos.

Depois tomamos a rédea da educação dos filhos. Vemos tantos pais queixando-se da hiperactividade dos filhos, será que lhes prestamos atenção mesmo? Será que nos preocupamos em escutar as dúvidas, em ouvir os medos, em conversar com eles, em perguntar como foi o teu dia, ou simplesmente nos limitamos a balbuciar palavras em frente ao televisor ou quando os vemos bater a porta e vociferamos contra a sua falta de educação? Mal agradecido! Trabalho que nem um mouro para me virares as costas! Eu até entendo que hoje em dia temos que nos ocupar do trabalho, porque senão não colocamos o pão na mesa, mas lembrem-se: nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. E Deus fala através de nós pois ele não tem rosto, tem o nosso rosto, porque temos o seu rosto. Entendo que queremos dar lhe o que não tivemos, mas deixamos de dar o mais importante amor, com gestos e palavras e não amor com objectos.
Então e que acham que aconteceria se ensinássemos os nossos filhos e tomarem as rédeas da sua vida? E dou ênfase a algo importante, não esqueçam que as crianças aprendem imitando, por isso nada melhor que tomarem o exemplo dos seus pais. Não! Não digam que é dever dos professores, porque deles apenas devem tiram os conhecimentos sobre ciência, sobre história, línguas, ou outra coisa qualquer que nada tem a ver com o modo de estar e de agir... Por favor não insultem a minha parca inteligência! Dois olhos de testa vêm isso.

Sinceramente acho que devemos parar para pensar. Eu até sei, como dizia alguém no rádio que a hiper emancipação da mulher abalou de forma trágica a estrutura da família. Faltaram as bases para ela se sustentar de forma equilibrada, os pilares que seguram a estrutura, preocupam-se em segurar o telhado e não as paredes. Uma casa despida, desprotegida das intempéries. Ambos os pais estão fora para ganhar dinheiro, e ninguém tem tempo para cuidar dos filhos. Mais que nunca os avós ocupam um papel fundamental na sua educação, meus queridos pais!
Entendo tudo isso! falta de tempo, tenho que trabalhar...
Mas então onde está esse tempo fundamental que devemos dar á família, base de qualquer sociedade? Devemos repensar os modelos, devemos repensar tudo e reformular se queremos um sociedade equilibrada, onde se cultiva o amor, as relações humanas bem sucedidas, ou se queremos pessoas frustradas em relações frustrantes, onde confundimos amor com obrigação, com prazer, com necessidade, com outra coisa qualquer que justifique que as pessoas se relacionem de uma maneira ou de outra, sem perceberem muito bem como agir ou como se posicionar, como entender os seus próprios sentimentos! Como saber agir! Como saber ouvir-se.
Tudo isto pode até parecer muito confuso, mas é a única forma de eu explicar de uma forma lata este conceito. Parece até um conceito ultrapassado, mas só o amor é real.

E o amor pode levar-nos de volta ao conceito de líder. Amar o que faço, porque faço o que a minha alma quer. Faço o que me faz sentir bem. Faço o que faço com amor e posso ser um bom líder.

Devemos entregar-nos aos caminhos que escolhemos com amor, e não com reverência beática de quem se resigna e rezinga a uma vontade superior.

Faço tudo com desprezo, porque desprezo a minha vida. Não vivo o que quero viver. Vivo dizendo que vivo o que me deixam viver, e imponho aos outros essa infelicidade. (Se isto faz sentido para alguém digam, porque nem eu que debito as palavras entendo o que digo.)

Lideres em casa, lideres nas escolas, lideres na rua, lideres no trabalho, lideres na vida. E quem faz as coisas com amor, consegue transmitir no olhar, num gesto ou na voz essa alegria contagiante. Também no trabalho, aos colegas, aos subordinados (mesmo aos mais insubordinados) e aos chefes transmitimos essa energia. É como um ciclo vicioso que não pode parar. Se essa energia positiva começar, começar com força com vontade, com verdade, com real sentimento, nada pode para isso. Podemos fazer a diferença.
Isto é o que nos diz o universo.
Não entendo como posso começar com um assunto e terminar noutro, mas com dizem as conversas são como as cerejas ;)

Foi bom conversar contigo. Ouves sempre o que tenho para dizer;)
Dorme bem vemo-nos qualquer dia...

