Vou conduzindo o leme pelo mar sereno...ao longe uma pequena neblina deixa antever tempestade...
O ar está pesado, posso sentir a tensão da tempestade no ar...os ventos deixam o barco deslizar devagar entre as ondas...
Os homens olham o horizonte e nos seus olhos vê se o medo da incereteza do futuro...
Quem guia o leme não descura o seu medo...usa-o como modo de focar a atenção no objectivo: seguir rumo ao infinito...
Ao longe vejo agora as nuvens que se adençam e se enchem de um negro medonho...
Já vejo o primeiro relâmpago e os olhos dos marinheiros iluminam...
Seguimos rumo ao olho da tempesade, nada que possa fazer me tirará deste destino...as tormentas da tempestade que sobre este navio Portugal se põem dão agora o seu grito de guerra.
Posso sentir o vento agora soprando as velas com fúria..agita-se o leme, agitam-se os homens, grito ordens furiosas para içar as velas. Correm de um lado para o outro sem rumo...
As mãos agarram o leme numa fúria que exprime o medo e a raiva que sinto.
As ondas envolvem o barco numa fúria e revolvem o barco...entrámos na tempestade...rezai senhores! rezai a Deus por este navio Portugal!
"Aqui, deposta enfim a minha imagem,/ Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,/ No interior das coisas canto nua./ Aqui livre sou eu - eco da lua/ E dos jardins, os gestos recebidos/ E o tumulto dos gestos pressentidos,/ Aqui sou eu em tudo quanto amei." Sophia de Mello Breyner
Sentir apenas...
Não entendo o que é isto!
Não percebo o que sinto...não é racional..é irreal..não é obsessivo, é apenas compulsivo...como se já existisse antes...como se fosse parte de mim...como se fosse um sem fim de sentidos que me despertam para algo escondido que revive o presente e o passado futuro.
Se te dissesse assim por palavras, não descreveria nada daquilo que é, que existe, que foi, que será, porque não se diz por palavras apenas por gestos...
Não se diz por palavras aquilo que arde sem se ver...não se descreve por palavras aquilo que não vemos..só se diz por palavras aquilo que o sentido da visão pode traduzir, mas aquilo que apenas o coração pode ver, não existem no mundo palavras suficientes para o descrever...
Apenas sentir...quero apenas sentir sem escrever...
Não percebo o que sinto...não é racional..é irreal..não é obsessivo, é apenas compulsivo...como se já existisse antes...como se fosse parte de mim...como se fosse um sem fim de sentidos que me despertam para algo escondido que revive o presente e o passado futuro.
Se te dissesse assim por palavras, não descreveria nada daquilo que é, que existe, que foi, que será, porque não se diz por palavras apenas por gestos...
Não se diz por palavras aquilo que arde sem se ver...não se descreve por palavras aquilo que não vemos..só se diz por palavras aquilo que o sentido da visão pode traduzir, mas aquilo que apenas o coração pode ver, não existem no mundo palavras suficientes para o descrever...
Apenas sentir...quero apenas sentir sem escrever...
Revolta em mim num amor assim
Os meus pensamentos correm para ti como o rio corre impetuoso pela montanha em cascata.
Não fujo deles, fujo do que sinto com medo de perder em ti o meu amor...
O rio corre revoltoso pela montanha com ansia de chegar ao mar e eu corro o dia e a noite com ansia de chegar a ti...lembro o teu toque, o teu cheiro, a tua voz meiga que me deixa perdida num paraíso onde me perco em nuvens...
Tu entraste na minha vida e viraste-a do avesso.
Eu que esperava sentada na borda da estrada vi me entrar num remoinho de sentidos...já não sei o que sou, sei que me perdendo em ti me encontrei renascida em mim.
Ergui me das cinzas velhas onde me sepultei e renasci para uma vida sonhada e esquecida, revivida e retomada num meio caminho onde me pegaste e me deixaste entrar nos teus sonhos.
Sei que não sei mais para onde vou...sei que me levas por caminhos que não acreditei, mas que reconheço no teu toque...sei que quero ir por aí por onde me levas sem medos ou receios, porque quando chegas dissipas todas as neblinas que há em mim...
Não fujo deles, fujo do que sinto com medo de perder em ti o meu amor...
O rio corre revoltoso pela montanha com ansia de chegar ao mar e eu corro o dia e a noite com ansia de chegar a ti...lembro o teu toque, o teu cheiro, a tua voz meiga que me deixa perdida num paraíso onde me perco em nuvens...
Tu entraste na minha vida e viraste-a do avesso.
Eu que esperava sentada na borda da estrada vi me entrar num remoinho de sentidos...já não sei o que sou, sei que me perdendo em ti me encontrei renascida em mim.
