Neblina dos dias – Crónica de um país à deriva

Depois da tempestade vem a bonança? Não, vem a neblina.

Depois da tempestade que foram os últimos meses desta república, sente-se o silêncio e a resignação dos marinheiros que observam o mar e escutam o silêncio e o murmúrio das calmas águas onde circula a caravela Portugal.
Na proa os marinheiros olham o mar a escutam o silêncio buscando o caminho. Nos seus olhos está espelhado o medo da incerteza do mar e dos perigos que espreitam por detrás da densa neblina.
Os rostos fechados e o espelho da alma resignada com os tempos de incerteza que todos sentimos.
O discurso dos portugueses mudou quando mudaram os rostos dos lideres, agora esperam que o futuro lhe traga ilhas com sereias e riquezas e oásis com águas refrescantes e boas tâmaras doces, mas também esperam dificuldades, sacrifícios e tempestades na sua vida.
Não é apenas o país, é também os dramas pessoais de cada um.
Somos os novos descobridores que desbravam caminhos na crise e encontram novos mundos.

Vejo a resignação, mas também também a vontade de lutar, de trabalhar e procurar por dias felizes, vejo também a esperança o querer de ser melhor. Não perderam a boa hospitalidade e o belo sorriso, embora menos brilhante, não menos genuíno.

É isto que marca a diferença de Portugal com o resto do mundo, não vamos para a rua gritar, resigna-mo-nos e continuamos a buscar no silêncio do medo dias melhores.

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