A serra

Um canto de gentes ao longe:

É o Caramulo a serra mais linda
Vai cheia de encanto, de beleza sem fim

Pelo monte alem e pelo sol dourado
Pastor a sorrir vigiando o gado.

Regatos correndo pela serra em flor
Chamando baixinho pela mãe de amor

...
Um tilintar e as ovelhas ao fundo da ribeira, ágeis trepando as pedras. Os borregos berrando pela mãe e o pastor com sua capucha negra, e seu cajado moldado pelas mãos áridas, pega no colo o bezerro desgarrado.
Na frente segue um velho cão preto malhado, orelhas baixas e olhos castanhos redondos, que fitam com olhar desconfiado os estranhos.

Segue o olhar para o horizonte e lá ao fundo onde o sol toca o mar, posso descortinar um espelho de luz, onde recortes de agua percorrem a terra. Uma língua de terra entra pelo mar como um braço cansado que descansa pousado sobre a areia da praia.
O olhar perdesse neste cenário deslumbrante. A mente centra a sua atenção na beleza do quadro que nenhuma imagem podia descrever, apenas os sentidos podem sentir o vibrar das gentes o pulsar da terra, o murmurar do vento nos meus cabelos.
Mesmo aqui tão longe de ti, posso sentir-te em mim, posso sentir a tua vida correr dentro de mim.
Eu sou tu e tu és eu. Somos unas no instante em que penso em ti.
A calma, a paz que me dás revigora-me os dias pesados. Rainha, imperatriz, o mundo a teus pés, até perder vista... até eu perder de vista os meus dias...