Ergui me das cinzas velhas onde me sepultei e renasci para uma vida sonhada e esquecida, revivida e retomada num meio caminho onde me pegaste e me deixaste entrar nos teus sonhos.
Sei que não sei mais para onde vou...sei que me levas por caminhos que não acreditei, mas que reconheço no teu toque...sei que quero ir por aí por onde me levas sem medos ou receios, porque quando chegas dissipas todas as neblinas que há em mim...
Voar para ser livre...
Às vezes gostava de ter a liberdade de voar como um pássaro...
Voava para um sitio distante...
Distante de mim e dos meus pensamentos...
Gostava de partir para o cimo da árvore mais alta do mundo e ficar ali a ver o mundo girar em volta...
Partir e voar sobre os mares calmos e cruzar tempestades, sobre as nuvens voar...
Voar acima de todas as tempestades, de todos os sentimentos revoltosos voar...
Voar, apenas voar numa liberdade e planar sobre o vale da vida numa madrugada de verão e ver o nascer do sol....
Descansar por entre as folhas frescas de um velho carvalho ao meio dia...
Voar a pique para a montanha e lá de cima ver o sol pôr se no mar ao final do dia...
Se eu fosse uma ave seria livre, nos movimentos, nos pensamentos, nas horas e partiria para qualquer lugar quando a vontade me consumisse o espírito...
Se eu fosse uma ave seria um espírito livre de andorinha que percorre o mundo livre seguindo apenas o curso das estações e das paixões.
Voava em voos picados e rasos sobre os telhados da cidade...
Voava em voos rasos e livres sobre os ribeiros da montanha e faria nas rochas o meu porto de abrigo e quando o Outono chegasse partiria para longe seguindo o sol e a vontade...
Se eu tivesse asas seria livre...
Voava para um sitio distante...
Distante de mim e dos meus pensamentos...
Gostava de partir para o cimo da árvore mais alta do mundo e ficar ali a ver o mundo girar em volta...
Partir e voar sobre os mares calmos e cruzar tempestades, sobre as nuvens voar...
Voar acima de todas as tempestades, de todos os sentimentos revoltosos voar...
Voar, apenas voar numa liberdade e planar sobre o vale da vida numa madrugada de verão e ver o nascer do sol....
Descansar por entre as folhas frescas de um velho carvalho ao meio dia...
Voar a pique para a montanha e lá de cima ver o sol pôr se no mar ao final do dia...
Se eu fosse uma ave seria livre, nos movimentos, nos pensamentos, nas horas e partiria para qualquer lugar quando a vontade me consumisse o espírito...
Se eu fosse uma ave seria um espírito livre de andorinha que percorre o mundo livre seguindo apenas o curso das estações e das paixões.
Voava em voos picados e rasos sobre os telhados da cidade...
Voava em voos rasos e livres sobre os ribeiros da montanha e faria nas rochas o meu porto de abrigo e quando o Outono chegasse partiria para longe seguindo o sol e a vontade...
Se eu tivesse asas seria livre...
Considerações sobre a vida
Parando para pensar....
Fazendo uma retrospectiva de vida vejo como abdiquei da minha vida durante tanto tempo...
Vivi uma vida tão pouco minha e no entanto tão minha... Não vivi, vivo!
Durante anos criei na minha mente que me estava vedada a hipótese de fazer tantas coisas.
Quando era criança sonhava tanto. Na adolescência sonhei ser tanta coisa...tudo esqueci..tudo perdi no fundo da alma...
Perdi-me no escuro do vazio da casa alma...e fiquei por ali sentada no escuro, no canto no silêncio. Fechei portas com cadeados que quando a ferrugem partia logo substituía, e a luz, por muito sedutora que fosse, leva me apenas a mais um quarto escuro.
Nesta casa não existem quartos de luz, apenas salas com cortinas que abro para entrar a luz e onde partilho momentos com a família e os amigos e que por segundos me levam à lucidez, mas quando fecho a porta regresso aos quartos escuros...
Existe tanta luz em volta desta casa e dentro de mim existe uma necessidade de luz, não só da que vem de fora, mas de libertar a que vem de dentro.
Agora percebo que quem me guiou o destino não fui eu, não foi a minha vontade de escuridão...Por muito que quisesse esconder me na escuridão a vida levou me por caminhos que reservou para mim, ainda que eu negasse ser esse o meu filme...
A vida levou me por caminhos que não escolhi nem desejei...Alguns escolhi e outros deixei me levar por eles...
