Seguia-a pelo carreiro estreito da montanha, que nos levava a uma clareira, e num subito piscar de olhos perdi-a. Olhei em redor e não a encontrei. Silêncio. Nada ouvi. Nem o restolhar das folhas, nem o sussurrar do vento. Evaporou-se no ar, na minha frente e perdi-lhe o rumo.
Fui caminhando sozinha e procurei, mas o nevoeiro foi surgindo de mansinho e foi-me envolvendo numa doce loucura. Quando dei por mim, nada mais reconheci...
Nem a mim...
"Aqui, deposta enfim a minha imagem,/ Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,/ No interior das coisas canto nua./ Aqui livre sou eu - eco da lua/ E dos jardins, os gestos recebidos/ E o tumulto dos gestos pressentidos,/ Aqui sou eu em tudo quanto amei." Sophia de Mello Breyner
Um abismo
A indignação perante as injustiças deste mundo consome-me os dias e o pensamento.
Para cada lado que olhe vejo sempre o mesmo e com um tal descaramento que me escandaliza, ou como diz o outro: é insultuoso há minha pessoa. Como contribuinte, como cidadã, como pessoa, sinto-me insultada pelo modo como as coisas ocorrem neste país. Tudo muito normal, tudo muito legal, tudo muito lindo e muito sorrisinho para aqui e para ali. E é a crise, e vai dali e é a crise e vai daqui e mais um comprimidinho p´as dores, vira o rabo mais uma injecçãozita p´os sintomas, não vá a coisa pegar-se use-se máscaras. Mas no fundo nada se faz para curar realmente a peste que alastrou pelo país.
Atolam-nos com paracetamol e com bênçãos molha tolos, mas no fundo o mal permanece e alastra a muita gente de bem, aos que pagam impostos e são cumpridores da lei, aos pobres e aos remediados, vai chegando a todo o lado.
Isto de levantar a moral com promessas e intenções tem que se lhe diga, porque uma coisa é falar outra coisa é fazer umas cerimónias de milhões para dar a conhecer intenções. Então meus senhores onde está a contenção? Meu caro é só para alguns. Isto não é o Zimbabué mas para lá caminha.
E anda pobre trabalha para pagar os impostos que a gente um destes dias vai tirar aos ricos para te dar uma esmola. Reformas? Não pobre diabo, os teus filhos que te sustentem. Trabalho? Contenta-te com uma migalha e cala te boca, não digas que não vais daqui.
O êxodo para a cidade levou-os para uma armadilha de bem-estar, que agora se transformou em pesadelo. Não se vive, sobrevive-se.
É o stress, é o desemprego, mendigos em ruas de nobres senhores. Que fazer?
Sento-me num cepo velho corroído pelo tempo e pergunto-me: que fazer?
Descanso nesse cepo a alma e as pernas do dia de jornada e pergunto: que fazer?
Em redor vejo terras ao monte, vejo casas velhas ou novas sem gente, vejo rostos infelizes, vejo coisas belas em gentes desprovidas de alma e pergunto: que fazer?
Vejo um querer parecer o que não se é, vejo um pouco de nada em quem tudo tem…Vejo indiferença ao que passa ou nosso lado…
Vejo o abismo dentro de um povo que se perdeu algures numa caravela.
Para cada lado que olhe vejo sempre o mesmo e com um tal descaramento que me escandaliza, ou como diz o outro: é insultuoso há minha pessoa. Como contribuinte, como cidadã, como pessoa, sinto-me insultada pelo modo como as coisas ocorrem neste país. Tudo muito normal, tudo muito legal, tudo muito lindo e muito sorrisinho para aqui e para ali. E é a crise, e vai dali e é a crise e vai daqui e mais um comprimidinho p´as dores, vira o rabo mais uma injecçãozita p´os sintomas, não vá a coisa pegar-se use-se máscaras. Mas no fundo nada se faz para curar realmente a peste que alastrou pelo país.
Atolam-nos com paracetamol e com bênçãos molha tolos, mas no fundo o mal permanece e alastra a muita gente de bem, aos que pagam impostos e são cumpridores da lei, aos pobres e aos remediados, vai chegando a todo o lado.
Isto de levantar a moral com promessas e intenções tem que se lhe diga, porque uma coisa é falar outra coisa é fazer umas cerimónias de milhões para dar a conhecer intenções. Então meus senhores onde está a contenção? Meu caro é só para alguns. Isto não é o Zimbabué mas para lá caminha.
