O céu tingido de um laranja forte, rasgado por pequenas pinceladas de azul-escuro adivinhando a noite e morrendo num louro azul, é este o quadro que quero pintar. Captar a imagem e aprisioná-la para sempre numa pintura que nunca fará jus ao momento. Fiquei assim olhando o sol desaparecer no horizonte e pensando que talvez o que vi fosse uma miragem.
Passamos ao largo de momentos que num instante nos fazem sorrir e acreditar que viver é bom.
Passamos à margem do mundo e das maravilhas ele contém. Não imaginamos o que podemos ganhar se olharmos o mundo com olhos de ver e não com turvos de uma ilusão de ter.
Ao longe vejo o anoitecer e Vénus brilha agora para mim. Sorrio, um momento resume a humanidade do que quero: a felicidade.
Posso sonhar ser muita coisa, mas aquilo que não consigo ter é dentro de mim todas a emoções de felicidade comprimidas numa só. Resumir os momentos felizes em que sorri e tentar sentir num todo essa felicidade é uma equação impossível.
Será que a felicidade não se pode coleccionar? Colecciono momentos, fotos, pinturas, mas não posso coleccionar a felicidade. O que senti naquele instante passou e ainda que volte a recordar, não voltarei a experimentar o que senti. Parece estranho que ela não seja uma linha contínua como o tempo, ou não será o tempo uma linha contínua?
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