Num dia comum

Não lembro o dia em que me cruzei contigo pela primeira vez. Devia ser um dia tão comum, um daqueles dias onde parece que não conseguimos ter tempo para respirar e onde não prestamos atenção a nada do que nos rodeia. Sei apenas que um leve toque bateu no meu coração, que levemente corou, sorriu, e sem perceber, envolveu-se nessa magia dos sentidos.
Quase não nos cruzamos, ou talvez nos tenhamos cruzado demasiadas vezes nos últimos tempos. Não fazemos nada para isso, a vida obriga-nos a isso, e sem querer fomos sorrindo, fomos trocando olhares, fomos corando com uma palavra, fomos ficando sem graça e alguém reparou. Conversamos sobre tantas coisas e parece ser sempre tão pouco o tempo que passamos juntos. Parece que temos sempre tanta coisa para contar para mostrar, para partilhar. Tudo é tão natural, que quando estamos os dois, parece simplesmente não existir nada mais em nosso redor, não prestamos atenção a nada que não seja apenas a nós, e tocamo-nos levemente com uma timidez quase infantil. Um toque como fogo, um desejo contido pelo medo.
Sempre que partes e te despedes dessa forma romântica de tempos idos, os olhos sorriem numa lágrima que foge. Curvo-me a este sentimento sem explicação lógica, sem razão aparente, só a emoção sobrepõe a razão porque negamos esse sentimento.

Posso sentir-me feliz assim, feliz por saber desse teu amor, feliz por saber de ti e feliz porque entre nós existe esse toque na alma, esse reconhecimento de almas que se unem, que se uniram, que se unirão numa feliz coincidência de se sentirem felizes quando perto.
Sei que as coisas não passarão de um momento feliz. Também não sei se quereria muito mais do que esse momento. Talvez o medo se sobreponha a tudo, talvez seja apenas a razão, talvez seja a impossibilidade do momento, talvez não nesta vida, num outro tempo, num outro corpo, num outro mundo… talvez um dia, num desses dias comuns o amor se revele.

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