E anda pobre trabalha para pagar os impostos que a gente um destes dias vai tirar aos ricos para te dar uma esmola. Reformas? Não pobre diabo, os teus filhos que te sustentem. Trabalho? Contenta-te com uma migalha e cala te boca, não digas que não vais daqui.
O êxodo para a cidade levou-os para uma armadilha de bem-estar, que agora se transformou em pesadelo. Não se vive, sobrevive-se.
É o stress, é o desemprego, mendigos em ruas de nobres senhores. Que fazer?
Sento-me num cepo velho corroído pelo tempo e pergunto-me: que fazer?
Descanso nesse cepo a alma e as pernas do dia de jornada e pergunto: que fazer?
Em redor vejo terras ao monte, vejo casas velhas ou novas sem gente, vejo rostos infelizes, vejo coisas belas em gentes desprovidas de alma e pergunto: que fazer?
Vejo um querer parecer o que não se é, vejo um pouco de nada em quem tudo tem…Vejo indiferença ao que passa ou nosso lado…
Vejo o abismo dentro de um povo que se perdeu algures numa caravela.
Da Lei em Portugal, de alguns maus Advogados com carteira profissional, em especial. Aviso ao Dr. Marinho Pinto – ponha ordem nesses srs advogados
Recentemente pedi conselho ou parecer ou esclarecimento, como quiserem chamar, a um técnico de direito, uma advogada que anda já há muitos anos no ramo, e descobri que afinal a lei em Portugal é á vontade do freguês, ou seja, ela não é exacta e aplica-se dependendo do interveniente.
A dita dra advogada da treta, que assina a resposta como sendo advogada, respondeu dizendo não ter poderes psíquicos para adivinhar intenções de magistrados e caríssimos e reverendíssimos colegas de poleiro.
Pasme-se! Pasmem-se todos porque esta resposta é deveras hilariante. A dita dra da treta que deveria ser repreendida pelos seus pares, renunciou ao seu cliente o direito de ter pelo menos informação para poder tomar decisões sobre coisas importantes para o seu futuro, com uma resposta seca e provocante que numa outra situação daria direito a expulsão.
Ainda para mais a Sra. Dra Dita Cuja, diz-se “amiga pessoal” do mui digníssimo bastonário dos advogados Dr. Marinho Pinto.
Eu gostaria de apelar ao bastonário para por ordem na casa. Os advogados têm os seus direitos, mas não podem estar acima de leis que regem a prestação de serviços. Se o cliente paga deve ser servido, e ter as informações necessárias que a lei permite para poder decidir em conformidade. Ninguém pede certezas apenas pedimos que a lei e seus trâmites sejam explicados devidamente ao comum do cidadão, mais nada, para isso pagamos. Aliás teve a lata de me pedir 1.440 euros para meter um recurso e factura nem vê-la.
Sr. Dr. Marinho Pinto, diga à sua amiga para exercer a sua profissão com dignidade, mais não lhe é pedido e se não sabe o que anda a fazer ou não quer que diga, o que não falta é quem queira trabalhar. (Se quiser digo lhe quem é, por uma questão de bom sendo e porque sou mais profissional do que ela não o publico, mas não tenho medo de o dizer, mostro a todos as provas da incompetência.)
A dita dra advogada da treta, que assina a resposta como sendo advogada, respondeu dizendo não ter poderes psíquicos para adivinhar intenções de magistrados e caríssimos e reverendíssimos colegas de poleiro.
Pasme-se! Pasmem-se todos porque esta resposta é deveras hilariante. A dita dra da treta que deveria ser repreendida pelos seus pares, renunciou ao seu cliente o direito de ter pelo menos informação para poder tomar decisões sobre coisas importantes para o seu futuro, com uma resposta seca e provocante que numa outra situação daria direito a expulsão.
Ainda para mais a Sra. Dra Dita Cuja, diz-se “amiga pessoal” do mui digníssimo bastonário dos advogados Dr. Marinho Pinto.
Eu gostaria de apelar ao bastonário para por ordem na casa. Os advogados têm os seus direitos, mas não podem estar acima de leis que regem a prestação de serviços. Se o cliente paga deve ser servido, e ter as informações necessárias que a lei permite para poder decidir em conformidade. Ninguém pede certezas apenas pedimos que a lei e seus trâmites sejam explicados devidamente ao comum do cidadão, mais nada, para isso pagamos. Aliás teve a lata de me pedir 1.440 euros para meter um recurso e factura nem vê-la.
