Uma calma estranha...
Sempre admirei quem no meio de uma tempestade consegue manter a calma. Mas neste caso é algo estranho, parece apenas uma certa indiferença.
Distancia. Sinto-me distante. Sinto-me como dentro de uma redoma onde nada me pode afectar, onde nada me poderá ferir.
É muito complicado e parece apenas simples. Confesso que não sei como entender, não sei como simplificar e justificar os actos.
Antes de uma guerra existe sempre um silêncio ensurdecedor, é até algo ameaçador, mais ameaçador do que o medo que temos do adversário. Este é o medo da incerteza, o medo do que está para além da porta, o medo do que não podemos ver, do que apenas podemos sentir. O medo do que não podemos controlar.
Não me apetece divagar sobre sentimentos profundos nem lógicas de vida. Queria entrar dentro do meu subconsciente e entender.
Uma busca irracional por uma razão deste sentir. Nem fracções, nem equações com “N”variáveis, poderão formular uma explicação lógica ou racional para o medo. Mas a estranha calma que sinto deixa-me intranquila…
"Aqui, deposta enfim a minha imagem,/ Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,/ No interior das coisas canto nua./ Aqui livre sou eu - eco da lua/ E dos jardins, os gestos recebidos/ E o tumulto dos gestos pressentidos,/ Aqui sou eu em tudo quanto amei." Sophia de Mello Breyner
A calma no medo
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