Pensamentos de uma noite de verão

Talvez o verão me traga lembranças ou vontades, talvez esperanças vãs, mas acredito que são apenas saudades De vidas que passei.
Não sei se posso dizer que estou no caminho...procuro o caminho como o oxigénio para viver, procuro o caminho para não me perder e dar um rumo À vida...
Procuro o caminho por medos, mas o caminho são veredas escuras e não sabemos o que encontraremos no fim da rua.
No fim da rua talvez um banco frio para sentarmos, talvez só um vazio para nos perdermos, talvez só o silêncio para gritarmos, talvez nada...
Outros dias há que parecem rectas que tenho de percorrer, onde o desejo é apenas chegar ao fim e o que vejo são ondas de calor num dia de verão, que meus olhos olhos tomam como cidades antigas perdidas no horizonte...
Vêm pensamentos à memória e a memória torna-se dor, saudade, amor...
Quando fecho os olhos procuro o vazio, mas encontro arrependimento...
Afasto para longe o pensamento e foco o meu ser num vazio e sinto uma onda invadir meu corpo, deixo me levar por ela...e voo para o sonho...

Neblina dos dias – Crónica de um país à deriva

Depois da tempestade vem a bonança? Não, vem a neblina.

Depois da tempestade que foram os últimos meses desta república, sente-se o silêncio e a resignação dos marinheiros que observam o mar e escutam o silêncio e o murmúrio das calmas águas onde circula a caravela Portugal.
Na proa os marinheiros olham o mar a escutam o silêncio buscando o caminho. Nos seus olhos está espelhado o medo da incerteza do mar e dos perigos que espreitam por detrás da densa neblina.
Os rostos fechados e o espelho da alma resignada com os tempos de incerteza que todos sentimos.
O discurso dos portugueses mudou quando mudaram os rostos dos lideres, agora esperam que o futuro lhe traga ilhas com sereias e riquezas e oásis com águas refrescantes e boas tâmaras doces, mas também esperam dificuldades, sacrifícios e tempestades na sua vida.
Não é apenas o país, é também os dramas pessoais de cada um.
Somos os novos descobridores que desbravam caminhos na crise e encontram novos mundos.

Vejo a resignação, mas também também a vontade de lutar, de trabalhar e procurar por dias felizes, vejo também a esperança o querer de ser melhor. Não perderam a boa hospitalidade e o belo sorriso, embora menos brilhante, não menos genuíno.

É isto que marca a diferença de Portugal com o resto do mundo, não vamos para a rua gritar, resigna-mo-nos e continuamos a buscar no silêncio do medo dias melhores.