Sr. Dr. Marinho Pinto, diga à sua amiga para exercer a sua profissão com dignidade, mais não lhe é pedido e se não sabe o que anda a fazer ou não quer que diga, o que não falta é quem queira trabalhar. (Se quiser digo lhe quem é, por uma questão de bom sendo e porque sou mais profissional do que ela não o publico, mas não tenho medo de o dizer, mostro a todos as provas da incompetência.)
A solidão
Aqui depositado em mim….um assombro de solidão….
Em meu redor deserto. E no meu chão o abismo das areias que se movem e me engolem. Para onde me vire não existe oásis, apenas as dunas do deserto e vento árido que corta a minha respiração… Sufoco…
O meu corpo rende se às intempéries, mas a mente desperta tenta procurar no fundo, numa gaveta escondida uma razão. Qual foi a culpa que me escapou? Qual fim o crime que cometi e pelo qual não paguei a minha pena? Onde está a razão? Onde está a justiça? Grito alto e em resposta o eco me responde com dor. Uma dor latejante como uma espada que me entra lentamente no coração.
O sangue corre lentamente pelo peito, lenta dor…lento adormecer.
Morro aqui no coração do deserto da solidão: isto é estar só no mundo.
Em meu redor deserto. E no meu chão o abismo das areias que se movem e me engolem. Para onde me vire não existe oásis, apenas as dunas do deserto e vento árido que corta a minha respiração… Sufoco…
O meu corpo rende se às intempéries, mas a mente desperta tenta procurar no fundo, numa gaveta escondida uma razão. Qual foi a culpa que me escapou? Qual fim o crime que cometi e pelo qual não paguei a minha pena? Onde está a razão? Onde está a justiça? Grito alto e em resposta o eco me responde com dor. Uma dor latejante como uma espada que me entra lentamente no coração.
O sangue corre lentamente pelo peito, lenta dor…lento adormecer.
Morro aqui no coração do deserto da solidão: isto é estar só no mundo.
Todos em abandonaram
Mais um dia de desgraça….Mais um dia em que me pergunto o que fiz para merecer este trágico fim, um fim de um filme que não pedi para entrar. Levaram-me á força para uma acção que não escrevi nem desejei e de onde durante anos tentei sair. Um figurante que fo levado á força, mas onde me deram um papel principal.
Agora que o desenlace final se aproxima, o figurante feito actor, vê o quanto esteve só nesta acção.
E quando tenta pedir ajuda, todas as portas se fecham. Todos dizem para desistir de lutar contra um vilão que não posso vencer. A lei, os trâmites legais, as burocracias, os malditos banqueiros e as incompetências dos defensores…
Todos se viraram contra ele e ele apenas se vê como apenas mais um joguete nas mãos de um senhor ditador: Deus ou o destino ou o Karma o que lhe quiserem chamar, manietam as suas acções e por mais que ele tente, nada do que faça irá mudar a sua condição de condenado.
Por fim senta-se sobre uma velha cadeira onde repousa a cabeça e deixa-se embalar num pranto de dor.
Á sua volta todos meneiam a cabeça e zombam, prestam-lhe vénias e chamam-no rei. Coroam-no com uma coroa de espinhos e oferecem-lhe fel a beber…
Todos os seus amigos o abandonaram e o negaram, e ele jaz agora sobre uma cadeira velha sobre o seu pranto de dor.
O mundo á sua volta é como se parasse no tempo e no espaço e já não ouve nada, nem nada vê, apenas um vazio na alma. O pensamento já não existe. Rende-se …lentamente fecha os olhos e rende-se. Não sente já dor, não sente vontade, não sente nada no seu corpo, apenas um vazio dentro de si e o silêncio.
Não é paz, não é inquietação é apenas vazio, sem cor, sem luz, sem som, apenas vazio…
Sinto-me assim vazia, num limbo, perdida num limbo, como que drogada por uma espécie de analgésico. Já não sou eu, não nada, nunca fui nada e agora sou apenas um espectro daquilo que queria ser.
Todos me abandonam e fiquei aqui neste canto escuro é espera que algo aconteça, a morte talvez, talvez ela me tire daqui, mas até ela me vira as costas e meneia a cabeça e zomba de mim e me enlouquece neste vazio.
Ninguém me pode valer… nem tu Morte! O Universo pode mais do que tu e eu sou a matéria que ele enjeitou.
Agora que o desenlace final se aproxima, o figurante feito actor, vê o quanto esteve só nesta acção.
