A indignação perante as injustiças deste mundo consome-me os dias e o pensamento.
Para cada lado que olhe vejo sempre o mesmo e com um tal descaramento que me escandaliza, ou como diz o outro: é insultuoso há minha pessoa. Como contribuinte, como cidadã, como pessoa, sinto-me insultada pelo modo como as coisas ocorrem neste país. Tudo muito normal, tudo muito legal, tudo muito lindo e muito sorrisinho para aqui e para ali. E é a crise, e vai dali e é a crise e vai daqui e mais um comprimidinho p´as dores, vira o rabo mais uma injecçãozita p´os sintomas, não vá a coisa pegar-se use-se máscaras. Mas no fundo nada se faz para curar realmente a peste que alastrou pelo país.
Atolam-nos com paracetamol e com bênçãos molha tolos, mas no fundo o mal permanece e alastra a muita gente de bem, aos que pagam impostos e são cumpridores da lei, aos pobres e aos remediados, vai chegando a todo o lado.
Isto de levantar a moral com promessas e intenções tem que se lhe diga, porque uma coisa é falar outra coisa é fazer umas cerimónias de milhões para dar a conhecer intenções. Então meus senhores onde está a contenção? Meu caro é só para alguns. Isto não é o Zimbabué mas para lá caminha.
E anda pobre trabalha para pagar os impostos que a gente um destes dias vai tirar aos ricos para te dar uma esmola. Reformas? Não pobre diabo, os teus filhos que te sustentem. Trabalho? Contenta-te com uma migalha e cala te boca, não digas que não vais daqui.
O êxodo para a cidade levou-os para uma armadilha de bem-estar, que agora se transformou em pesadelo. Não se vive, sobrevive-se.
É o stress, é o desemprego, mendigos em ruas de nobres senhores. Que fazer?
Sento-me num cepo velho corroído pelo tempo e pergunto-me: que fazer?
Descanso nesse cepo a alma e as pernas do dia de jornada e pergunto: que fazer?
Em redor vejo terras ao monte, vejo casas velhas ou novas sem gente, vejo rostos infelizes, vejo coisas belas em gentes desprovidas de alma e pergunto: que fazer?
Vejo um querer parecer o que não se é, vejo um pouco de nada em quem tudo tem…Vejo indiferença ao que passa ou nosso lado…
Vejo o abismo dentro de um povo que se perdeu algures numa caravela.
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