Dei por mim a pensar em como me sinto isolada no meio de tudo. Isolada no meio dos colegas de trabalho, no meio do trânsito, no meio dos amigos... dou por mim a falar aos peixes como o padre...falo, mas não me ouvem. Parece que o que digo não interessa e quando vou para dizer algo sobre mim, a sua indiferença é tal que dói.
Quando alguém se acerca de mim e me pede concelhos ou simplesmente me fala do seu dia, das suas expectativas, das dificuldades, dos sonhos, tento escutar, tento, nem que tenha de disfarçar algum cansaço no rosto.
Mas quando eu falo, ninguém parece escutar. Há tanto tempo que deixei de falar de mim, que já nem lembro porque parei. Talvez porque ninguém nunca me escutou, talvez por isso tenha simplesmente parado de falar do que sinto, do que penso, dos problemas, da vida, do que fiz do que não fiz. Passei a falar só de trabalho e fechei-me.
Agora lembro que talvez tenha sido aborrecida, muito pessimista, talvez ninguém me levasse a sério.
Talvez tenha dito tantas vezes que queria morrer, que ninguém escutou quando estava mesmo
Nada...escuto o silêncio da casa e é o mesmo silencio dos que me rodeiam. Posso olhar em volta e ver os seus rostos distantes...ainda que dê um grito não me escutarão.
Posso elevar me acima das suas cabeças e flutuar dali para fora que não darão conta. Também não entendem porquê, porque sendo igual sou diferente.
Se não querem entender, se não se importam, isso também não me importa, serei feliz igual. E na minha mente sentir-me ei sempre acima das vossas cabeças a flutuar…
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