É destes dias que eu gosto. Primeiro dia de férias.
Futuro promissor. Dormir até tarde, fazer alguns dos deveres com clama e descontracção.
Meio da tarde tomar café com um amigo...ir ás compras...jantar e eis que de súbito um telefonema, outro amigo a convidar para tomar café.
Dia normal até aqui.
Estamos a falar de um amigo que diz, e reconheço que sim, foi dos que mais me empurrou para eu mudar a minha forma cega de me ver no mundo.
Já não o via há algum tempo e achei que seria bom conversarmos um pouco, saber com ele ia, o que tinha feito. Engano total. Afinal era só para falar do mesmo de sempre: de mim...que aborrecimento.
Conversas sérias em tempo de férias é terrível. Pior que isso é não chegarmos a conclusão nenhuma, porque tal como ele diz os meus argumentos são sempre os mesmos.
Mas agora, aqui neste cantinho virtual que ninguém lê eu vou-te dizer aquilo que não consegui dizer-te na hora, nem a ti nem a ninguém.
Ao contrário do que tu dizes tu não me mostrastes o sol e eu na minha cegueira não o vi. Não. Tu mostraste-me o sol por detrás de uma nuvem e eu que imaginasse o resto. Mas de facto há uma coisa que tens razão, nada mais podias fazer por mim. Nada mais podias fazer.
Tu queres saber o que é de facto o meu problema, porque é que eu não consigo sair do quarto escuro? De facto tu não me poderias ajudar nunca, nem tu nem nenhum dos meus incansáveis amigos.
Sabes porque é que eu fico tão segura no escuro da minha solidão? Nunca ninguém me mostrou que eu poderia sair dessa solidão apenas com algo mágico como o amor. Tu não percebes isso, nem tu nem ninguém percebe isso, nenhum de vós os comuns mortais que já amaram e já foram amados. E eu na minha solidão não amei nem fui amada. Nunca ninguém me disse: meu amor.
Queres melhor antídoto para a minha insanidade do que isto? Sabes o que é passar na rua e ver a felicidade no rosto dos outros e perceber que de facto a única coisa que nos falta para sermos realmente felizes é isso? Será tão difícil perceber isso? Tu próprio não te sentes em baixo quando estás sozinho? Que mais podes fazer por mim? Que mais posso fazer eu por mim? Inventar um amor? Colocar um anúncio no jornal: Rapariga solteira e com beleza interior de sobra, procura amor sério e para compromisso futuro. Parece-te bem?
Tenho muitos amigos e todos gostam de mim, a minha família gosta de mim, as pessoas que trabalham comigo gostam de mim e sempre gostaram do meu trabalho, mas porra! Nunca me aconteceu algum filho da mãe me dizer: meu amor. E meu caro eu sei que nenhum prazer físico do mundo me irá satisfazer uma necessidade infinita de sentir amor! O prazer físico nunca irá fazer superar o prazer de ouvir dizer: meu amor.
Parece uma loucura, mas é verdade. O que me falta para ser feliz, para ter a MOTIVAÇÃO de mudar a minha vida, de ser o que realmente quero ser é amor... Simples não é?
Como posso eu chegar ao espelho e achar que estou bonita, se quando eu virar costas ninguém me disser isso. Não é no espelho que eu quero ver a beleza ou o amor, é, tal como tu escrevias e muito bem, nos olhos de alguém.
Tonto...não sabes onde falhaste! Ficas desapontado, porque falhastes como amigo! Não meu caro senhor, você fez o que podia e mais não lhe era pedido, espero é que não o tenha feito por frete e se o fez, lhe peço desculpa. Mas não se ire por mim, nem por si.
Você não me poderia dar algo que eu ainda tenho esperança de algum dia poder encontrar: o amor nos olhos de alguém. Isso é a minha única luz ao fundo do túnel, será a minha razão final para realmente eu apreciar a vida, será a minha razão de viver! Saber que terei sentido o amor completo na sua plenitude será o motor para eu renascer da morte da alma.
Ter realmente aquilo que tal como dizes eu mereço, que no fundo todos merecemos, ter sentido tudo o que poderia sentir, além da tristeza que todos os dias me acompanha, é que me fará mover.
E sabes, com a idade desaprendemos a sentir e o medo que me atormenta é ter deixado passar o tempo de realmente sentir, de saber sentir, de saber mostrar o que sinto, o medo de me ter tornado apenas uma rocha impermeável ao amor.
Sabes, depois disto nada mais me resta dizer. Nada mais me resta mostrar. Aqui está a minha alma nua. E todos aqueles que lerem isto conhecerão aquilo que eu tão insistentemente persisto em esconder, a tristeza é esta, por isso eu me odeio tanto e mais nada...
Depois disto poderei simplesmente morrer, porque tudo sobre mim está dito, escrito, conhecido vivido, sentido...
Está é a minha auto biografia final, o meu legado, o meu testemunho, a minha herança é esta: viver sem amor é apenas ser um morto vivo... E quem nunca sentiu o amor nunca viveu de facto.
E vós comuns mortais como eu o que tendes a dizer a esta verdade? Dói não é?
Futuro promissor. Dormir até tarde, fazer alguns dos deveres com clama e descontracção.
Meio da tarde tomar café com um amigo...ir ás compras...jantar e eis que de súbito um telefonema, outro amigo a convidar para tomar café.
Dia normal até aqui.
Estamos a falar de um amigo que diz, e reconheço que sim, foi dos que mais me empurrou para eu mudar a minha forma cega de me ver no mundo.
Já não o via há algum tempo e achei que seria bom conversarmos um pouco, saber com ele ia, o que tinha feito. Engano total. Afinal era só para falar do mesmo de sempre: de mim...que aborrecimento.
