Acorda para a luz

Um pouco de sorriso no rosto como pó de arroz, para cobrir a tristeza.
Queria ter talvez um sorriso forçado, mas não consigo, talvez o cansaço...talvez o rosto marcado pelos olhos cansados me fechem o sorriso...
Procuro, mas não encontro. Procuro e não obtenho resposta, apenas me fala a voz do silêncio e da desilusão...é algo que procuro e não sei o quê!
Como podemos encontrar algo que não sabemos o que é?
Como posso que me encontrar se não sei quem devo procurar? Um sinal...um momento de despertar, mas olho em redor e nada me faz acordar deste eterno adormecimento, o adormecimento de mim.
Não oiço a minha alma, o meu ser mais profundo, nada... Já não oiço a voz, apenas o silêncio, o estranho silêncio em mim. Apenas a voz do costume que pergunta onde procurar, o que procurar?
Acorda para a luz de ti! Acorda para a vida que és tu!

O caminho de luz

O caminho faz-se caminhando.
Às vezes caminhamos sem destino, ou caminhamos por um trilho que alguém já trilhou e seguimos apenas os seus passos.
Outras vezes caminhamos ao lado de alguém que sabe para onde vai e vamos com ele.
Outras sabemos para onde queremos ir mas tememos os perigos do caminho…
Não importa a forma como o fazermos, o que importa é que o façamos com um objectivo certo de seguir pelo caminho que nos levará á felicidade.
Mas para o fazer temos de ir bem dentro de nós e conhecer-nos. Conhece-te a ti mesmo. Vai ao teu interior á tua alma e ouve a sua voz, a sua prece, ouve o teu ser mais puro e segue o teu caminho de luz.

A chegada a Santiago



E os três companheiros chegaram finalmente ao seu destino: Santiago.

O caminho foi duro, exigiu muita coragem e disciplina, mas principalmente força de vontade.

Depois da chegada uma certa desilusão, uma necessidade de ir mais além.
Santiago podia receber-nos melhor. Cresceu à conta dos peregrinos e agora não os respeita. Era bom que isso mudasse.

As portas vão se fechando...

Fecham-se portas. Vão se fechando e serrando as portas, as saidas do labirinto da vida. Fecham-se simplesmente sem se abrirem outras...
Onde vai levar me este caminho?

Desiste...

Pareço remar contra a maré. Sensação estranha...
Parece que o universo se virou contra mim e me disse: Desiste!
Dentro de mim talvez uma vontade apenas animal de sobrevivência, uma vontade inata que me diz não pares de lutar.
Não sei quem devo ouvir, se a voz que me manda lutar se o universo que me grita para parar.

Dilema de vida, lutar por ela ou apenas deixar me levar pela corrente... Não sei que fazer.
Não sei se devo acreditar nos profetas da desgraça que me anunciam devastação e sofrimento ou se devo sentir apenas a calma que vem dentro de mim e me diz tudo vai correr bem. Não sei...
Não consigo encontrar em lado nenhum quem me me traga paz para este dilema.
Não sei se posso ouvir a voz que me enche de vontade para lutar, não sei se ela é apenas a ilusão ou a alma a falar.
Quem em diz o que devo fazer? Já alguém passou por isto?
Quem devo ouvir? Quem devo seguir?

Meus Deus! Meu Deus! Porque me abandonaste?

Hoje estou devastada. O mundo desabou sobre mim. Há 10 anos que não recebia uma noticia tão má.
Depois de Deus me tirar um pai, tira-me a casa, a única que conheci como minha.
Deixou-me na rua, deixou-me com a vergonha na cara. Baixou-me os olhos e fez com que perdesse a vontade de voltar ao sitio que me viu nascer. Tirou me a vontade de voltar a respirar esse ar rarefeito e fresco da serra. Tirou me a vontade de voltar a sentir o vento gélido na cara e aconchegar-me na lareira, ouvindo o crepitar do lume.

