Na semana passada vi uma entrevista na televisão no Jornal das 9, na SIC Noticias, com o Mário Crespo e o Dr Medina Carreira e assisti a um raro rasgo de coragem e de lucidez de um comentador televisivo.
Nada desse politicamente correcto, nada da politiquice de quiosque, apenas uma incrível frontalidade de alguém que falou pelo povo e simplesmente, numa isenção e numa independência total do sistema, fala sobre a realidade das coisas sem medo.
Como economista concordo plenamente na sua visão de ver as coisas e enganem-se aqueles que dizem que ele nada aponta como solução. Aponta caminhos e sobretudo aponta como não fazer, se soubermos para onde queremos ir e qual o caminho que não devemos seguir, já sabemos muita coisa.
Eu acho que basta desses estudos milionários que não nos levam a lado nenhum, eu acho que basta dessas inaugurações de intenções que só nos fazem perder tempo e milhões.
Eu acho que o estado deve fazer o essencial, dar espaço condições para que se crie emprego e rendimento, e não apenas para se criar despesa.
Das duas uma, ou o estado começa a criar empresas que produzam e sejam produtivas e competitivas e dá emprego a muita gente e gera muito rendimento, ou o estado apoia o investimento privado e deixa que se crie riqueza deixando ele próprio de criar cada vez mais despesa.
A questão é simples: auto-estradas, TGV e pontes não criam riqueza sustentável e duradoura, criam apenas despesa e embora ajudem no desenvolvimento, a sua repercussão é a muito longo prazo. Para que queremos TGV se depois os portugueses não tiverem dinheiro para pagar um bilhete? Para nada. Se temos um alfa Pendular que nos leva do Porto a Lisboa no mesmo tempo com um bilhete tão caro que alguns não têm dinheiro para pagar, para que queremos outro mais caro que ainda menos pessoas irão poder usufruir? Bom senso meus senhores.
Estamos numa perigosa recessão ao tempo da outra Sra., ao tempo em que os nossos avós não tinham dinheiro para pagar os estudos dos filhos, tinham de viver da terra e do pouco trabalho que conseguiam.
Eu acho que Portugal tem muito mais potencial e isto significa aproveitar de forma consciente e sustentável todos os seus recursos por explorar. Tanta é a terra que vejo e toda tão mal tratada. Construímos casas para depois ficarem às moscas, construímos para quem? Para quem não tem dinheiro para comer?
Precisa-se homens conscientes, como o Dr. Medina Carreira, visionários, mas sobretudo pessoas livres que falem com consciência, que mandem com consciência e isenção. Precisam-se soluções e não problemas. Se estes políticos não são a solução do problema, que se afastem com dignidade e dêem lugar a quem queira fazer pelo país e não quem queira apenas colocar o país a fazer por si mesmos.