Conversas sérias em tempo de férias é terrível. Pior que isso é não chegarmos a conclusão nenhuma, porque tal como ele diz os meus argumentos são sempre os mesmos.
Mas agora, aqui neste cantinho virtual que ninguém lê eu vou-te dizer aquilo que não consegui dizer-te na hora, nem a ti nem a ninguém.
Ao contrário do que tu dizes tu não me mostrastes o sol e eu na minha cegueira não o vi. Não. Tu mostraste-me o sol por detrás de uma nuvem e eu que imaginasse o resto. Mas de facto há uma coisa que tens razão, nada mais podias fazer por mim. Nada mais podias fazer.
Tu queres saber o que é de facto o meu problema, porque é que eu não consigo sair do quarto escuro? De facto tu não me poderias ajudar nunca, nem tu nem nenhum dos meus incansáveis amigos.
Sabes porque é que eu fico tão segura no escuro da minha solidão? Nunca ninguém me mostrou que eu poderia sair dessa solidão apenas com algo mágico como o amor. Tu não percebes isso, nem tu nem ninguém percebe isso, nenhum de vós os comuns mortais que já amaram e já foram amados. E eu na minha solidão não amei nem fui amada. Nunca ninguém me disse: meu amor.
Queres melhor antídoto para a minha insanidade do que isto? Sabes o que é passar na rua e ver a felicidade no rosto dos outros e perceber que de facto a única coisa que nos falta para sermos realmente felizes é isso? Será tão difícil perceber isso? Tu próprio não te sentes em baixo quando estás sozinho? Que mais podes fazer por mim? Que mais posso fazer eu por mim? Inventar um amor? Colocar um anúncio no jornal: Rapariga solteira e com beleza interior de sobra, procura amor sério e para compromisso futuro. Parece-te bem?
Tenho muitos amigos e todos gostam de mim, a minha família gosta de mim, as pessoas que trabalham comigo gostam de mim e sempre gostaram do meu trabalho, mas porra! Nunca me aconteceu algum filho da mãe me dizer: meu amor. E meu caro eu sei que nenhum prazer físico do mundo me irá satisfazer uma necessidade infinita de sentir amor! O prazer físico nunca irá fazer superar o prazer de ouvir dizer: meu amor.
Parece uma loucura, mas é verdade. O que me falta para ser feliz, para ter a MOTIVAÇÃO de mudar a minha vida, de ser o que realmente quero ser é amor... Simples não é?
Como posso eu chegar ao espelho e achar que estou bonita, se quando eu virar costas ninguém me disser isso. Não é no espelho que eu quero ver a beleza ou o amor, é, tal como tu escrevias e muito bem, nos olhos de alguém.
Tonto...não sabes onde falhaste! Ficas desapontado, porque falhastes como amigo! Não meu caro senhor, você fez o que podia e mais não lhe era pedido, espero é que não o tenha feito por frete e se o fez, lhe peço desculpa. Mas não se ire por mim, nem por si.
Você não me poderia dar algo que eu ainda tenho esperança de algum dia poder encontrar: o amor nos olhos de alguém. Isso é a minha única luz ao fundo do túnel, será a minha razão final para realmente eu apreciar a vida, será a minha razão de viver! Saber que terei sentido o amor completo na sua plenitude será o motor para eu renascer da morte da alma.
Ter realmente aquilo que tal como dizes eu mereço, que no fundo todos merecemos, ter sentido tudo o que poderia sentir, além da tristeza que todos os dias me acompanha, é que me fará mover.
E sabes, com a idade desaprendemos a sentir e o medo que me atormenta é ter deixado passar o tempo de realmente sentir, de saber sentir, de saber mostrar o que sinto, o medo de me ter tornado apenas uma rocha impermeável ao amor.
Sabes, depois disto nada mais me resta dizer. Nada mais me resta mostrar. Aqui está a minha alma nua. E todos aqueles que lerem isto conhecerão aquilo que eu tão insistentemente persisto em esconder, a tristeza é esta, por isso eu me odeio tanto e mais nada...
Depois disto poderei simplesmente morrer, porque tudo sobre mim está dito, escrito, conhecido vivido, sentido...
Está é a minha auto biografia final, o meu legado, o meu testemunho, a minha herança é esta: viver sem amor é apenas ser um morto vivo... E quem nunca sentiu o amor nunca viveu de facto.
E vós comuns mortais como eu o que tendes a dizer a esta verdade? Dói não é?
5 comentários:
É a fraqueza do homem que o torna sociável; são as nossas misérias comuns que levam os nossos corações a interessar-se pela humanidade: não lhe deveríamos nada, se não fôssemos homens. Todos os afectos são indícios de insuficiência: se cada um de nós não tivesse necessidade dos outros, nunca pensaria em unir-se a eles. Assim, da nossa própria enfermidade, nasce a nossa frágil felicidade. Um ser verdadeiramente feliz é um ser solitário; só Deus goza de uma felicidade absoluta; mas qual de nós faz uma ideia do que isso seja? Se algum ser imperfeito se pudesse bastar a si mesmo, de que desfrutaria ele, na nossa opinião? Estaria só, seria miserável. Não posso acreditar que aquele que não precisa de nada possa amar alguma coisa: não acredito que aquele que não ama nada se possa sentir feliz.
Jean-Jacques Rousseau, in 'Emílio'
A vida é um sono de que o amor é o sonho, e vós tereis vivido se houverdes amado.
Alfred de Musset
Só pelo amor o homem se realiza plenamente.
Platão
A falta de amor é a maior de todas as pobrezas
Madre Teresa de Calcutá
Não tens de pedir desculpas.
Eu é que tenho de pedir desculpas por ser assim, a ti e a todos os meus amigos, à minha familia e a Deus por ser assim. Tal como dizes, e muito bem, que desperdício de energia!
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