Tirou me a vontade de voltar ao sitio onde o sono é mais tranquilo.
Devagar, lentamente, sádico, tiras-me o que mais gosto e nada me devolves em troca. Onde está a janela que deves abrir quando fechas uma porta? Onde está o equilíbrio que na natureza tudo compõe? Onde Meus Deus? Onde estás tu que em tudo devias estar presente, porque não existes apenas, mas sim tudo és, onde estás tu? Todos os dias pergunto onde estás quando sofro as penas da vida. Onde está o pai quando o filho lhe pede ajuda?

Sinto-me como Cristo na cruz: Meus Deus! Meu Deus! Porque me abandonaste?
Nada do que faço te traz apreço e regozijas-te com a minha dor. Nada me ofereces tudo me tiras. Tira-me o que me foi dado sem nada te pedir, já que nada do que te peço me dás. Se o que me ofereces, a dor, for o que me faz falta, então Meu Deus te peço leva tudo o que me ofereceste, porque tudo te dou. E agora Meus Deus depois de tudo te dar, leva-me a vida porque sem nada ela já não faz sentido.

Nada do que desejo vem, nada do que realmente quero se torna realidade, tudo o que consigo parecem apenas sobras de uma festa que alguém viveu. Sobras...como um mendigo, sem esmola, nem esmola te dignas dar a um mendigo, que não te pede poder, nem mansão, apenas um tecto e um pouco de dignidade.
Tratas-me como se eu nada merecesse mas castigo, castigo que não mereço. Punes os meus actos ou inacção? Se nada faço castigas, se tudo faço castigas.
Não te entendo. As tuas palavras são estrangeiras aos meus ouvidos e afasto-me de ti, porque minha crença perdeu a chama.

Meus Deus! Meu Deus! Porque me abandonaste?

O futuro: será que queremos o futuro?

O futuro, visto aqui do presente parece-me apenas um apocalíptico fim...um caminho que se avizinha difícil e, no entanto permanecemos serenos. Permanecemos numa indiferença assustadora.

Existe uma surdez, uma cegueira espantosa num mundo que se diz desenvolvido. Permanecemos e assistimos impotentes a uma escalada sem precedentes das tragédias que todos os dias abrem as páginas dos jornais. Desligamos, mudamos de canal, de página e procuramos esquecer rapidamente. Afasto-me de algo que acho não me dizer respeito, e uma dor que bate de mansinho e me turva a mente, turvam-se as ideias do futuro dispersas numa inquietação, numa incerteza aterradora.

A guerra, o genocídio, a fome, o terrorismo, o petróleo, o gap entre ricos e pobres, as cheias, os terramotos, as secas, a água, tudo se precipita num fim, um fim que não encontra no caminho uma ideia de solução. Tudo se precipita, só nós não nos precipitamos para a mudança.
A indiferença num tom de ironia suprema num mundo que se diz o expoente da civilização e mostra apenas na indiferença o expoente do primitivismo em que o ser humano se encontra...
O absurdo da civilização leva a minha mente a um abismo apenas comparável ao infinito de o eu referenciando se num ponto onde possa ver todo o universo.

Como é que apenas uma célula do meu corpo pode condicionar todo o seu funcionamento?
Como é que apenas um ser humano como eu pode condicionar toda a humanidade? Este é o ponto de partida para a minha acção contra toda a minha NAO acção. Este deve ser o ponto de partida parar todos nós, que indiferentes ao cataclismo do mundo caminhamos nas nossas vidinhas, caminhamos indiferentes a tudo, até à nossa própria miséria, à nossa infelicidade, ao nosso descontentamento mostramos indiferença.


O ponto de acção é o ponto em que alguém grita BASTA. Um ponto em que mudamos o rumo, o curso da nossa vida, da vida do que nos rodeia. Mas mudar a vida requer uma força que se baseie na verdade, no amor, na solidariedade, na compreensão, no social, na partilha e não no ódio, não na guerra, não no egoísmo, ou na mentira, não na ideia do eu único, do eu ter, mas sim na ideia do eu com, do eu ser.

