O futuro, visto aqui do presente parece-me apenas um apocalíptico fim...um caminho que se avizinha difícil e, no entanto permanecemos serenos. Permanecemos numa indiferença assustadora.
Existe uma surdez, uma cegueira espantosa num mundo que se diz desenvolvido. Permanecemos e assistimos impotentes a uma escalada sem precedentes das tragédias que todos os dias abrem as páginas dos jornais. Desligamos, mudamos de canal, de página e procuramos esquecer rapidamente. Afasto-me de algo que acho não me dizer respeito, e uma dor que bate de mansinho e me turva a mente, turvam-se as ideias do futuro dispersas numa inquietação, numa incerteza aterradora.
A guerra, o genocídio, a fome, o terrorismo, o petróleo, o gap entre ricos e pobres, as cheias, os terramotos, as secas, a água, tudo se precipita num fim, um fim que não encontra no caminho uma ideia de solução. Tudo se precipita, só nós não nos precipitamos para a mudança.
A indiferença num tom de ironia suprema num mundo que se diz o expoente da civilização e mostra apenas na indiferença o expoente do primitivismo em que o ser humano se encontra...
O absurdo da civilização leva a minha mente a um abismo apenas comparável ao infinito de o eu referenciando se num ponto onde possa ver todo o universo.
Como é que apenas uma célula do meu corpo pode condicionar todo o seu funcionamento?
Como é que apenas um ser humano como eu pode condicionar toda a humanidade? Este é o ponto de partida para a minha acção contra toda a minha NAO acção. Este deve ser o ponto de partida parar todos nós, que indiferentes ao cataclismo do mundo caminhamos nas nossas vidinhas, caminhamos indiferentes a tudo, até à nossa própria miséria, à nossa infelicidade, ao nosso descontentamento mostramos indiferença.
O ponto de acção é o ponto em que alguém grita BASTA. Um ponto em que mudamos o rumo, o curso da nossa vida, da vida do que nos rodeia. Mas mudar a vida requer uma força que se baseie na verdade, no amor, na solidariedade, na compreensão, no social, na partilha e não no ódio, não na guerra, não no egoísmo, ou na mentira, não na ideia do eu único, do eu ter, mas sim na ideia do eu com, do eu ser.
Parece difícil? Ninguém disse que era fácil. Na verdade o difícil é escutar, é sentir o nosso coração, é ouvir a alma, é estender a mão ao sentimento e vencer o medo da incerteza, vencer o medo de falhar, o medo que tolhe a condição humana e nos deixa nessa condição de animais, de macacos que condicionam as suas acções com medo, medo de perder o seu território.
O mundo é de todos, é de todos nós, e se todos entendermos que pertencemos a esse ser que é a terra então isso será a verdadeira revolução, e verdadeira solução para o apocalipse que se avizinha.
Esta é a nosso revolução interior. O mundo que passou por tantas revoluções, precisa de uma revolução interior do ser humano, precisamos de revolucionar as mentes, que se ligam ao passado de guerra, para se ligarem ao futuro de paz, de amor...
O segredo do futuro,
É o amor
Um amor sublime e puro,
O belo amor
Só o amor
Resolve tudo numa esperança maior
Sem amor
O que foi grande é já menor
Sem amor
O que era bom ficou pior
Só o amor
Resolve tudo e traz a esperança até nós
Eu vejo o tempo a passar muito depressa
E ao longe essa esperança
Que sinto apagar
Chamou por mim
Para eu a chamar
A ideia de amor
Aconteceu
na estrada da Terra até ao Céu
A ideia de amor não se perdeu
E devolveu tudo o que se deu
A chave do futuro é dar de novo amor
A todo o "outro"...
O "outro" que és tu, e ele, e eu,
A sós neste mundo
Letra de Pedro Ayres Magalhães