A luta de Portugal!

Nesta luta a ideia de dor psicológica parece ganhar dentro de mim novo sentido.
Para quem se habituou ás dores como eu, é até estranho.
Neste momento uma dor de alma que se torna física e nenhum medicamento pode curar essa dor.
Posso tomar analgésicos, mas a dor parece não passar.
As minha pernas recusam a continuar a caminhada e o meu braço direito recusa-se a pegar na espada para a luta.
Fazem me desistir de mim, ou quererão fazer me ver que já desisti de mim?
Os outros membros parecem também eles não resistir e ameaçam fraquejar.
Levanto-me para a luta, lá fora as tendas dos combatentes semi-vazias parecem esvaziar-se também de sonhos.
Oiço as trombetas que chamam para a luta! Apenas o piar de corvos que se aproximam do acampamento num mau agoiro.
Perde-se a glória de Portugal. Perdem -se os sonhos de chão, de honras e riquezas prometidas!
Perdemos-nos na densa neblina da manhã! Deixámos de ver horizonte e céu e mar...
A peleja há muito que não passa de uma luta de fantasmas. Lutamos contra as as sombras das árvores velhas, perdidos! De cabeça perdida!
Os meus velhos ossos rangem de dor, oiço os queixarem-se do tempo, de tudo e nada.
Os guerreiros esmorecem e dormitam ainda debaixo de capas sujas e rasgadas da luta.
Assim se escreve Portugal!
O mais velho país da Europa envelhece em todos os sentidos, e os poucos jovens que crescem até a eles retiram os sonhos e o brilho no olhar.
Só os senhores têm o brilho no olhar, o brilho da cobiça, da ganância e do desprezo.
È deles o chão é deles o piar do corvo, são eles que nos chamam para a inglória luta... Montados em Seus cavalos ordenam embates contra árvores velhas e rochas gastas pelo suor e pelo sangue dos peões que resistem na fome e na doença.
Os seus ossos, velhos de sonhos e fracos de esperanças vão caminhando pelo matagal e embrenham se em pântanos escuros.

Ao longe os abutres olham o campo e esperam os fracos para lhes retirar a carne dos ossos.

Assim se escreve Portugal!
O chão já não é nosso, é de tiranos que imperam neste Portugal!

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