Parece difícil? Ninguém disse que era fácil. Na verdade o difícil é escutar, é sentir o nosso coração, é ouvir a alma, é estender a mão ao sentimento e vencer o medo da incerteza, vencer o medo de falhar, o medo que tolhe a condição humana e nos deixa nessa condição de animais, de macacos que condicionam as suas acções com medo, medo de perder o seu território.

O mundo é de todos, é de todos nós, e se todos entendermos que pertencemos a esse ser que é a terra então isso será a verdadeira revolução, e verdadeira solução para o apocalipse que se avizinha.
Esta é a nosso revolução interior. O mundo que passou por tantas revoluções, precisa de uma revolução interior do ser humano, precisamos de revolucionar as mentes, que se ligam ao passado de guerra, para se ligarem ao futuro de paz, de amor...

O segredo do futuro,
É o amor
Um amor sublime e puro,
O belo amor
Só o amor
Resolve tudo numa esperança maior

Sem amor
O que foi grande é já menor
Sem amor
O que era bom ficou pior
Só o amor
Resolve tudo e traz a esperança até nós

Eu vejo o tempo a passar muito depressa

E ao longe essa esperança
Que sinto apagar
Chamou por mim
Para eu a chamar

A ideia de amor
Aconteceu
na estrada da Terra até ao Céu
A ideia de amor não se perdeu
E devolveu tudo o que se deu
A chave do futuro é dar de novo amor
A todo o "outro"...
O "outro" que és tu, e ele, e eu,
A sós neste mundo
Letra de Pedro Ayres Magalhães


A serra

Um canto de gentes ao longe:

É o Caramulo a serra mais linda
Vai cheia de encanto, de beleza sem fim

Pelo monte alem e pelo sol dourado
Pastor a sorrir vigiando o gado.

Regatos correndo pela serra em flor
Chamando baixinho pela mãe de amor

...
Um tilintar e as ovelhas ao fundo da ribeira, ágeis trepando as pedras. Os borregos berrando pela mãe e o pastor com sua capucha negra, e seu cajado moldado pelas mãos áridas, pega no colo o bezerro desgarrado.
Na frente segue um velho cão preto malhado, orelhas baixas e olhos castanhos redondos, que fitam com olhar desconfiado os estranhos.

Segue o olhar para o horizonte e lá ao fundo onde o sol toca o mar, posso descortinar um espelho de luz, onde recortes de agua percorrem a terra. Uma língua de terra entra pelo mar como um braço cansado que descansa pousado sobre a areia da praia.
O olhar perdesse neste cenário deslumbrante. A mente centra a sua atenção na beleza do quadro que nenhuma imagem podia descrever, apenas os sentidos podem sentir o vibrar das gentes o pulsar da terra, o murmurar do vento nos meus cabelos.
Mesmo aqui tão longe de ti, posso sentir-te em mim, posso sentir a tua vida correr dentro de mim.
Eu sou tu e tu és eu. Somos unas no instante em que penso em ti.
A calma, a paz que me dás revigora-me os dias pesados. Rainha, imperatriz, o mundo a teus pés, até perder vista... até eu perder de vista os meus dias...

O que me resta?

Tantas palavras, tantas imagens e nenhuma pode expressar o que sinto, ou apenas o que não sinto. Estou aqui num canto, parada num mundo onde tento encontrar um espaço meu. Nada tenho de meu.

Um sofrer em silêncio, um chorar baixinho sem lágrimas, apenas uma dor.
Vasculho a razão, o porquê de me esconder do mundo.

Vou à rua apenas porque tenho de sair para o trabalho. Se me chamam invento mil desculpas. Não quero ver ninguém, não quero estar com ninguém, não quero que me visitem, não quero visitar ninguém ou sequer falar com alguém.

No entanto, procuro ocupar o meu tempo com algo que desejo, e não desejo. Não encontro nada que realmente satisfaça o meu desejo de querer tanto nada querer.
Quero o silêncio, mas também desejo todas as músicas, as músicas que me fazem cantar. Quero pintar, mas não me entendo com os pincéis, quero escrever, mas não encontro as palavras que combinem com os pensamentos. Fogem as palavras para os versos, mas a mão para o branco da folha. Quero ver todas as imagens, mas fogem-me os olhos para o negro da noite.