Vamos liderar a mudança!

Surpreendente

Quando passo os olhos pelas palavras que escrevi num passado que parece tão distante surpreendo-me.
Depois vem alguém que não conheço que também me surpreende, que me chama para uma razão que emociona de verdade. Até as lágrimas tenho de conter e digo com verdade, porque aqui mostro a verdade de mim, aqui escrevo o que não digo, mas penso. Este é o meu compromisso.
Hoje venho aqui dizer-te, dizer a todos, que de facto não tenho pensado, e quando não penso, quando não sou eu em mim, nada te digo, nada vos posso dizer.
Aqui posso encontrar o que tenho de melhor por vezes até aquilo que procuro esconder. Aqui encontro um escape para mais um dia de uma vida que por vezes me desespera. E para aqueles que tantas vezes me dizem escreve algo feliz, digo apenas que escrevo o que sinto, mas sinto que não sou infeliz. E para os que se preocupam, digo que estou bem.
Hoje procuro apenas o silencio, procuro o rumo que todos tentamos encontrar, e digam-me: quantos de nós o conseguimos encontrar? Muito poucos.
Hoje considero-me uma eremita e digo fascinada que incrivelmente conseguimos ser eremitas nas nossas grandes cidades. Quanto maiores melhores! Hoje entendo mesmo que aqui na cidade sinto o equilíbrio que desejo e sei que na solidão posso ser feliz. Cada um segue o seu rumo, e encontra por essa rua o seu sonho, ali mesmo ao virar da esquina temos o que precisamos, inesperadamente ali. (Continuo uma sonhadora, uma romântica incorrigível.)

Se tenho o que quero? francamente não sei. Sei que não tenho o que mereço, mas também quem acha que tem o que merece? Ninguém...
Se procuro algo melhor? não procuro...não procuro nada. A minha vida estagnou num tempo e num espaço que não reconheço, mas a que me acomodei de uma forma estranha e tão passiva como um feitiço.
Porra para esse feitiço! Atou-me de tal forma de pés e mãos que me deixou assim imóvel!
Mas estou bem. É estranho...é irreconhecível e certamente é alguma patologia que tem um tratamento de choque recomendado por qualquer psiquiatra. Faça alguma coisa radical senhora!Tem de lutar contra esse estado! Mas qual estado? Lutar contra que mal? Se te digo que estou bem, porque lutar?
É este enigma que por vezes se acerca da minha mente.
Mas isto é um vicio, uma droga, daquelas com tratamento doloroso, que nos leva por vezes à loucura.

Sinto que falei de mais. Alonguei-me em algo que deveria ser apenas um alegre sentimento de espanto. Afinal existe alguém que la longe lê as palavras loucas que meus pensamentos vão ditando em dias cinzentos.
Obrigada.

A calma no medo

Uma calma estranha...
Sempre admirei quem no meio de uma tempestade consegue manter a calma. Mas neste caso é algo estranho, parece apenas uma certa indiferença.
Distancia. Sinto-me distante. Sinto-me como dentro de uma redoma onde nada me pode afectar, onde nada me poderá ferir.
É muito complicado e parece apenas simples. Confesso que não sei como entender, não sei como simplificar e justificar os actos.
Antes de uma guerra existe sempre um silêncio ensurdecedor, é até algo ameaçador, mais ameaçador do que o medo que temos do adversário. Este é o medo da incerteza, o medo do que está para além da porta, o medo do que não podemos ver, do que apenas podemos sentir. O medo do que não podemos controlar.
Não me apetece divagar sobre sentimentos profundos nem lógicas de vida. Queria entrar dentro do meu subconsciente e entender.
Uma busca irracional por uma razão deste sentir. Nem fracções, nem equações com “N”variáveis, poderão formular uma explicação lógica ou racional para o medo. Mas a estranha calma que sinto deixa-me intranquila…