Vamos caminhando na beira de uma abismo.
O caminho que outrora era largo e luminoso, que nos apresentava na frente o horizonte e o céu azul, é agora estreito e tortuoso. As pedras direitas e aparadas do chão, não passam de pedregulhos rugosos e disformes que se tornaram obstáculos ao progresso dos caminheiros. As vestes limpas e novas, são agora farrapos rasgados e sujos que tresandam a podridão. As sapatos magoam os pés quase descalços e feridos…
Foram-se os anéis ficam-se as feridas… foi se a esperança e ficou a resignação….as escolhas que fizemos, desviaram-nos do caminho, tomámos atalhos que nos desviaram do caminho…Deixámos de ter no horizonte a planície calma e passámos a ter montanhas íngremes e sombrias, medos e facilidades que se revelaram em embustes.
Isto é Portugal que caminha, somos nós povo que caminhamos e carregamos nas costas os líderes que nos conduzem por esses penhascos.
Somos nós povo que saímos de uma ditadura para uma liberdade que prometia sonhos concretizados e que trouxe desilusões. Levaram-nos para uma Europa que prometia facilidades e trouxe penalizações….
Ilusões….tudo se resumiu em embustes e desilusões.
Tiraram-nos o sonho, a ambição e deixaram nos a resignação de um povo que caminha como cordeiros para o matadouro.
Os carrascos foram líderes vergonhosos que no egoísmo de si, na ilusão do poder, comeram a carne e agora esbicham-nos os ossos.
Somos caminheiros esfarrapados que carregam nos ombros reis nus que se iludiram com vestes de ouro fino, mas que se vestiram de túnicas ricas de um fio de nada, o nada que fizeram pelo povo que os carrega nos ombros e que uma e outra vez tomba sobe o peso do seu Estado….
Assim caminha Portugal no seu caminho para o abismo…
"Aqui, deposta enfim a minha imagem,/ Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,/ No interior das coisas canto nua./ Aqui livre sou eu - eco da lua/ E dos jardins, os gestos recebidos/ E o tumulto dos gestos pressentidos,/ Aqui sou eu em tudo quanto amei." Sophia de Mello Breyner
O caminho direito que se fez torto
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