Amo a solidão, mas detesto esse amor. Fico feliz no meu canto sem que ninguém me contradiga, me importune, me atrapalhe a mente, e receio por saber que ela é mais forte que eu.

Desejei tanto ser dispensável, que ao me reduzir a isso percebi que detesto ninguém pensar, precisar, chamar, ligar.

Olho o telefone e ele não toca, ninguém me chama, e perdi a vontade de chamar alguém.

Agora sei que se partisse de mansinho, ninguém lembraria o meu nome.

Finalmente consegui o que queria e odeio me por isso.

Já nem consigo fazer o esforço de estar com alguém apenas me quero ver entre estas paredes que me aprisionam a alma, o corpo, mas principalmente a mente e a vontade de criação, de mudança.

Fico feliz com as pequenas coisas que me dão prazer, com os meus livros, com as minhas séries, com as minhas canções.

Contento – me com o pouco que me restou. Contento-me com o pouco a que posso chegar. Contento-me com a minha pobreza de espírito e como com o pouco dinheiro que me restou na conta bancária. O pouco que possa alcançar deixa-me feliz nesta infelicidade.

Já odeio as palavras e os riscos que faço com o lápis. Já odeio os pensamentos, mas o que mais odeio é a não vontade. Odeio o buraco que escavei, de tão fundo que foi, de tão perfeito que foi, agora não consigo sair dele. Ë mesmo coisa minha. De tão perfeccionista que sou, escavei um buraco impossível de sair. Num uma grua me pode tirar de um sítio que temo sair.

Turva-me o olhar e julgo que perco mesmo as forças em alguns, nesta ilusão de vida.

Timor - o corcodilo no ninho de víboras

Quando ontem á noite ouvi o disparate que aconteceu em Timor fiquei revoltada. Como Portuguesa custa-me ouvir estas insanidades mentais numa democracia jovem que por infortúnio está metida num covil de víboras: australianos e indonésios, dois povos que têm de tanto de cruel como de facínoras. Uns são provenientes de criminosos ingleses outros de piratas holandeses e tribos canibais.
Desculpem-me se ofendo alguém, mas é só a minha revolta a falar. Como é possível que continuem a chacinar um povo que, por ser tão pequeno, continua sem voz para se fazer ouvir. Não me digam que é entre eles, são as diferentes facções que não se dão? Uma ova é que é! São apenas interesses económicos a falar.

Revolta-me isto. Porque será que penas quando a sua voz se junta à do povo português é que eles são ouvidos e respeitados como seres humanos, ainda que os fulanos da comunidade internacional o façam só por fachada?
Um povo que continua na miséria mesmo de pois da independência, que contínua na pobreza quando com um pouco de honestidade, de lealdade, de solidariedade poderia salvar a situação. E mais incrível é que mesmo que vá um português e tente, vem sempre algum sacana australiano que dá volta á situação. Políticos corruptos, que deixaram à muito o seus ideais pela cor do dinheiro.

Deixem esse povo em paz. Deixem o povo falar, deixem o povo da montanha viver na sua paz, na paz da montanha, essa paz perturbada apenas pela chuva da monção que embala com seu cântico as horas.

Cordeiros

Um dia no outro, que chama outro como conversas de café que se arrastam pela madrugada qual cerejas.

Assim vão os dias, as noites da humanidade, arrastando-se…arrastamos o dia... Um instante uma eternidade, um momento uma vontade, a verdade que não trás felicidade.

Criamos ideias ilusórias, ou não criamos. Só quem se define nos seus ideais encontra caminhos que lhe trazem felicidade, porque são trilhos que ele esculpiu na terra e marcou com suas suadas mãos.

O lavrador não descansa quando deita a semente na terra, começa aqui a sua canseira. Quando a semente cai na terra ele deixou de controlar o tempo. Terá de reger o seu tempo com a vontade prévia de criar vida naquele instante e, se quer ver o fruto dessa vontade, terá de lutar por ela.

