Há dias assim. Há dias em que o dia parece voar. Em que tudo parece ser tão simples. Em que tudo parece como um sonho. Um dia de sol num dia de inverno que nos dá um alento de primavera...há dias assim...
Outros há em que ficamos assim sem saber porquê...é como depois de um adeus um vazio... uma perda. Uma vontade de reduzir a nada o ser que parece deixar de habitar, que parece deixar de existir. Um mundo surreal parece cercar-nos na penumbra da manha...talvez seja apenas o nevoeiro que amanheceu comigo...Talvez seja apenas o nevoeiro...
Outros há em que tudo se desmorona á nossa passagem, como tempestade demolidora, como furacão implacável, que destrói as fundações da nossa vida...Tudo parece ruir num desespero, num grito surdo ao mundo, que recusa a nossa vontade. Agarramo-nos aos ramos das árvores que caíram na estrada para não sermos apanhados pela maré viva que arrasta tudo á sua passagem...
Há dias em que sentimos a revolta de um preso numa solitária sem porta, um buraco fundo onde nos depositamos e esperamos que o opressor se retire para votarmos á luz do dia.
Uma tontura num dia assim, num dia qualquer, sinto uma leve tontura que me deixa caminhar cambaleando, agarrando-me a paredes brancas cobertas de cal macia onde vejo escritos rostos desconhecidos.
Levemente deixo-me levar por um sonho de imagens que me transportam para um vazio…uma dor, uma agonia da alma…não sinto…finjo sentir na loucura do dia…um dia como outro qualquer…
O dia parece não ter fim.
Fim.
Queria ter um fim, para um inicio de uma história diferente…, mas o dia ficou assim.
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