Nessa caminhada em que fui deixando a vida levar me pela mão sem resistir, pois de nada valia resistir ao inevitável, a vida deu me papeis em filmes que entrei com resignação e pouco a pouco fui percebendo que o que a vida me ensinava era a perceber que esses papeis eram os meus meus, essas personagens que desempenhava eram as minhas...
Os sonhos que perdi e tive foram ficando para trás não sei mais o que sonhava para mim...deixei de sonhar, deixei de querer sonhar e a vida foi me mostrando caminhos que não reconheci...
Hoje paro e penso o que sou? O que fui? o que serei? O que quero ser? O que mais a vida quererá que eu seja?
Não é uma questão de justiça, porque então ela não foi justa comigo, nem com nenhum de nós os que achamos que somos uns infelizes...
Existe um tempo, um papel a cumprir e quem o aceitar com amor será feliz, os que se limitam a lutar contra isso vêm infelicidade em tudo de bom que possuem.
Podem ter tudo o que precisam, mas de nada lhes valerá se os sues olhos não virem a beleza da vida e do mundo...
Quando pensarmos que a vida nos levou por caminhos de escuridão, talvez devêssemos tirar a venda que nos cega o olhar e ver beleza em todas as coisas e pessoas que fazem parte da nossa vida, até mesmo as que nos fazem sofrer, porque essas nos fazem crescer a alma e nos fazem aprender a ser melhores e corajosos. Essa pessoas e esses momentos em que sofremos vão ensinar nos a ultrapassar obstáculos maiores e a dar valor ao que temos...
Quero tirar as traves que cobrem as janelas da minha casa, quero deitar fora as cortinas que tapam a luz e deixa-la entrar na casa da alma..
Fazendo uma retrospectiva de vida vejo como abdiquei da minha vida durante tanto tempo...
Vivi uma vida tão pouco minha e no entanto tão minha... Não vivi, vivo!
Durante anos criei na minha mente que me estava vedada a hipótese de fazer tantas coisas.
Quando era criança sonhava tanto. Na adolescência sonhei ser tanta coisa...tudo esqueci..tudo perdi no fundo da alma...
Perdi-me no escuro do vazio da casa alma...e fiquei por ali sentada no escuro, no canto no silêncio. Fechei portas com cadeados que quando a ferrugem partia logo substituía, e a luz, por muito sedutora que fosse, leva me apenas a mais um quarto escuro.
Nesta casa não existem quartos de luz, apenas salas com cortinas que abro para entrar a luz e onde partilho momentos com a família e os amigos e que por segundos me levam à lucidez, mas quando fecho a porta regresso aos quartos escuros...
Existe tanta luz em volta desta casa e dentro de mim existe uma necessidade de luz, não só da que vem de fora, mas de libertar a que vem de dentro.
Agora percebo que quem me guiou o destino não fui eu, não foi a minha vontade de escuridão...Por muito que quisesse esconder me na escuridão a vida levou me por caminhos que reservou para mim, ainda que eu negasse ser esse o meu filme...
A vida levou me por caminhos que não escolhi nem desejei...Alguns escolhi e outros deixei me levar por eles...
Nessa caminhada em que fui deixando a vida levar me pela mão sem resistir, pois de nada valia resistir ao inevitável, a vida deu me papeis em filmes que entrei com resignação e pouco a pouco fui percebendo que o que a vida me ensinava era a perceber que esses papeis eram os meus meus, essas personagens que desempenhava eram as minhas...
Os sonhos que perdi e tive foram ficando para trás não sei mais o que sonhava para mim...deixei de sonhar, deixei de querer sonhar e a vida foi me mostrando caminhos que não reconheci...
Hoje paro e penso o que sou? O que fui? o que serei? O que quero ser? O que mais a vida quererá que eu seja?
Não é uma questão de justiça, porque então ela não foi justa comigo, nem com nenhum de nós os que achamos que somos uns infelizes...
Existe um tempo, um papel a cumprir e quem o aceitar com amor será feliz, os que se limitam a lutar contra isso vêm infelicidade em tudo de bom que possuem.
Podem ter tudo o que precisam, mas de nada lhes valerá se os sues olhos não virem a beleza da vida e do mundo...
Quando pensarmos que a vida nos levou por caminhos de escuridão, talvez devêssemos tirar a venda que nos cega o olhar e ver beleza em todas as coisas e pessoas que fazem parte da nossa vida, até mesmo as que nos fazem sofrer, porque essas nos fazem crescer a alma e nos fazem aprender a ser melhores e corajosos. Essa pessoas e esses momentos em que sofremos vão ensinar nos a ultrapassar obstáculos maiores e a dar valor ao que temos...
Quero tirar as traves que cobrem as janelas da minha casa, quero deitar fora as cortinas que tapam a luz e deixa-la entrar na casa da alma..
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