Deixámos de ser lavradores, somos apenas compradores de vontades, de ideias. Vendemos a vontade por um punhado de reis no alforge.

Quão conveniente é a senhores vender suas vontades e ideias. Sorte a deles que guiam os cordeiros para as pastagens como para o matadouro. Ao cordeiro é indiferente. Confiamos nos pastores que nos guiam, em vez de sermos pastores de nossos caminhos.

Quero vontade, ideias, criação, acção, determinação no caminho que sigo e vejo ou espelho só um cordeiro.

Sermão aos peixes

Dei por mim a pensar em como me sinto isolada no meio de tudo. Isolada no meio dos colegas de trabalho, no meio do trânsito, no meio dos amigos... dou por mim a falar aos peixes como o padre...falo, mas não me ouvem. Parece que o que digo não interessa e quando vou para dizer algo sobre mim, a sua indiferença é tal que dói.
Quando alguém se acerca de mim e me pede concelhos ou simplesmente me fala do seu dia, das suas expectativas, das dificuldades, dos sonhos, tento escutar, tento, nem que tenha de disfarçar algum cansaço no rosto.
Mas quando eu falo, ninguém parece escutar. Há tanto tempo que deixei de falar de mim, que já nem lembro porque parei. Talvez porque ninguém nunca me escutou, talvez por isso tenha simplesmente parado de falar do que sinto, do que penso, dos problemas, da vida, do que fiz do que não fiz. Passei a falar só de trabalho e fechei-me.
Agora lembro que talvez tenha sido aborrecida, muito pessimista, talvez ninguém me levasse a sério.
Talvez tenha dito tantas vezes que queria morrer, que ninguém escutou quando estava mesmo em baixo. Ninguém perguntou o que mudou, porque deixei de falar sobre mim.

Nada...escuto o silêncio da casa e é o mesmo silencio dos que me rodeiam. Posso olhar em volta e ver os seus rostos distantes...ainda que dê um grito não me escutarão.
Posso elevar me acima das suas cabeças e flutuar dali para fora que não darão conta. Também não entendem porquê, porque sendo igual sou diferente.

Se não querem entender, se não se importam, isso também não me importa, serei feliz igual. E na minha mente sentir-me ei sempre acima das vossas cabeças a flutuar…

Dias

Há dias assim. Há dias em que o dia parece voar. Em que tudo parece ser tão simples. Em que tudo parece como um sonho. Um dia de sol num dia de inverno que nos dá um alento de primavera...há dias assim...
Outros há em que ficamos assim sem saber porquê...é como depois de um adeus um vazio... uma perda. Uma vontade de reduzir a nada o ser que parece deixar de habitar, que parece deixar de existir. Um mundo surreal parece cercar-nos na penumbra da manha...talvez seja apenas o nevoeiro que amanheceu comigo...Talvez seja apenas o nevoeiro...

Outros há em que tudo se desmorona á nossa passagem, como tempestade demolidora, como furacão implacável, que destrói as fundações da nossa vida...Tudo parece ruir num desespero, num grito surdo ao mundo, que recusa a nossa vontade. Agarramo-nos aos ramos das árvores que caíram na estrada para não sermos apanhados pela maré viva que arrasta tudo á sua passagem...

Há dias em que sentimos a revolta de um preso numa solitária sem porta, um buraco fundo onde nos depositamos e esperamos que o opressor se retire para votarmos á luz do dia.

Uma tontura num dia assim, num dia qualquer, sinto uma leve tontura que me deixa caminhar cambaleando, agarrando-me a paredes brancas cobertas de cal macia onde vejo escritos rostos desconhecidos.

Levemente deixo-me levar por um sonho de imagens que me transportam para um vazio…uma dor, uma agonia da alma…não sinto…finjo sentir na loucura do dia…um dia como outro qualquer…

O dia parece não ter fim.

Fim.

Queria ter um fim, para um inicio de uma história diferente…, mas o dia ficou assim.