E quando tenta pedir ajuda, todas as portas se fecham. Todos dizem para desistir de lutar contra um vilão que não posso vencer. A lei, os trâmites legais, as burocracias, os malditos banqueiros e as incompetências dos defensores…
Todos se viraram contra ele e ele apenas se vê como apenas mais um joguete nas mãos de um senhor ditador: Deus ou o destino ou o Karma o que lhe quiserem chamar, manietam as suas acções e por mais que ele tente, nada do que faça irá mudar a sua condição de condenado.
Por fim senta-se sobre uma velha cadeira onde repousa a cabeça e deixa-se embalar num pranto de dor.
Á sua volta todos meneiam a cabeça e zombam, prestam-lhe vénias e chamam-no rei. Coroam-no com uma coroa de espinhos e oferecem-lhe fel a beber…
Todos os seus amigos o abandonaram e o negaram, e ele jaz agora sobre uma cadeira velha sobre o seu pranto de dor.
O mundo á sua volta é como se parasse no tempo e no espaço e já não ouve nada, nem nada vê, apenas um vazio na alma. O pensamento já não existe. Rende-se …lentamente fecha os olhos e rende-se. Não sente já dor, não sente vontade, não sente nada no seu corpo, apenas um vazio dentro de si e o silêncio.
Não é paz, não é inquietação é apenas vazio, sem cor, sem luz, sem som, apenas vazio…
Sinto-me assim vazia, num limbo, perdida num limbo, como que drogada por uma espécie de analgésico. Já não sou eu, não nada, nunca fui nada e agora sou apenas um espectro daquilo que queria ser.
Todos me abandonam e fiquei aqui neste canto escuro é espera que algo aconteça, a morte talvez, talvez ela me tire daqui, mas até ela me vira as costas e meneia a cabeça e zomba de mim e me enlouquece neste vazio.
Ninguém me pode valer… nem tu Morte! O Universo pode mais do que tu e eu sou a matéria que ele enjeitou.
A paz na chuva
O tempo assim chuvoso deixa me cabisbaixa…
Fico triste como o cinzento das nuvens.
O trabalho não ajuda e apenas apetece que o pensamento pare e o corpo se deixe entrar nessa molenguice.
Verdade que não apetece mesmo fazer nada…dormir, dormir até um despertar. Uma consciência que me trás para a realidade de algo que desconheço.
Aceito o presente, mas aborrece o presente, onde apenas sinto um definhar da mente.
Talvez não sinta nada, o pensamento desligou-se de mim e já não penso, nem sinto, apenas um limbo entre a realidade e o vazio.
Nada disto é necessariamente mau. Sabes quando vem sobre ti uma sensação de paz de bem-estar com o universo, pois é mesmo isso: paz.
Respiro e deixo me embrenhar nessa paz. Apetecia ficar assim o tempo todo nessa paz.
Sinto cada momento da minha respiração, cada membro do meu corpo em separado e de novo os junto num só.
Um só pensamento, um só sentido: o de paz no vazio.
A paz pode ser no céu azul ou na nuvem cinzenta que encheu o ar de melancolia, a paz pode ser apenas o branco da folha de papel, ou no negro da noite Não importa onde. Podes ter isso quando quiseres, senti-la onde for porque ela estará apenas dentro de ti agora.
Fico triste como o cinzento das nuvens.
O trabalho não ajuda e apenas apetece que o pensamento pare e o corpo se deixe entrar nessa molenguice.
Verdade que não apetece mesmo fazer nada…dormir, dormir até um despertar. Uma consciência que me trás para a realidade de algo que desconheço.
Aceito o presente, mas aborrece o presente, onde apenas sinto um definhar da mente.
Talvez não sinta nada, o pensamento desligou-se de mim e já não penso, nem sinto, apenas um limbo entre a realidade e o vazio.
Nada disto é necessariamente mau. Sabes quando vem sobre ti uma sensação de paz de bem-estar com o universo, pois é mesmo isso: paz.
Respiro e deixo me embrenhar nessa paz. Apetecia ficar assim o tempo todo nessa paz.
Sinto cada momento da minha respiração, cada membro do meu corpo em separado e de novo os junto num só.
Um só pensamento, um só sentido: o de paz no vazio.
A paz pode ser no céu azul ou na nuvem cinzenta que encheu o ar de melancolia, a paz pode ser apenas o branco da folha de papel, ou no negro da noite Não importa onde. Podes ter isso quando quiseres, senti-la onde for porque ela estará apenas dentro de ti agora.
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