À beira do abismo(outra vez)

Os dias por vezes não são fáceis amigo...
Sinto me frustrada nos caminhos que segui. Sinto me frustrada nas escolhas que fiz, sinto-me assim sem eira nem beira.

Que depressão é essa? que ponto final é esse que me apresentas?

Lembro me que quando tinha 16-17 anos queria algo para mim que não podia estar mais longe daquilo a que cheguei hoje.
Culpa minha! Claro que é. Ninguém me obrigou a nada.
Nunca ninguém me obrigou a nada amigo. Posso dizê-lo livremente, ninguém me empurrou, escolhi tudo de minha livre e espontânea vontade.
Não sei se consigo levar isso de ânimo leve. Tenho culpa no cartório e era tão mais fácil dizer que alguém me levou a isto.
Procuro desculpas, procuramos todos os dias bodes expiatórios para as nossa falhas e eu não consigo encontrar um.
Nada mais triste ver o quanto falhámos na escolha dos caminhos que seguimos.
É desanimador para um peregrino chegar a meio do caminho e ver que se enganou e que segue num sentido oposto ao caminho a que se propôs.

Então segue outro caminho! Vai à procura de outro coisa, não fiques parada no tempo recriminando te por aquilo que erraste!
Meu caro companheiro isso é o que dirias a qualquer pessoa e porque não segues tu esse precioso conselho?
Porque te permites e essa provação? Inteligente capaz de seguir qualquer caminho a que te proponhas. Capaz de fazer algo que queiras, porque te recriminas e nada fazes para mudar.

Sinto sem ânimo. Sinto me um verme.
Posso resumir-me assim: sinto me um grão de areia do caminho espezinhado por todos.
Não me demarco dos outros grãos do caminho em nada. Sou um simples grão de areia que todos espezinham e ninguém vê.
A verdade é que não me sinto capaz de fazer nada diferente do que faço,mas não consigo demarcar com um talento, com um conhecimento especialmente capaz de se demarcar por exemplo numa entrevista de emprego.
Não sei o que faço aqui amigo, não sei porque estou aqui. Não se sinto especialmente útil para nada e especialmente necessária para nada.
Se eu desaparecesse nem davam por mim.
É assim que me sinto à beira do abismo.

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