Os passos correm lentamente os pensamentos…
Corre o passado e o presente e o futuro perto e longe!
Quero o que não quero e tenho o que me dão!
Sou pedinte e sou mendiga da solidão!
Sou pedinte e sou mendiga da vida!
Dá-me uma côdea de pão e faço dela o meu bolo de festa!
Dá-me um copo de água suja e faço dela o meu espumante e brindo à alegria!
A rosa que sou murcha um pouco! Logo que se abeira de mim a tristeza tiro-a para dançar!
Danço um tango e uma valsa! Uma vénia ao cavalheiro do salão que me atirou uma rosa!
O salão da vida se enche de personagens!
Venho e volto num rodopio e o vento me carrega em seus braços!
Mendiga no chão deitada em teus braços, minha velha e nobre solidão!
Acordo enfim de um leve sonho que me levou para um passado ou um futuro breve!
Não sei se sou a mendiga que passa ou a lenta brisa que destapa do rosto teu véu!
O véu que tapa teu rosto é apenas teu medo! Eternamente teu medo de ser feliz!
Viviana Cruz in Poemas Canção
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