Geração á rasca! A luta continua!

A democracia está viva!

Respiro de alivio ao ver que a democracia está viva e os portugueses não estão cegos, nem surdos, e acordam agora para a democracia! 37 anos depois do 25 de Abril!

A luta continua!
Eu não sou comunista nem apologista de comunismos. Eu acredito na democracia feita pelo povo, porque afinal o poder vem do povo, porque é o povo que paga os impostos que mantêm o sistema, que sustentam o estado. Se fossemos uma empresa éramos todos accionistas do Estado e então também temos direito a protestar e a mudar de gestores.
Portanto a nossa empresa que é Portugal está doente e temos de mudar a estratégia para voltarmos a crescer e sermos competitivos. Os gestores que temos à frente da empresa são corruptos e incompetentes, têm falta de capacidade de liderança, porque não motivam os trabalhadores a serem competitivos e não valorizam aqueles que são competentes.
Hoje 11 de Março (que lembra outras lutas sangrentas) estamos em vésperas de revoltas, revoltas que os comentadores, aqueles que fazem opinião e que não passam de capachos do sistema, apelidam de demagogia pura.

Eu pergunto-vos:
- é demagogia ter de estudar para ser escravo?
- É demagogia que as pessoas que estão descontentes possam ir para a rua lutar pelos seus direitos?
- É demagogia que o desemprego atinge milhares de jovens em Portugal, que sendo qualificados não têm onde trabalhar?
- é demagogia o trabalho precário, salários miseráveis, e que a independência dos jovens é cortada pela sociedade que não lhes dá oportunidades de terem uma família, porque não têm um sustento financeiro?
- Alguma destas razões é DEMAGOGIA DE QUEM APENAS FALA E PROTESTA CONTRA TUDO E NÃO APONTA SAÍDAS? É DEMAGOGIA?

Eu sei do que falo, sei porque estou lá nesse ponto! Estou no ponto da ruptura! Estou no ponto da revolta por um motivo muito simples: não só porque tenho qualificações e sou tratada como escrava, não só porque quero ser independente e continuo a depender da minha família para viver, não só porque apesar do meu ordenado, do meu esforço, da minha não extravagancia nas compras, continuo a passar dificuldades, continuo a contar tostões para comer, não só porque neste momento não tenho uma moeda na carteira para sequer tomar um café de 30 cêntimos, mas sobretudo porque vejo a corrupção que grassa em Portugal, os interesses económicos que se misturam com a política portuguesa e a justiça e os políticos da nação a agirem como se nada fosse.
Vejo políticos a agirem com propaganda de regime fascista que mostra grandes obras, ou obras nenhumas, como que anunciando a salvação da pátria, enquanto o país passa as passas do Algarve.
Vejo a justiça não apenas cega, mas surda e muda perante as evidências e os factos de corrupção e incompetência dos gestores e políticos portugueses.

Tenho de vos dizer meus amigos que ainda a procissão vai no adro.
Quando os preços dos alimentos subirem aliados ao preço do petróleo aí não teremos para comer.
O parco ordenado que temos e que se esvai em impostos, em rendas, em combustível, em luz e em juros não dará para comprar o pão para a boca.
Não é demagogia é a realidade senhores políticos e comentadores.
A geração à rasca, vai voltar a ser a geração que em meados do século XX passou mal por causa de uma guerra que não era nossa, mas que nos trouxe grandes reservas de ouro. Fome e ouro bela associação, e esta fome o que nos trará? Não será ouro, não serão rosas, das rosas irão ficar espinhos, mas acredito que serão espinhos que nos moldarão o espírito e o corpo e nos tornaram mais fortes para enfrentar as adversidades.
Espero que nos abram também a mente para sermos mulheres e homens melhores, mais solidários e justos, e mais empreendedores.
Aprendamos a dar valor ao que é nosso, a dar valor à experiência dos mais velhos e à história feita pelos nossos egrégios avós!

Viva a democracia! Viva a liberdade! Viva Portugal!

A conquista do Douro


Sábado 7h da manhã.
O nevoeiro tomou conta da cidade, envolveu-a de tal modo que não vemos a mais de 100 metros.
8 da manhã e estou pronta para a aventura. As velhas botas rompidas nos pés, máquina na bolsa e bastão na mão, saio porta fora.
Começa a aventura no Douro.
Hoje vou a conduzir como tanto gosto.
Passei a minha infância de copiloto do meu pai e ganhei lhe o gosto da condução.
Para mim o carro é só como mais um membro e este fim de semana vai ser o meu companheiro de aventura.
Percorro Minho a Trás os Montes, a neve nos penhascos da serra d´Arga e na serra do Alvão e seguimos rumo à Régua. Por entre a neblina, que teima em não desistir vemos as as pontes que se estendem sobre o Douro e nos levam para a outra margem.
O Douro imponente recebe-nos amistoso, envolve-nos com suas águas calmas e serenamente enfeitiça-nos.
Subimos sempre seguindo as suas margens, nele se reflectem os montes redondos e esculpidos por socalcos escavados pelo homem ao longo de séculos.
Para onde olhemos vemos videiras, aqui e ali uma amendoeira em flor. Os socalcos criam feitios como um bordado que de quando em vez é pintado por uma casa pintado pelo xisto que é rei nesta terra.
Nesta altura do ano as videiras estão despidas, estão prontas para renascer para a vida na primavera.
Os meus olhos não se cansam em descobrir novas formas e novidades em cada curva que o Douro criou nestes montes redondos esculpidos pelo tempo e pelo homem.
Espanto! O silêncio poderia ser perfeito para dar um som a esta aventura, o silêncio da natureza onde o canto dos pássaros e o grito das cascatas que jorram da montanha e se precipitam no rio vão criando uma melodia harmoniosa.
Os meus olhos dizem que estou em paz neste momento.

Subir o Douro e descobrir o rio Tedo que se fundo ao Douro serpenteando numa dança que encanta o meu olhar.
Descubro as quintas do Douro vinhateiro. Sinto o paladar do vinho que as uvas e a alquimia do homem criaram num feitiço. Os cheiros e os sabores que nos levam pelos campos e pela floresta dos montes da Beira.
Estou nas minhas gentes, estou na minha Terra que é Portugal.
Agora que descanso o meu olhar nas águas compreendo a grandeza deste país.
Não há país no mundo que tenha a capacidade de ser tantos lugares ao mesmo tempo.
Praia, planície, montanhas de todas as formas, rios, cascatas, tudo se apresenta de forma esplendorosa e as gentes recebem-nos com um carinho que surpreende.
É assim Portugal, um misto de emoções em cada olhar. Um mundo para descobrir?
Sinto me uma turista na minha terra. Sinto me desconhecida, porque não te reconheço.
Do Alto do pinhão vejo os montes que se estendem no horizonte, as vinhas, as quintas o rio , tudo se estende a meus pés e até o sol veio para iluminar o meu olhar.

E assim descobri o Douro!