A conquista do Douro


Sábado 7h da manhã.
O nevoeiro tomou conta da cidade, envolveu-a de tal modo que não vemos a mais de 100 metros.
8 da manhã e estou pronta para a aventura. As velhas botas rompidas nos pés, máquina na bolsa e bastão na mão, saio porta fora.
Começa a aventura no Douro.
Hoje vou a conduzir como tanto gosto.
Passei a minha infância de copiloto do meu pai e ganhei lhe o gosto da condução.
Para mim o carro é só como mais um membro e este fim de semana vai ser o meu companheiro de aventura.
Percorro Minho a Trás os Montes, a neve nos penhascos da serra d´Arga e na serra do Alvão e seguimos rumo à Régua. Por entre a neblina, que teima em não desistir vemos as as pontes que se estendem sobre o Douro e nos levam para a outra margem.
O Douro imponente recebe-nos amistoso, envolve-nos com suas águas calmas e serenamente enfeitiça-nos.
Subimos sempre seguindo as suas margens, nele se reflectem os montes redondos e esculpidos por socalcos escavados pelo homem ao longo de séculos.
Para onde olhemos vemos videiras, aqui e ali uma amendoeira em flor. Os socalcos criam feitios como um bordado que de quando em vez é pintado por uma casa pintado pelo xisto que é rei nesta terra.
Nesta altura do ano as videiras estão despidas, estão prontas para renascer para a vida na primavera.
Os meus olhos não se cansam em descobrir novas formas e novidades em cada curva que o Douro criou nestes montes redondos esculpidos pelo tempo e pelo homem.
Espanto! O silêncio poderia ser perfeito para dar um som a esta aventura, o silêncio da natureza onde o canto dos pássaros e o grito das cascatas que jorram da montanha e se precipitam no rio vão criando uma melodia harmoniosa.
Os meus olhos dizem que estou em paz neste momento.

Subir o Douro e descobrir o rio Tedo que se fundo ao Douro serpenteando numa dança que encanta o meu olhar.
Descubro as quintas do Douro vinhateiro. Sinto o paladar do vinho que as uvas e a alquimia do homem criaram num feitiço. Os cheiros e os sabores que nos levam pelos campos e pela floresta dos montes da Beira.
Estou nas minhas gentes, estou na minha Terra que é Portugal.
Agora que descanso o meu olhar nas águas compreendo a grandeza deste país.
Não há país no mundo que tenha a capacidade de ser tantos lugares ao mesmo tempo.
Praia, planície, montanhas de todas as formas, rios, cascatas, tudo se apresenta de forma esplendorosa e as gentes recebem-nos com um carinho que surpreende.
É assim Portugal, um misto de emoções em cada olhar. Um mundo para descobrir?
Sinto me uma turista na minha terra. Sinto me desconhecida, porque não te reconheço.
Do Alto do pinhão vejo os montes que se estendem no horizonte, as vinhas, as quintas o rio , tudo se estende a meus pés e até o sol veio para iluminar o meu olhar.

E assim descobri o Douro!

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