Ouvindo Piazzola descanso o espírito da demanda dos dias.
Sento me no sofá e descanso o corpo.
Não sei mais se estou cansada ou se estou num limite.
Corri o dia inteiro e agora no descanso merecido levo para longe o espirito.
Não vai para tão longe assim, talvez não vá para lado nenhum, procuro o silêncio e ele está tão perto e eu tão longe dele...
Quero procurar-me, procurar o caminho da luz. Não oiço, não vejo. Caminho por caminhos tortuosos, tumultuosos, já não choro, já não sinto nada, lanço-me para a frente empurrada pelo dever, empurrada pelo tempo.
Se procuro luz, pareço ver trevas.
A verdade é que me sentei, sentou-se a vida numa pedra dessas de beira da estrada. Uma estrada manhosa onde vejo gente passar e que vou cumprimentando com reverência teatral.
Represento um papel. Todos nós representamos um papel.
Sou genuina quando fecho a porta de casa e tudo fica para trás das costas.
Procuro no silêncio, no conforto, na segurança a serenidade para a vida.
Se perguntas se estou feliz, digo-te que estou serena, estou em paz.
Ainda que não veja a luz sei que ela existe mesmo na cegueira.